17/02/2025
A ciência já começa a mostrar algo que sempre suspeitei: empatia, compaixão e compreensão da dor do outro, são funções cognitivas mais complexas, e demandam um cérebro maior, com maior capacidade neuronal de sinapses.
Em outras palavras, ser preconceituoso e egoísta, é ser b***o.
(me ouçam: logo essas pesquisas serão questionadas e etiquetadas como "agenda progressista").
Isso tem feito eu perceber um espectro claro na humanidade, uma régua com dois extremos claros, e uma história cognitiva e existencial entre esses extremos. O que quero dizer é que parece que a sociedade é feita de basicamente dois tipos de pessoas: quem consegue ter empatia e se conecta ao outro, ou quem só vive em função das suas próprias necessidades.
Não ache aqui que tô falando de direita, esquerda, nada disso. Essa divisão está dentro de todas as partes da sociedade, desde o momento que os seres humanos começaram a conviver. Buda, por exemplo, nasceu imerso em privilégios, mas sua jornada se iniciou no momento que ele foge de seu paraíso de riqueza, e vê o sofrimento humano. Na verdade, a jornada de Buda aconteceu e se iniciou apenas por conta desse detalhe: ele tinha empatia, e ao ver o sofrimento e a dor de todos, foi inevitável questionar todo seu paraíso de riquezas.
(há quem lembre que no fim Buda teve empatia pela humanidade, mas abandonou sua mulher e filhos em sua jornada. Até o Avatar de Vishnu foi comprar cigarro e nunca mais voltou)
Existem pessoas que enxergam a realidade como um palco onde é cada um por si, e vale qualquer coisa pra que você se sobrepor na vida, mesmo passar por cima de outra pessoa. Essas pessoas vivem de inimigos, e se articulam elegendo inimigos em comum, através de uma justificativa que permeia até hoje todo tipo de filosofia espiritual: nós somos melhores que o resto, somos escolhidos, estamos do lado certo.
E com isso, pensam que o lado errado deve servir.
Algumas pessoas, que a seleção natural presenteou - ou amaldiçoou - com maiores conexões cerebrais, existe algum momento canônico da vida de pessoas assim, onde elas passarão por muito, muito sofrimento, dor, humilhação, rejeição, carência... falta.
E isso vai fazer ela entender que a vida é cheia de tudo isso, é injusta e parece arquitetada pra extrair de você tudo, e muitas vezes não entregando nada. E por conta do seu sofrimento, e dessa porcaria de empatia, quando você olha outra pessoa sofrer, ter falta, passar alguma necessidade, é inevitável: você também sofre junto, porque consegue saber, pela sua própria vivência de dor, o que ele está sentindo também.
Dizem que isso é evolução. Pra mim, parece um diabo de maldição.
Principalmente quando você entende que as primeiras pessoas estão, em sua maioria, no poder, na liderança, com dinheiro, poder e armas, e é isso a milênios. Sempre existiram seres com poder imensurável nas mãos, justificado por todo tipo de ideia. É Faraó, é César, é Rei, é sempre alguém melhor que você.
E que o resto, está aí espalhado na vida, no mundo, nos lugares mais diversos, vida após vida, século após século, milênio após milênio, dispersos pelos seus próprios dramas e questões, que são muitas. Mas muitos são aqueles que já questionaram, de dentro dos seus dramas, uma questão simples:
"Será que a gente não consegue conviver com as diferenças, e ficar bom pra todo mundo?"
Empatia cada vez mais é colocada como fraqueza. Como "choro", como desejo de querer que alguém "passe a mão na cabeça" das pessoas, e isso tem propósito. Se as virtudes humanas que determinam o maior poder da humanidade, e elas envolvem cooperar um com o outro, e isso gera força e consciência de inúmeras mazelas da realidade, então que essas virtudes sejam sempre associadas a fraqueza.
A cooperação sempre foi, e ainda é, o maior poder do ser-humano, e o que permitiu nossa espécie chegar até aqui, como topo da cadeia alimentar.
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