13/07/2024
O que me oferece Nietzsche para o gosto amargo da culpa?
Em uma sequência assombrosa de sonhos no filme de Ingmar Bergman, Morangos Silvestres, um velho professor é acusado perante um tribunal de justiça. Quando pergunta pela acusação, o juiz responde: "Você é culpado da culpa". "Isso é série?", Pergunta o professor. "Muito sério", responde o juiz. Mas é tudo que se diz em matéria de culpa. No universo em que Deus está morto, as pessoas não são culpadas de violar e lei moral; são apenas culpadas de culpa; e isso é muito sério, pois nada e pode fazer a respeito. Se alguém tivesse pecado, poderia haver expiação. Se alguém tivesse infringido a lei, o legislador poderia perdoar o criminoso. Mas se alguém é apenas culpado da culpa, não há como resolver esse problemas bastante pessoal. Essa é a situação do niilista, pois ninguém pode evitar agir como se existissem valores morais e como se houvesse um tribunal de justiça para avaliar a culpa por padrões objetivos. Como não existe tribunal de justiça, somos deixados não no pecado, mas na culpa. De fato, algo muito sério. Universo ao lado pg. 123
E ai, t**a?