11/06/2024
Há um mês, exatamente, em 11 de maio, esta cátedra de estudos humanísticos ressentia-se do passamento de sua atuante e admirada professora e pesquisadora Romana Isabel Brázio Valente Pinho.
Nascida em Portugal, no concelho de Serpa, Alentejo – Gharb al-Andalus –, em 16 de março de 1976, graduou-se e pós-graduou-se em Filosofia, sob a maestria de Paulo Borges, pela Universidade de Lisboa. No Brasil, foi uma das responsáveis, junto com o estimado colega e amigo Márcio Danelon, pela área de Filosofia da Educação na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia (FE-UFU), onde lecionou por 11 anos, entre 2014 e 2024, tendo aí promovido, entre tantas outras importantes realizações, uma apurada e frutífera articulação luso-brasileira de ordem acadêmico-científico-cultural.
Autora de produção numerosa na forma de artigos em revistas científicas e capítulos em obras coletivas, seus livros encontram-se precursoramente entre os primeiros resultantes de trabalho abrangente e sistemático sobre o conjunto da obra de Agostinho da Silva: Religião e Metafísica no Pensar de Agostinho da Silva, originalmente sua dissertação de mestrado, e O essencial sobre Agostinho da Silva, reflexão propedêutica de síntese, foram ambos publicados em 2006, ano do centenário de nascimento do autor de que tratam, pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, quando esta se encontrava sob a sábia presidência do filósofo Antônio Braz Teixeira. Seu doutoramento, defendido em 2012, aprovado com todos os méritos e ainda inédito, versou sobre outro grande representante do pensamento filosófico e ensaístico português, com o título Antônio Sérgio e a ideia de Uno unificante: Idealismo, Metafísica e Gnosiologia.
Pesquisadora e autora destacada da UFU como do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, co-editora da prestigiada Revista Educação e Filosofia, Romana era também professora muito querida pelos seus alunos(as) de graduação, de pós e orientandos(as) de mestrado e doutorado, que assiduamente verbalizavam e, na forma de presentes, homenageavam a seriedade, o rigor, o empenho e a consistência notáveis e características das disciplinas que na Faculdade de Educação lecionava.
Para todos os que anseiam por uma primavera duradoura do mundo, é sempre vivência difícil testemunhar a partida precoce de rosa tão vistosa e perfumada. Mas ela ainda aí está, pairando por meio da luz que era própria ao colorido vibrante da sua cor, bem como da fragrância que era própria ao que arrebatava em seu perfume.
De muitos, muitas e tantos intensamente querida, bravíssimo Professora Doutora e Educadora (em Coragem, em Saber, em Superação, em Fé, numa palavra, no Belo que o Maravilhoso é), bravíssimo, bravíssimo, bravíssimo, Romana Isabel Brázio Valente Pinho!
A Cátedra Agostinho da Silva de Estudos Humanísticos da Universidade Federal de Uberlândia, elemento da rede internacional de docência e pesquisa do Instituto Camões em colaboração com a Universidade de Brasília, agradece-lhe profundamente o imenso, dedicado, extenso e diversificado trabalho feito. Manifestação perene da vida eterna que ora se desdobra na esteira deste seu caminhar terreno em amizade e amor trilhado.