Amar também é conseguir continuar sendo quem você é dentro de um vínculo.
Entre a dependência e a autossuficiência, existe um caminho possível: a autonomia. E talvez seja justamente aí que o amor possa amadurecer.
Chris Ganzo - Psicóloga e Psicanalista
Psicanálise com textura humana para atravessar momentos de crise. Clínica • 40 anos de experiência
Uma experiência de parapente me ensinou algo que também vejo com frequência na clínica: em momentos de medo intenso, não basta saber que precisamos nos acalmar. Precisamos ter ferramentas para atravessar o que estamos vivendo.
Não basta compreender o que sentimos. É importante construir recursos que possam ser acessados justamente quando mais precisamos deles.
Porque atravessar uma crise não significa simplesmente “ser forte” ou “pensar positivo”. Significa ter suporte, recursos e caminhos possíveis para lidar com aquilo que está acontecendo. E, muitas vezes, o processo terapêutico é justamente aprender quais ferramentas você precisa para conseguir atravessar aquilo que hoje parece impossível.
Você já viveu uma situação em que percebeu que precisava de uma ferramenta para atravessar um momento difícil?
Me conta nos comentários 💛
07/08/2026
Nestes dias de tanta chuva no RS, lembrei de uma das passagens mais marcantes de Cem Anos de Solidão: a chuva que atravessa Macondo. Ela não é apenas um fenômeno da natureza. Ela se torna uma imagem do excesso. Aquilo que invade, transborda e muda a forma como uma família e uma comunidade habitam o mundo.
Chovia tanto que os peixes entraram pela janela.
O realismo mágico de García Márquez nos aproxima de uma linguagem muito própria do inconsciente: uma linguagem feita de imagens, deslocamentos e acontecimentos.
Quando o excesso invade, também podemos pensar nas nossas próprias “enchentes emocionais”: momentos em que algo transborda e parece ocupar todos os espaços.
Na obra, como na vida psíquica, aquilo que não encontra elaboração pode retornar de formas inesperadas. A história da família Buendía é marcada por amores que deixam rastros, por repetições que atravessam gerações e por aquilo que insiste em retornar, mesmo quando tenta ser esquecido.
Na clínica, encontramos algo dessa ordem: nem tudo se apresenta pela via da explicação lógica. O inconsciente não se organiza como uma narrativa linear. Ele é imagético: fala por imagens, cenas, metáforas, sonhos e repetições.
Nas últimas semanas, os temas relacionados a avós, mães, filhos, netos e vínculos familiares despertaram muito interesse aqui no meu perfil e trouxeram muitas reflexões.
Esse tema ganhou um significado especial para mim neste momento em que estou vivendo a experiência de me tornar avó. Essa nova posição se soma à minha trajetória como psicanalista, convidando-me a refletir ainda mais sobre os vínculos familiares, os lugares que ocupamos e aquilo que transmitimos entre gerações.
A criança não precisa carregar os conflitos dos adultos. Ela precisa encontrar um espaço seguro para crescer e construir a própria história.
Esse tema toca alguma experiência da sua história familiar? Você já percebeu uma criança captando algo que os adultos achavam que ela não via?
Vou gostar de ler suas reflexões nos comentários 💭
Nem toda ajuda fortalece. Quando o apoio ocupa o lugar dos pais, a confiança da família pode enfraquecer. A melhor ajuda é aquela que acolhe, orienta e fortalece quem cuida.
Você já viveu ou presenciou uma situação assim? Compartilhe sua opinião nos comentários 🌿
Estabelecer limites não rompe vínculos. Pelo contrário: ajuda cada pessoa a ocupar o seu lugar dentro da família.
Quando os papéis ficam claros, a parentalidade se fortalece, os relacionamentos se tornam mais saudáveis e a criança encontra mais segurança emocional para se desenvolver.
Se esse tema mexeu com você, saiba que sentir culpa não significa que você esteja fazendo algo errado. Muitas vezes, é apenas um sinal de que você está quebrando padrões antigos.
Você já viveu esse conflito na sua família? Quero ler sua experiência nos comentários 🌱
16/07/2026
Os encontros são vitais. É através deles que nos reconhecemos, nos transformamos e construímos quem somos. Mas é preciso estar atent@ ao que cada encontro provoca em nós: aquilo que nutre, que expande e que nos aproxima de nós mesmos — e também aquilo que nos diminui ou nos adoece.
Cuidar de um vínculo pode significar encontrar uma nova forma de presença. Às vezes, amar também é saber colocar distância.
Vou começar a compartilhar por aqui alguns aforismos deste libreto tão querido: A arte de se fazer feliz — Libreto 2, escrito por mim e por Denise Aerts.
O libreto está disponível em formato e-book no link da bio ou em chrisganzo.com.br.
03/07/2026
Ontem participei da Rodada de Negócios da , idealizada por — um encontro que, para mim, foi muito mais do que uma oportunidade de fazer negócios. Foi um espaço de conversa, conexões, trocas e encontros entre profissionais de diferentes áreas.
Quando chegou a minha vez de falar, percebi algo que nunca tinha nomeado: falar comercialmente sobre o consultório ainda é um desafio para mim.
Durante muitos anos, foi natural apresentar meus projetos na educação. Mas falar do consultório é diferente. É falar de um trabalho profundamente humano, construído na intimidade, na confiança, no encontro. Não é apenas oferecer um serviço; é abrir uma porta para um espaço muito particular — e eu nunca tinha feito isso dessa forma.
Compartilhei também sobre o percurso intensivo Bororó na Veia, que nasceu desse desejo de oferecer um acompanhamento intenso, vivo e ajustado ao que cada pessoa precisa.
Foi também uma alegria conhecer profissionais de áreas tão diferentes e descobrir formas de atuação que eu nunca tinha imaginado.
Esses encontros ampliam nosso olhar e mostram quantas possibilidades existem quando nos dispomos a conversar.
Saio do evento com a sensação de que comunicar o meu trabalho também faz parte dele — e que encontrar palavras para isso é um caminho que vale a pena percorrer.
Obrigada à Roberta e a todas que compartilharam esse momento. 💛
A chegada do meu neto me mudou profundamente.
E foi com essa experiência que compreendi que ser avó não é ser mãe duas vezes, como diz o ditado.
Me tornar avó me deu a oportunidade de revisitar a mulher que fui, a mãe que me tornei e, agora, descobrir esse lugar completamente novo: o de avó.
Ser avó é amar intensamente, estar disponível, acolher e cuidar. Mas também é reconhecer que esse bebê tem seus próprios pais, e que eles precisam viver, com autonomia, a experiência de construir sua própria parentalidade.
Aprendo, todos os dias, que amar um neto também é respeitar o lugar dos pais, apoiar suas escolhas e fortalecer os vínculos da família.
E na sua família, como essa experiência acontece?
💬 Me conta aqui nos comentários. Vou adorar conhecer a sua história.
26/06/2026
Somos quem nos tornamos a cada instante.
Não somos uma versão fixa de nós, mas um “vir-a-ser” em permanente mudança, um absoluto devir. O pensado, o escolhido e a decisão tomada anteriormente são apenas fragmentos da vida passada, que não devem permanecer no agora se já não correspondem à nossa vontade atual. O que somos só se revela na medida em que agimos, em cada instante vivido.
Do livro “A vida como ela é” – Cap. O colapso do sistema operacional, p. 62 – de Chris Ganzo e Denise Aerts, disponível em formato no link da bio.
Você acredita que conseguimos nos reinventar o tempo todo ou algo em nós permanece fixo? Comente aqui embaixo👇
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