04/10/2024
Artigo
Ecologia Biodança e Principio Biocentrico
Carlos Manuel Dias
O princípio biocêntrico proposto por Rolando Toro é similar ao proposto por Boff, pois ambos partem da noção de uma hierarquia baseada na natureza, na qual o ser humano não deveria se considerar superior, mas sim parte de um sistema maior, a natureza. Para Toro, o ser humano não é o centro do cosmos, mas um componente mais entre muitos, parte de um todo, assim como a natureza em geral. Então, a perspectiva biocêntrica de Toro é parecida com a proposta de Boff, ao propor que o ser humano reconheça e viva em harmonia com a natureza, como parte integrante de uma totalidade. Neste sentido, os dois pensadores se encontram em uma perspectiva maior, de que o ser humano não é o centro do universo, mas sim vive como parte de um todo maior.
Da perspectiva de Rolando Toro, as Quatro Ecologias de Boff podem ser entendidas como uma proposta para a superação do modelo sistêmico humano, entendido como "biocentrismo". Boff, para Toro, pretende a consciência do ser humano como parte de um todo maior, a natureza, em busca de uma transformação radical das relações com a natureza, conforme o princípio biocêntrico.
As Quatro Ecologias: Ambiental, Política e Social, Mental e integral (BOFF, 2012), como um esforço para a superação do Antropocentrismo, rumo ao Cosmocentrismo e Principio Biocentrico .
A ecologia ambiental, segundo Boff, tem a ver com a questão física, tecnológica, planetária e a resolução das questões ambientais relacionadas ao desequilíbrio na natureza e ao saqueamento dos recursos naturais pelo ser humano.
A ecologia política tem a ver com a resolução da organização política mundial, a questão social, como as desigualdades existentes entre os países ricos e pobres, em diferentes escalas, como local, regional e global.
A ecologia social tem a ver com as desigualdades sociais dentro dos próprios países, envolvendo todos os aspectos da vida, desde as condições de vida ao acesso à saúde, à segurança, ao trabalho, à educação, etc.
A ecologia mental propõe uma superação da mentalidade dos seres humanos, que se sentem superior e como amos do mundo, a favor de uma consciência mais coletiva e holística, em que a pessoa se veja como parte de um todo, incluso do ecossistema e não como seu dono
A ecologia mental, segundo Boff (2012), é o movimento consciente de entender que as distinções entre o homem e a natureza, o homem e o animal, entre o homem e a cultura, são meros conceitos de dualidade, como se o homem não fosse parte integral do ecossistema. A ecologia mental é, para ele, a consciência de que o homem é, na verdade, um ser inserido num contexto mais complexo e total, e que ele não pode agir isoladamente e individualmente na natureza e no mundo. Isso significa, então, tomar consciência do fato de que não podemos existir de forma isolada e individualizada, em vez de considerarmos que a união e o todo, a colaboração são as formas do ser humano realizar-se. A ecologia mental é, também, a consciência de que não há uma hierarquia na natureza, não há ser superior ou inferior, mas todos são a mesma coisa, sendo que, como um todo, todos são precisos e indispensáveis. No sentido mais amplo, a ecologia mental se assemelha ao conceito de cosmologia, que é a união das ciências naturais e humanas na questão do ser e do conhecimento.
É claro que no cerne do pensamento de Leonardo Boff está o tema da existência simultânea da busca pela plenitude e da missão ética de transformar o mundo, em uma espécie de cosmologia da transformação.
A ecologia mental é a capaz de nos proporcionar a superação de nossa perspectiva limitada e reducionista, e a construção de uma perspectiva global e superadora do reducionismo. Nessa concepção de uma ecologia mental, a mudança nas condições e na postura humana no mundo, passa a ser pautada não pelo materialismo reducionista e frio, mas sim pelo reconhecimento de todos os seres vivos e da interdependência recíproca entre todos os elementos. Além disso, a ecologia mental reconhece que os seres humanos não são separados da natureza, mas sim parte integrante e unidos à natureza. Um dos principais objetivos da ecologia mental, para Boff, é a construção da Paz Planetária.
