23/09/2026
Eu não estava em Paris no dia 12 de setembro. Vi a cena numa tela pequena, como milhões de pessoas.
Céline Dion entra no palco depois de seis anos de ausência. A plateia se levanta. Ela abre os braços, fecha os olhos, começa a cantar e não consegue. Para.
O que me tocou não foi ela ter conseguido voltar a cantar, e sim ela não ter escondido o instante em que não conseguiu. Logo depois, disse à plateia que havia prometido não chorar e que não cumpria suas promessas. Naquele momento, algo aconteceu entre ela e o público que não estava no roteiro.
A cena me levou a um workshop sobre confiança com um grupo de líderes, pessoas acostumadas a se posicionar, decidir e sustentar opiniões. Quando chegamos à autenticidade, uma diretora colocou em palavras o que estava na sala: "é tão difícil falar sobre si mesmo".
Na liderança, aprendemos muito mais a nos posicionar sobre as coisas do que a nos colocar na relação. Analisamos, decidimos, orientamos, respondemos. Falar sobre o que ainda não sei, o que me preocupa ou o que está acontecendo comigo diante do outro vai em outra direção.
O que Céline não conseguiu fazer naquele instante foi desempenhar. E foi exatamente isso que construiu algo entre ela e quem estava ali. A plateia deixou de ser apenas plateia.
Na liderança não há palco. Há a reunião de equipe, a conversa difícil, o feedback, o pedido de ajuda. A escala muda. O ato de confiar, talvez não.
O artigo completo está no link da bio.