30/08/2026
Quando mudam os nomes, o que mais estamos tentando normalizar?
Nos últimos anos, a expressão MAP (Minor-Attracted Person), ou “pessoa atraída por menores”, passou a aparecer em trabalhos acadêmicos internacionais.
Não estou dizendo que a ciência decidiu mudar o nome da pedofilia. Não existe esse consenso. Minha preocupação é outra: quando determinadas ideias passam a circular em artigos científicos e instituições respeitadas, elas ganham credibilidade e poder de influência.
Há trabalhos discutindo estigma, identidade e até sentimentos descritos como “atração romântica” por menores. Facilitar a procura por tratamento pode ser importante para a prevenção. Mas existe um limite que precisa permanecer muito claro:
Acolher não é normalizar. Tratar não é legitimar. Pesquisar não é romantizar.
Lacan chamou de “sujeito suposto saber” aquele a quem, por sua posição ou conhecimento, atribuímos uma autoridade maior sobre o que diz. Professores, médicos, pesquisadores e analistas frequentemente ocupam esse lugar na sociedade.
E quanto maior a autoridade atribuída à nossa palavra, maior é nossa responsabilidade sobre aquilo que ensinamos, publicamos e ajudamos a legitimar.
Ciência não é obediência intelectual. Um artigo científico pode e deve ser questionado. Da mesma forma, formar psicanalistas não é formar pessoas para repetir Freud, Lacan ou seus professores. É formar pessoas capazes de pensar, questionar e sustentar uma postura ética.
Esta reflexão surgiu a partir de uma publicação do Caprinne, que chamou atenção para trabalhos acadêmicos envolvendo o uso da expressão MAP.
Quando mudamos os nomes, estamos apenas mudando as palavras ou também aquilo que aprendemos a considerar aceitável?