12/04/2016
Olá querid@s,
Gostaríamos de compartilhar com vocês esse momento que estamos vivendo, assim como muitos outros já compartilhados.
Após 5 anos de atividades intensas, maravilhosas e muito preciosas, resolvemos finalizar essa bela parceria por muitos motivos, entre eles o bebê que vai nascer, planos de mudanças de cidade, consciência das nossas limitações e principalmente pelo respeito que temos entre nós e por nós mesmas.
Agradecemos muito a todas as oportunidades, vindas através dos projetos, que tivemos de nos reconhecer como pessoas, profissionais e ainda mais por nos relacionarmos com pessoas como vocês.
Buscamos aceitar a impermanência, que move tudo, inclusive as belas iniciativas. Somos eternamente gratas pelo envolvimento de vocês, pela esperança e pela abundância que nos acompanhou!
Queremos deixar uma bela poesia que recebemos:
ÍTACA
Konstantinos Kaváfis
(Trad. Haroldo de Campos)
Quando , de volta , viajares para Ítaca
roga que tua rota seja longa,
repleta de peripécias, repleta de conhecimentos.
Aos Lestrigões, aos Cíclopes,
ao colério Posêidon, não temas:
tais prodígios jamais encontrará em teu roteiro,
se mantiveres altivo o pensamento e seleta
a emoção que tocar teu alento e teu corpo.
Nem Lestrigões nem Cíclopes,
nem o áspero Posêidon encontrarás,
se não os tiveres imbuído em teu espírito,
se teu espírito não os sucitar diante de si.
Roga que sua rota seja longa,
que, mútiplas se sucedam as manhãs de verão.
Com que euforia, com que júbilo extremo
entrarás, pela primeira vez num porto ignoto!
Faze escala nos empórios fenícios
para arrematar mercadorias belas;
madrepérolas e corais, âmbares e ébanos
e voluptosas essências aromáticas, várias,
tantas essências, tantos arômatas, quantos puderes achar.
Detém-te nas cidades do Egito -nas muitas cidades-
para aprenderes coisas e mais coisas com os sapientes zelosos.
Todo tempo em teu íntimo Ítaca estará presente.
Tua sina te assina esse destino,
mas não busques apressar sua viagem.
É bom que ela tenha uma crônica longa duradoura,
que aportes velho, finalmente à ilha,
rico do muito que ganhares no decurso do caminho,
sem esperares de Ítaca riquezas.
Ítaca te deu essa beleza de viagem.
Sem ela não a terias empreendido.
Nada mais precisa dar-te.
Se te parece pobre, Ítaca não te iludiu.
Agora tão sábio, tão plenamente vivido,
bem compreenderás o sentido das Ítacas.