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A cadeira ficou no corredor por tanto tempo que ninguém mais perguntava por que ela estava ali.No começo, havia uma expl...
13/08/2026

A cadeira ficou no corredor por tanto tempo que ninguém mais perguntava por que ela estava ali.

No começo, havia uma explicação.

Tinha sido retirada de um quarto durante uma mudança de móveis e deveria permanecer naquele lugar por apenas alguns dias.

Depois encontrariam outro espaço.

Os dias passaram.

Alguém começou a colocar uma mochila sobre ela.

Depois algumas correspondências.

De vez em quando servia para apoiar uma sacola enquanto a porta era aberta.

A cadeira havia encontrado pequenas utilidades suficientes para justif**ar sua permanência.

Mas continuava no caminho.

Para atravessar o corredor era preciso desviar um pouco o corpo.

Nada grave.

Um movimento tão pequeno que logo deixou de ser percebido.

Até que, certa manhã, resolveram tirá-la dali.

O corredor pareceu maior.

Não porque tivesse aumentado.

Mas porque todos haviam se acostumado a viver com uma parte dele indisponível.

Talvez aconteça algo parecido com algumas coisas que mantemos.

Um compromisso que já não faria tanta falta.

Uma preocupação repetida há tanto tempo que virou parte da rotina.

Um projeto que nunca termina, mas continua exigindo um pequeno espaço todos os dias.

Não incomodam o suficiente para provocar uma decisão.

Também não ajudam o suficiente para justif**ar claramente a permanência.

Então seguimos desviando.

Um pouco de tempo aqui.

Um pouco de energia ali.

Um pensamento antes de dormir.

Uma obrigação que atravessa conosco mais um mês.

Até que algum dia, por decisão ou circunstância, aquilo sai.

E descobrimos uma sensação estranha.

Não exatamente alívio.

Espaço.

O mesmo espaço que já existia antes, mas ao qual tínhamos parado de ter acesso.

Talvez saber soltar não seja ter coragem para abandonar aquilo que se tornou insuportável.

Essa parte costuma ser fácil.

Difícil é reconhecer o que ainda possui alguma utilidade, alguma história, alguma justif**ativa e, mesmo assim, perceber que já não merece continuar no meio do caminho.

Porque algumas prioridades novas não precisam de mais tempo.

Precisam apenas que a gente pare de desviar daquilo que já deveria ter saído do corredor.

O objeto já estava em casa.A caixa havia sido aberta, o plástico retirado e o manual guardado em alguma gaveta.Por algun...
31/07/2026

O objeto já estava em casa.

A caixa havia sido aberta, o plástico retirado e o manual guardado em alguma gaveta.

Por alguns dias, parecia que a compra estava concluída.

Até a primeira parcela aparecer.

Depois veio a segunda.

A novidade diminuía, mas o pagamento continuava igual.

Foi então que percebi que algumas escolhas chegam antes de suas consequências.

Recebemos o benefício no presente, enquanto espalhamos o custo pelos meses seguintes.

Isso não acontece apenas com dinheiro.

Há compromissos aceitos no entusiasmo.

Projetos iniciados sem espaço na rotina.

Promessas feitas para uma versão futura de nós mesmos, como se ela tivesse mais tempo, disciplina e energia.

No início, enxergamos apenas o que estamos levando.

Mais tarde, descobrimos o que precisaremos entregar.

Talvez maturidade seja aprender a olhar uma escolha completa.

Não apenas perguntar:

“Eu consigo começar?”

Mas também:

“Consigo continuar pagando por isso quando a novidade passar?”

Porque toda decisão compra alguma coisa.

E quase sempre vende um pedaço do futuro em troca.

Havia uma gaveta na cozinha que nunca abria direito.Não estava quebrada. Também não f**ava completamente presa. Apenas e...
26/07/2026

Havia uma gaveta na cozinha que nunca abria direito.

Não estava quebrada. Também não f**ava completamente presa. Apenas exigia um movimento estranho toda vez que alguém precisasse de um talher.

Era preciso puxar um pouco para cima, depois para o lado e só então abrir.

Quem conhecia o jeito fazia isso sem perceber. Quem não conhecia achava que a gaveta tinha algum defeito.

Durante muito tempo, ninguém fez nada.

Afinal, ela abria.