O processo evolutivo da cultura não pode ser direcionado a manter-se, mas sim a reformular e transformar-se para se adequar às novas condições, as novas conquistas e os novos desafios, em um movimento contínuo de afirmação do ser, de novos ciclos de criação. A criatividade da vida está em constante fluxo de produção e de renovação, nunca se mantendo totalmente imóvel. A cultura, portanto, não pode ser fixa, mas deve-se ao movimento vital que a faz ser sempre inacabada, em constante transposição, sem rumo, gerando novas formas de entendimento, com novas consciências, novos sentimentos, novas preocupações e desejos. Dessa forma, a visão cosmológica deixa claro que, ao invés de se fixar no modelo de civilização pré-existente, a cultura e a civilização humana devem crescer e se tornar de forma orgânica, simultânea e continuada, com o intuito de adequar-se ao contexto histórico do presente. Isso representa uma autêntica visão histórica do próprio ser humano, de como a cultura e a civilização se constroem, a partir do impulso de criatividade, dos sentidos e das habilidades do humano, que estão em constante desenvolvimento, e são impulsionados pela busca ativa e constante pela realização de si, tanto individual quanto em conjunto, como coletividade. A noção de criatividade implica nisso uma consciência que toma partido, sem parar, do contexto histórico.
A ecologia política e social enfoca as desigualdades sociais que prejudicam a Natureza e seus recursos, através do grito de milhões de pobres e excluídos do sistema capitalista consumista. Essa teoria ressalta a importância da sustentabilidade, da inclusão social e da justiça social, uma vez que as desigualdades sociais são ecológicas. Essa teoria afirma que a produção não pode continuar gerando capital e lucro para minorias; antes de tudo, ela deve priorizar a saúde, a educação e o saneamento básico. Só depois de garantir as demandas humanas básicas, faz sentido buscar o lucro e a expansão capitalista.
Tudo isso é uma grande chamada ao respeito à natureza e à preservação da mesma, não só como uma ferramenta para a sobrevivência do ser humano, mas também por toda a complexa cadeia de vida existente que vai desde os mais simples micro-organismos até os mais complexos animais e vegetais. Todo organismo, para Boff, é importante e merece ser preservado, pois todo organismo possui a sua função na natureza, que além de desconhecida por nós, pode ser importante em níveis mais profundos e complexos do ecossistema. Nesse sentido, a ecologia integral propõe a superação da percepção humana como sendo o ser superior e dono absoluto do mundo, mas sim como parte e também dependente da natureza para a sua sobrevivência. Portanto, Boff questiona a concepção de que o ser humano é o ser primordialmente racional e, portanto, ou seu conhecimento e suas técnicas estão por cima das outras formas de saber existentes na natureza.
Podemos concluir que, para Boff, as quatro ecologias – ambiental, política e social, mental e integral – formam um todo e complementam-se, uma vez que cada ecologia é uma perspectiva diferente do ser humano e das relações do mesmo com o mundo. Cada um desses cinco conceitos abordados pelo autor, por sua vez, tem como objetivo buscar uma transformação radical no ser humano e seu relacionamento com a natureza e o cosmos, uma forma de questionar o sistema capitalista e econômico vigente, que Boff aponta como algo violento e desequilibrado, considerando as desigualdades sociais que ocorrem no mundo. As quatro ecologias, então, constituem uma proposta transformadora do modelo existente, uma nova maneira de existir no mundo.
Consequentemente , propomos uma atitude objetiva para a Biodança. Não podemos estar alheios as grandes transformações climáticas e ecológicas de nossa época, Realizamos a neutralização de Carbono de todos os nossos eventos de Biodança, mediante plantio e distribuição de sementes, mudas de arvores, plantios remotos, compensações grupais, etc. A medida, previamente calculada, é em media 1 arvore por pessoa por maratona. Então, numa Maratona com 20 pessoas, temos que plantar 20 arvores. Num Congresso de 1000 pessoas, uma floresta de 25.000 m2. Esse é o custo ecológico da nossa atividade.