04/12/2025
DO SAGRADO AO LIXO: QUEM FEZ ISSO?
Será que muitos terreiros já não são mais casas de religião, mas pontos de encontro, lazer e prazer?
Imagine a tristeza de alguém que, na velhice, vê seus filhos e netos brigando e destruindo tudo aquilo que levou décadas para ser erguido.
Cada centímetro da casa foi uma noite de sonhos. Cada metro construído, meses de suor.
As paredes não guardam apenas bens, guardam memórias, histórias, sangue, sacrifício e devoção.
E é exatamente isso que muitos têm feito hoje com os terreiros.
Séculos de escravidão, tortura, dor, fome e humilhação.
Perseguição que nunca cessou, só se disfarçou.
E, ainda assim, nossos mais velhos não hesitaram em dar a própria vida pela fé, pela ciência, pela ancestralidade.
Hoje, no entanto, o que vemos?
Redes sociais como altar.
iPhones como firmeza.
Disputa de roupas, festas e vaidade.
Entidades em salto alto, maquiadas como personagens.
Uso excessivo de álcool, cigarro e entorpecentes dentro do sagrado.
Pais e filhos se agredindo depois das festas.
Exposição de intimidades.
Depravação travestida de “evolução”.
Estupro e assédio escondidos sob o discurso de “desconstrução da moral cristã”.
Tudo vira desculpa pra transformar a casa do Caboclo, do Orixá, do Compadre, num prostíbulo a céu aberto, numa mesa de bar qualquer, num baile de transformistas.
Dói dizer, mas é isso que está acontecendo.
Hoje, fé, integridade e até o dinheiro das pessoas parecem não fazer diferença.
Se você tenta manter tradição e simplicidade, vira “antiquado”, “moralista”, “pobre”.
Não que o passado fosse perfeito, mas o desequilíbrio mental, os vícios e a luxúria estão corroendo as casas de axé como um câncer terminal.
Mas f**a a grande pergunta.
Pais de quê?
Mães de quê?
Filhos de quem?
Da internet? Das “rodas de entidade” de palco, onde qualquer espírito “chega” e ninguém precisa provar nada?
Pseudo sacerdotes que não entendem o mínimo de magia ancestral, que não resolvem nem a própria vida, mas se arrogam o direito de “desenvolver” os outros e pior: de ASSENTAR mortos e Deuses.
Uma coisa me consola: poucos, mas existem.
Existem pessoas decentes, alinhadas, silenciosas, que longe dos holofotes ainda fazem a verdadeira macumba acontecer.
Por isso, não deixem nossas tradições morrerem.
Não se entreguem ao cansaço.
Enfrentem — com firmeza e coragem — quem deturpa e destrói nossa fé e nossos Deuses.
~ Pai Soleyl de Jarina
FAMÍLIA DO CABOCLO
Terça-Feira 02 de dezembro de 2025
Conselho de Orientação Espiritual
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