De um jeito ruim, mas abria.

Até que, numa tarde, resolvi tirar tudo de dentro para descobrir o problema.

Espalhei os talheres sobre a mesa, retirei a gaveta e examinei os trilhos.

Nada parecia quebrado.

Havia apenas um pequeno parafuso frouxo que fazia a madeira perder o alinhamento por alguns milímetros.

Apertei.

Coloquei a gaveta de volta.

Ela deslizou com tanta facilidade que a abri e fechei algumas vezes só para ter certeza.

O conserto levou menos de um minuto.

A adaptação ao defeito havia levado meses.

Enquanto guardava os talheres, fiquei pensando em quantas vezes fazemos a mesma coisa com a vida.

Aprendemos a medir palavras para evitar conflitos.

Criamos rotinas para contornar problemas que nunca enfrentamos.

Aceitamos pequenos desconfortos como se fossem parte da nossa personalidade.

Com o tempo, deixamos de perceber o esforço.

O desvio vira hábito.

E o hábito ganha aparência de normalidade.

Nem tudo tem solução simples.

Algumas situações realmente exigem mudanças profundas.

Mas outras continuam nos desgastando apenas porque nos acostumamos a fazer força no lugar errado.

Talvez valha a pena, de vez em quando, esvaziar a gaveta.

Não para jogar tudo fora.

Mas para descobrir se aquilo que hoje parece fazer parte da vida não é apenas um pequeno parafuso esperando um pouco de atenção.

Hoje resolvi preparar um café diferente.Daqueles em que a água não pode estar quente demais, a moagem precisa estar cert...
24/07/2026

Hoje resolvi preparar um café diferente.

Daqueles em que a água não pode estar quente demais, a moagem precisa estar certa e cada etapa parece importar mais do que a anterior.

Na ansiedade, fiz o que quase todo mundo faz quando quer terminar logo.

Acelerei.

Joguei a água de uma vez. O café ficou pronto mais rápido. E ficou ruim.

Na segunda tentativa, fiz exatamente o contrário.

Esperei a água chegar na temperatura certa.

Molhei o pó devagar.

Deixei o café “florescer”, como dizem os baristas.

Só depois continuei.

O curioso é que o tempo entre uma tentativa e outra não foi tão diferente assim.

Talvez um minuto.

Mas aquele minuto mudou completamente o resultado.

Enquanto tomava a segunda xícara, fiquei pensando que a vida também tem seus momentos de infusão.

Conversas que precisam de silêncio antes da resposta.

Projetos que pedem mais observação do que ação.

Pessoas que só revelam quem são quando a gente para de tentar entendê-las rápido demais.

Existe uma pressa que faz sentido.

É a de quem corre para socorrer alguém, para não perder um voo, para chegar a tempo de um abraço.

Mas existe outra, muito mais comum, que só serve para encurtar experiências.

Ela nos faz terminar um livro sem lembrar da história.

Fazer uma viagem sem conhecer o lugar.

Ouvir alguém sem realmente escutar.

Talvez seja por isso que algumas das melhores coisas da vida tenham inventado um jeito elegante de nos educar.

O pão precisa crescer.

O vinho precisa descansar.

O café precisa do tempo da água.

Nenhum deles aceita negociar com a ansiedade.

E talvez nós também não devêssemos aceitar tanto.

Nem tudo melhora porque acontece mais rápido.

Algumas coisas só mostram o que têm de melhor quando encontram alguém disposto a esperar o tempo delas.

Há pessoas que têm medo de casas vazias.Não porque falte alguém dentro delas, mas porque, quando os ruídos desaparecem, ...
12/07/2026

Há pessoas que têm medo de casas vazias.

Não porque falte alguém dentro delas, mas porque, quando os ruídos desaparecem, certas perguntas começam a caminhar pelos corredores.

É por isso que mantemos tantas coisas ligadas.

A televisão enquanto comemos.

A música enquanto dirigimos.

O telefone ao lado da cama.

As conversas que não dizem nada, mas impedem que alguma coisa mais profunda seja dita.

O silêncio ganhou uma reputação injusta.

Confundimos silêncio com ausência.

Como se tudo o que não produz som também não produzisse vida.

Só que algumas das coisas mais importantes que nos aconteceram chegaram sem fazer barulho.

Uma certeza.

Um desconforto.

