18/08/2026
Segundo os dados mais recentes do IBGE, a expectativa de vida do brasileiro é de 76,6 anos. E, diante desse número, vez ou outra me pego pensando: já vivi uma parte considerável desse tempo.
Isso significa que não vivi tão pouco a ponto de desconhecer as malícias e as delícias do mundo, nem tanto a ponto de conhecê-las todas. Conheço aquelas que a vida me apresentou, e, sobretudo, aquelas que fui buscar. E buscar é um verbo muito presente na minha vida. Busco pessoas, ideias, experiências, perguntas e caminhos. Busco compreender, sentir, aprender. Talvez porque essa inquietação também alimente aquilo que, muitas vezes, o corpo já não dá conta de nutrir.
Mais do que um algarismo, o número 40 carrega, para mim, algo de simbólico: é quase um sopro sagrado da metamorfose.
Quarenta aparece em lugares de passagem e transformação: nos dias do deserto, como tempo de provação e amadurecimento; na quarentena, como intervalo de recolhimento e cura; e nas quarenta semanas de gestação, quando a espera culmina no milagre da vida. E há ainda uma curiosidade que gosto, entre Celsius e Fahrenheit, existe um ponto em que as duas escalas se encontram, 40 graus negativos.
Talvez por isso eu goste tanto desse número. Ele parece habitar esses lugares de passagem, entre o frio e o calor, o silêncio e a palavra, a dor e a aprendizagem, aquilo que fomos e aquilo que ainda podemos nos tornar.
O 40 não mede apenas o tempo. Simboliza o instante em que alguma coisa termina para que outra possa nascer; quando o caos, depois de fazer seu trabalho, finalmente se aquieta e abre espaço para o recomeço.
Mas não pensem que tenho 40. (Risos.)
É só que gosto muito desse número. Afinal, ele é exatamente o dobro do que eu realmente tenho. (Risos altos.)
Talvez seja isso que a vida esteja tentando me ensinar, não se trata de contar os anos que ainda faltam, mas de fazer com que os anos que chegam encontrem em nós espaço para acontecer. Viver é permanecer em travessia, perder algumas peles, abandonar certezas, acolher silêncios e continuar buscando aquilo que ainda não sabemos nomear.
E, se o tempo é rio, que eu não tenha pressa de chegar à margem. 🙏