03/06/2020
.cezar with
・・・
Mais um tema polêmico: é muito comum pensarmos que transtornos alimentares tem uma relação importante com status socioeconômico.
A relação quase óbvia de se pensar é pessoas mais ricas tem uma chance maior de ter questões problemáticas ligadas ao corpo e à comida. Mas não é bem assim que a banda toca.
Tem estudos (pouquíssimos) que falam sobre isso, e os que existem, em sua maioria, trazem que *não há* uma associação entre status socioeconômico e sintomas ligados a transtornos alimentares.
Vamos para minha prática: atendi 7 anos no SUS diretamente pessoas em situação de vulnerabilidades social extremamente elevadas. São Paulo, em especial sua periferia, tem um percentual importante de pessoas que vêm de outros estados “tentar uma vida melhor” aqui (relato de muitas pessoas que atendi), assim também tive contato com várias pessoas migrantes de outros estados.
Vi diversas pessoas com situações socioeconômicas extremamente complexas e com transtornos alimentares: compulsão por pacotes de bolacha de água e sal “quebrada” com leite; purgações que fazia a pessoa se sentir culpada por se a única coisa que ela tinha para comer e ainda “jogava fora”; não comer porque não podia comprar os produtos fitness; ter compulsão com a comida que seria para almoço e jantar e depois não ter o que comer de noite; etc.
Acho importante falarmos sobre isso porque se elegemos essa doença como algo apenas das elites, faz com que pessoas em situação de vulnerabilidade social não suspeitem que tem o problema, logo não procurem ajuda sobre (o acesso já é difícil, imagina se eu penso “como eu, pobre, posso ter aquela doença de rico?Não é possível!”). Eu adoraria que fosse diferente, mas infelizmente esse tipo de doença pode afetar todas as camadas sociais. Divulgar essa informação pode ajudar a mais pessoas a se conscientizarem sobre essa doença e a procurar ajuda.
Ah (1): hoje é dia internacional de conscientização sobre transtornos alimentares.
Ah (2): essa arte é do incrível artista preto Alim Smith