31/01/2025
ASSOMBRAÇÃO DESSE MUNDO
Quem de nós, ao navegar pelas redes sociais, não se deixa capturar por histórias de assombração? Confesso que sempre fui receoso com esse tipo de narrativa. Evito filmes de terror, com suas cenas explícitas de violência e sangue. Prefiro os relatos populares de assombração, aqueles que brincam com nossa mente através de um suspense mais sutil, mais psicológico.
Hoje à tarde, uma professora me contou uma história que me arrepiou os cabelos da nuca. Era sobre seu pai, um homem conhecido por sua bravura, que costumava fazer um trajeto entre duas localidades próximas à sua casa. O caminho mais curto era linear, direto, mas ele preferia as trilhas que serpenteavam pela natureza, apreciando a paisagem com passos despreocupados.
Certo dia, um amigo o advertiu sobre aquele caminho. Diziam que ali aparecia uma assombração tão aterradora que fazia os mais corajosos mudarem de rota. O pai da professora, porém, apenas riu. Com a confiança típica dos homens daquela época, apontou para a arma em sua cintura e declarou que ninguém seria louco o suficiente para tentar assustá-lo.
Naquela tarde específica, ele partiu como sempre. O sol já começava sua descida no horizonte, pintando o céu com tons alaranjados que aos poucos cediam lugar a um manto azul-escuro. O ar tornava-se cada vez mais gélido, e a sinfonia dos animais noturnos começava sua apresentação sinistra.
Foi quando, em meio à sua caminhada, um som perturbador cortou o ar. Inicialmente, era apenas um sussurro distante, quase imperceptível. Mas foi crescendo, crescendo, até se transformar num uivo fantasmagórico: "Uuuuuuuuhuuuuhu..."
"Se alguém pensa que pode me amedrontar, está muito enganado!", bradou ele, sua voz ecoando entre as árvores. "Se não parar, vou mandar bala!"
O uivo, no entanto, apenas intensificou-se, reverberando pela mata escura. Sem hesitar, ele sacou sua arma. BANG! BANG! Os tiros rasgaram o silêncio da noite, e foi então que ela apareceu.
Diante dele, uma visão que gelou seu sangue: na parte inferior, algo como pernas e pés negros se firmavam no solo, e acima, uma massa branca e espectral se erguia, movendo-se de forma sobrenatural. Seu coração disparou, suas mãos tremeram, mas ainda assim, conseguiu disparar mais dois tiros: BANG! BANG!
Foi quando, tomado por um último resquício de coragem, ele se aproximou. E ali, sob a luz prateada da lua, a verdade se revelou: um tronco carbonizado servia de poleiro para uma majestosa coruja branca, rara naquela região, que agora abria suas asas em um último voo assustado.
O alívio veio junto com uma risada nervosa. "Assombração?", murmurou para si mesmo, guardando a arma. "Que bobagem!"
Mas até hoje, quando conta essa história, um arrepio sutil ainda percorre sua espinha ao lembrar daquela noite, quando por um momento, até mesmo o mais bravo dos homens duvidou de suas certezas.