07/09/2025
O BRASIL A CAMINHO DA INDEPENDÊNCIA: uma construção com muitos estágios
Prof. André Vanderlei da Silva*
Desde pequenos, todos nós aprendemos que a independência do Brasil foi em 7
de setembro de 1822 e que foi proclamada por D.Pedro I ás margens do Ipiranga. O que
pouca gente sabe é que, na verdade, a independência brasileira foi resultado de um
longo processo e não deste simples ato; e que a data, que se convencionou usar para
lembrar o evento, foi escolhida posteriormente, para marcar as comemorações. Na
prática, o Brasil já se tornou sede de Estado Nacional em 1808, quando o Rio de Janeiro
recebeu a Corte portuguesa e foi transformado numa “cidade europeia”, ganhando o
título de capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
O referido acontecimento, ainda hoje provoca divergências de interpretações.
D.João ao desposar Carlota Joaquina, certamente tinha intenções sobre o trono de
Espanha e a possível integração das coroas ibéricas. Ocorreu que, o avanço das tropas
napoleônicas sobre as terras espanholas obrigaram D.Carlos IV a abdicar do trono de
Espanha. Esse ato era definitivo e dissolvia a dinastia de um reino. A chegada as terras
portuguesas seria uma questão de tempo. Neste contexto a “fuga” da Corte portuguesa
para o Rio de Janeiro foi providencial. D.João ouviu o conselho e contou com o apoio
dos ingleses nesta empreitada.
No entanto, segundo alguns autores, certamente D.João tinha uma visão um
pouco mais ampla. Estando o reino de Espanha sob domínio napoleônico na Europa,
ficariam todas as suas possessões na América sem administração, direito tal, que
poderia ser reclamado para Carlota Joaquina, irmã de D.Carlos de Espanha e esposa de
D.João, que estaria em terras americanas. Vislumbrava-se aí, a possibilidade de
composição de um grande Império no Continente americano. “Infelizmente”, a grande
onda liberalista de independências na América espanhola, impediu as intenções de
D.João.
A chegada da Corte ao Brasil o elevou a sede do Reino Unido e passou a ser
necessário dar a antiga colônia uma real condição de Estado. D.João autorizou a
instalação de indústrias e a abertura dos portos, promoveu a construção de estradas e o
crescimento da produção e exportação agrícola. Também houve crescimento no campo
cultural e das comunicações, inexistentes até então. A cidade do Rio de Janeiro, como
capital e sede da realeza, teve um considerável investimento em infra-estrutura. Em
contrapartida, porém, a situação das camadas mais pobres estava longe de todo este
progresso.
Depois de experimentar a condição de “metrópole”, não cabia mais a sociedade
brasileira o retorno a “colônia”. Isso não seria mais absorvido, de uma forma ou de
outra, nem por modernistas ou por conservadores. Quando houve o retorno da Corte a
Lisboa em 1821, a Coroa Portuguesa ensaiou ações para reduzir a autonomia política do
Brasil, inclusive exigindo o retorno do príncipe regente. O processo de rompimento
definitivo dos laços com Portugal se tornou praticamente irreversível com a decisão de
D. Pedro em ficar no Brasil e buscar reunir forças políticas entre todas as províncias
para garantir sua decisão.
Mas foi a atitude corajosa de uma mulher, a então princesa Leopoldina, a 2 de
setembro de 1822, que realmente proclamou a Independência do Brasil. Enquanto
D.Pedro estava em viagem a São Paulo, Leopoldina presidiu o Conselho de Estado no
Rio de Janeiro e assinou a recomendação para a separação política entre Brasil e
Portugal. Cinco dias depois a mensagem chegou a D.Pedro I, que chancelou a decisão
em um ato público, tão famoso, às margens do Riacho Ipiranga. Foi o surgimento oficial
do Império do Brasil.
*historiador e museólogo
REFERÊNCIAS:
-VILLALTA, Luiz Carlos. 1789-1808: O império luso-brasileiro e os Brasis.
São Paulo: Cia das Letras, 2000.
-MONTEIRO, Hamílton de Mattos. Da Independência à Vitória da Ordem.
IN: LINHARES, Maria Yedda (org.). História Geral do Brasil. Rio de Janeiro:
Elsevier, 1990.