03/06/2020
NOTA PÚBLICA DE REPÚDIO DAS SIMULAÇÕES DIPLOMÁTICAS ANTIFASCISTAS AOS ATAQUES CONTRA A DEMOCRACIA
Em decorrência de acontecimentos que vão desde o genocídio de grupos étnicos-raciais até manifestações de cunho fascista, faz-se necessário tomar uma posição, mesmo quando é impraticável sair de casa. Apesar de dificultar a realização dos eventos diplomáticos, a pandemia não nos impede de nos mobilizar contra o obscurantismo que vem assolando nosso país. Em um momento em que liberdade de expressão e legitimidade para espalhar desinformação se confundem, a atitude de se expressar enquanto ainda podemos é poderosa.
Um modelo diplomático, em sua essência, é um espaço para que correntes de opiniões divergentes sejam debatidas pacif**amente sobre um determinado assunto, chegando a uma solução que seja benéf**a para todos. Isso é exercitar diplomacia, e a condição para o pleno exercício desta atividade é a existência de uma democracia saudável. Sob essa ótica, o fascismo, que nega a ciência e invalida as vozes discordantes, é a exata antítese do que um modelo representa e luta para conquistar.
Essa luta não é inédita: a democracia vive constantemente na corda bamba, equilibrada pelas instituições e mecanismos de pesos e contrapesos que zelam por ela. Os ataques às instituições reguladoras e o descrédito à Constituição põem em risco direitos básicos que somente através de muita luta foram conquistados. Nunca podemos nos esquecer da juventude da nossa democracia e da força que o movimento estudantil sempre teve ao defendê-la.
Para além disso, compreendemos que, hoje, a democracia falha em abarcar e defender a totalidade das reivindicações das minorias sociais, vide os constantes e mais recentes ataques, principalmente direcionados à comunidade negra, que temos acompanhado – isso, entretanto, não nos impede de defender a democracia avidamente e de buscar sua efetiva concretização. Carregamos conosco dentro e fora das salas de simulações os ideais de pluralidade e inclusão e não poderíamos deixar de nos manifestar quando esses conceitos são violados. É com o objetivo de alcançar jovens das mais diversas classes, origens, etnias e raças que os modelos diplomáticos públicos e inclusivos existem, e não vamos nos calar diante do evidente uso do aparelho estatal para matar João Pedro, Ágatha, George Floyd, Marielle e tantos outros.
Essas expressões e práticas de ameaça ao estado de direito não coadunam com os valores de um modelo que carrega diplomacia em seu nome. A diplomacia, para nós, vai muito além da simulação dos órgãos internacionais e nacionais propriamente dita; é um dever cívico, de tolerância às diferenças e um exercício de pensamento crítico diário – isso, sim, é o legado da simulação diplomática. Parafraseando Angela Davis: “Numa sociedade ra***ta, não basta não ser ra***ta. É necessário ser antirra***ta” – e antifascista também.
Rio de Janeiro – RJ, 1 de junho de 2020
Assinam esta nota:
Colégio Estadual André Maurois na Alta Política (CEAMAP)
Fundação Osório Model United Nations (FOMUN)
Modelo de Integração (MODIN)
Modelo Diplomático de Duque de Caxias (MODUC)
Modelo Diplomático de Realengo (MDR)
Modelo Diplomático do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (MODOW)
Modelo Diplomático do Colégio Técnico da Universidade Rural (MOCTUR)
Modelo Intercolegial do Humaitá (MIH)
Modelo Interno de Diplomacia do Colégio Pedro II (MIDCPII)
Semana Intercolegial de Diplomacia (SEMID)
Simulação de Conferências de Organizações Nacionais e Internacionais do Instituto Federal de Nilópolis (SICONIIF)
Simulação Diplomática Intercolegial de Niterói (SIDIN)
Universidade Federal do Rio de Janeiro Model United Nations (UFRJMUN)
: Na imagem, a bandeira antifascista no centro em preto e branco, com os dizeres "Nota pública de repúdio. Simulações diplomáticas antifascistas. É na luta que a gente se encontra". Ao redor da bandeira e dizeres, estão os logos de cada modelo diplomático que assinou a nota, em suas cores originais. No fundo, a bandeira antifascista cinza e atenuada.