14/11/2025
Poetize-se! ✨
O PET Dimensões da Linguagem apresenta mais uma edição do projeto que celebra a potência sensível e reflexiva da poesia. Desta vez, mergulhamos na simplicidade profunda de Fernando Pessoa, que nos lembra que a natureza segue seu curso mesmo diante da nossa ausência. Um poema que nos convida a aceitação, a encontrar a serenidade no fluxo e a perceber a beleza naquilo que continua, ainda que nós já não façamos parte.
📖 “Quando vier a primavera” (Fernando Pessoa)
“Quando vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.”
Interpretação:
Edição e arte:
Revisão: .orlando.73 e