27/10/2025
O dia começou com animação, empolgação e foi nublando e se apagando, até chuviscar na Grande Porto Alegre.
Como muitos sabem estive na Jornada Gaúcha da Educação Infantil, neste final de semana, um evento com grandes nomes, uma excelente temática, ou seja, um grande potencial...
Apesar de abordar um tema extremamente relevante e necessário, o evento deixou a desejar em vários aspectos que comprometem sua efetiva contribuição para a formação dos professores, especialmente os da Educação Infantil, que deveriam ser o público central.
O primeiro ponto é o custo elevado e a inacessibilidade. Além do alto valor da inscrição, o deslocamento e a hospedagem tornam a participação praticamente inviável para educadores que vivem em regiões mais distantes do estado. Isso é contraditório, considerando que os professores da Educação Infantil são historicamente desvalorizados financeiramente e justamente os que mais se beneficiariam de espaços de qualificação como este.
Outro aspecto que causa estranhamento é o pouco tempo destinado a um tema tão complexo e importante. A carga horária reduzida não condiz com a profundidade necessária para tratar de forma consistente as questões propostas. Em contrapartida, o que se viu foi uma sequência de intervenções comerciais: a todo momento, patrocinadores subiam ao palco para fazer propaganda de seus produtos e serviços, diminuindo o tempo dos palestrantes, que, afinal, são o verdadeiro motivo de o público estar ali.
Um exemplo marcante foi a fala de Paulo Fochi, que precisou encerrar sem conseguir desenvolver toda a palestra, enquanto à tarde se cedeu tempo de palco a representantes de instituições patrocinadoras, sem qualquer contribuição relevante ao debate.
Para completar, o coffee break, onde a bebida precisava ser paga à parte foi outro ponto decepcionante. Não apenas pelo custo, mas pela falta de tempo real para pausa e convivência, um “coffee break sem coffee nem break”.
No fim, o evento acabou se tornando um espaço caro, cansativo e com pouco retorno prático para os educadores. Uma pena, pois a proposta tinha potencial, mas foi ofuscada pela lógica do marketing e pela falta de cuidado com quem está, de fato, no chão da escola
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