03/09/2026
Muito antes de ser mentora eu já orientava nas Universidades que atuei pelo Brasil afora
Desde mestranda, perdi a conta de quantos trabalhos o orientador considerava perdido e colocou sob minha responsabilidade. Não desisti de nenhum e muitos viraram artigos publicados.
Hoje, um sorriso me escapa quando recebo de um orientando aquele texto com cara de cansaço, sabe? Não da exaustão sem ver luz no caminho, mas da dedicação de quem se debruçou e deixou o melhor que podia naquele documento.
Há anos percebo com clareza essas características: algumas ideias repetitivas, palavras com erro de digitação, algumas coerências que fazem muito sentido na cabeça de quem escreveu, mas que não está de forma alguma concreta no papel.
E veja bem: o melhor que um orientando pode, na primeira versão não costuma ser um texto irretocável! Ou seja, sabendo exatamente até onde ele conseguiu ir, eu posso conduzir a melhoria que cabe naquele documento, naquele prazo, naquela vida…
Corrigir uma escrita assim é quase um detalhe com o direcionamento certo, o conhecimento já foi adquirido, as ideias e construções estão prontas para serem defendidas, o documento precisa apenas representar um processo que já ocorreu.
É por isso que eu ensino a escrita “com as próprias mãos” e, talvez por sorte, talvez por consequência, os alunos que me escolhem - dentro e fora da Universidade - chegam sem medo do trabalho duro, com os olhos brilhando pela possibilidade de fazer um bom trabalho.
Se não for assim, pode até ser um bom estudante em sala de aula, ou, caso não seja meu aluno, pode estar disposto a investir 6, 10 mil reais nas mentorias, eu recuso como já fiz outras tantas vezes e durmo extremamente em paz com isso.
Por aí, quanto vale a tua tranquilidade?