A percepção de que já não cabíamos num lugar que, por muito tempo, chamamos de nosso.

A saudade que apareceu antes mesmo da despedida.

A coragem que veio sem discurso, apenas nos fazendo levantar e seguir.

O silêncio não nos entrega respostas prontas.

Ele apenas retira, por alguns instantes, as vozes que estavam respondendo em nosso lugar.

Talvez seja isso que assuste.

Porque existe uma diferença entre não saber o que queremos e nunca ter conseguido nos ouvir.

A rotina pode ser uma excelente esconderijo.

Ela nos oferece horários, compromissos, tarefas e pequenas urgências suficientes para atravessar os dias sem fazer perguntas maiores.

E há algum conforto nisso.

Enquanto estamos ocupados, parece que estamos avançando.

Mesmo quando apenas estamos evitando parar.

Mas a vida possui uma paciência que nós não temos.

Aquilo que não escutamos hoje costuma encontrar outra maneira de voltar.

Às vezes como irritação.

Às vezes como cansaço.

Às vezes como a estranha sensação de ter conquistado exatamente o que desejávamos e, ainda assim, não saber o que fazer com aquilo.

Talvez nem todo vazio precise ser preenchido.

Talvez alguns existam para que finalmente possamos enxergar o espaço.

O espaço entre o que fazemos e aquilo que realmente importa.

Entre quem fomos por necessidade e quem estamos tentando nos tornar.

Entre as palavras que repetimos e as verdades que ainda não conseguimos dizer.

É hoje!! Nosso primeiro Reta Final 100% focado no edital e na jurisprudência! Não deixe que os julgados te tirem pontos ...
07/07/2026

É hoje!! Nosso primeiro Reta Final 100% focado no edital e na jurisprudência!

Não deixe que os julgados te tirem pontos preciosos na prova! Estude com a jD 💚

Hoje vou mostrar como vão funcionar os nossos retas finais! E vem mais por aí..

Já estamos preparando:
- AGU
- RFB
- TCU
- Carreira Policial

E muito mais!

Quer um reta final específico pra sua prova ou área? Comente aqui 👇

Há um momento curioso em toda caminhada, que não é quando o caminho f**a mais difícil, nem quando ele finalmente termina...
05/07/2026

Há um momento curioso em toda caminhada, que não é quando o caminho f**a mais difícil, nem quando ele finalmente termina.

É quando, de repente, a gente percebe que já não sabe por que começou.

Curiosamente, esse momento quase nunca faz barulho. Ele chega devagar, escondido entre os dias que parecem iguais.

Entre as tarefas cumpridas, os compromissos assumidos e a sensação de que estamos sempre ocupados demais para parar.

Continuamos andando, porque sempre andamos.

Só que.. em algum lugar pelo percurso, deixamos de conversar com a razão que nos colocou em movimento.

Talvez seja por isso que algumas pessoas se sintam tão cansadas mesmo depois de descansar.

O corpo recupera as forças.

A agenda ganha espaço.

As horas passam.

Mas existe um tipo de desgaste que não mora nos músculos.

Mora no signif**ado.

É como carregar uma mala durante tanto tempo que ela deixa de parecer pesada.

Não porque ficou mais leve, mas porque nos acostumamos ao peso.

E há um risco silencioso em se acostumar.

Quando o extraordinário vira rotina, a gente deixa de olhar.

Quando o peso vira costume, a gente deixa de questionar.

E quando deixa de questionar, começa a acreditar que viver é apenas continuar.

Talvez não seja.

Talvez viver também seja ter coragem de, vez ou outra, colocar a mala no chão.

Não para desistir da viagem, mas para lembrar o que vale a pena levar.

Porque existem caminhos que pedem mais passos.

E existem caminhos que pedem menos bagagem.

A sabedoria, talvez, esteja em reconhecer a diferença.

Primeiros 15k e logo num Trail Run! Foi massa demais!!!  ✅Voltar a correr já foi um grande desafio! Obrigado a quem apoi...
08/05/2026

Primeiros 15k e logo num Trail Run! Foi massa demais!!!



Voltar a correr já foi um grande desafio! Obrigado a quem apoiou e teve junto 💪🏻

O objetivo agora é uma meia maratona até o final do ano 🏃‍♂️

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Ubatuba, SP

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