28/11/2022
A Prefeitura de São Gonçalo do Amarante/RN está tentando deslegitimar o ato de servidores e servidoras que ocorreu na quinta-feira (24), em frente à casa do prefeito Eraldo Paiva (PT). A gestão municipal emitiu nota afirmando que os manifestantes tentaram invadir a casa do prefeito e que não havia necessidade para o “ato violento”, já que os trabalhadores tiveram suas pautas atendidas.
O ato em frente à casa do prefeito ocorreu após os servidores paralisarem suas atividades na quarta-feira (23), com ato em frente à Prefeitura, na tentativa de conseguir marcar uma audiência com o chefe do Executivo. Porém, os servidores e servidoras não conseguiram marcá-la. É importante lembrar que essa não é a primeira vez que a Prefeitura ignora os trabalhadores e trabalhadoras. A gestão sempre coloca obstáculos para receber os sindicatos e desmarca reuniões em cima da hora.
Há tempos que os servidores (as) tentam marcar audiência com o prefeito. A última vez que Eraldo recebeu a educação, por exemplo, foi durante a greve que ocorreu no início deste ano pelo pagamento do reajuste do piso salarial da categoria.
Não houve nenhuma tentativa de invasão à casa do prefeito. A narrativa que a Prefeitura tenta construir é para tentar confundir a população e para jogá-la contra os ativistas, uma atitude conhecida das gestões, para desmobilizar os trabalhadores e enfraquecer as lutas.
A primeira-dama de São Gonçalo do Amarante, Heide Bezerra, ter ameaçado chamar a polícia para os servidores (as) durante o protesto em frente à casa do prefeito é um exemplo do desrespeito da Prefeitura com os trabalhadores (as). Manifestar-se politicamente não é crime; pelo contrário, é um direito.
Essa atitude contra os servidores (as) é contraditória para um prefeito que se diz de um partido de “origem popular”, como o PT, que tem suas raízes também no movimento sindical. Mas não é surpresa ver uma gestão petista atacando a classe trabalhadora. A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, por exemplo, acumula vários ataques ao povo potiguar. Já judicializou greve da saúde, debochou dos trabalhadores da educação em entrevista dizendo que ficaram “paralisados” durante a pandemia da covid-19, fechou hospitais, aprovou a reforma da Previdência estadual e agora está de mãos dadas com Walter Alves (MDB), representante das oligarquias do estado que mais atacaram nossa classe.
A educação reivindica, por exemplo, o plano de carreira dos servidores e data base, o retorno dos servidores com estabilidade excepcional ao Iprev, a pecuniária, a revogação dos artigos da reforma da Previdência que ferem os direitos adquiridos dos servidores do município, a gestão democrática, a revisão do plano de carreira dos servidores do magistério, correção do nível médio para superior, e diminuição de três anos para dois anos nas mudanças promocionais verticais, construção de escolas, condições dignas de trabalho no ambiente escolar, o rateio do Fundeb, a hora atividade, a chamada do concurso e o pagamento do retroativo do piso do magistério de 2022 aos professores com cargas suplementar.
Nos solidarizamos, portanto, com o Sinte/RN - Núcleo de São Gonçalo do Amarante e com os trabalhadores e trabalhadoras do município, que estão sendo atacados pelo prefeito Eraldo Paiva. Não podemos aceitar nenhum tipo de intimidação. Temos que fortalecer ainda mais as lutas em defesa dos nossos direitos.
Assinam esta nota:
Regionais do Sinte de Ceará-Mirim, Umarizal e os Núcleos de São Gonçalo, Extremoz, Pureza, Barra de Maxaranguape e Ielmo Marinho
Movimento Muda Sinte
CSP-Conlutas