29/10/2025
Por mais que às vezes possa parecer, não somos imutáveis, fixos ou constantes. A única constância é a mudança, a transformação, a fluidez. Estamos em permanente estado de impermanência, num fluxo que, mesmo sutil ou mínimo, nos move em direção a novas formas de ser, fazendo-nos e refazendo-nos incessantemente.
Monja Coen nos lembra que nosso chamado “eu verdadeiro” é multifacetado. Ao olharmos com atenção para dentro de nós, em busca desse “eu”, percebemos que somos um flexível e abundante amontoado de “nós”.
Feitos a partir de e em relação, muitas vezes esquecemos o quanto somos plurais. Com o tempo, vamos nos modificando, não apenas por vontade ou controle, mas porque, como esponjas que absorvem e filtram, abrimos espaço e nos deixamos atravessar por outros “eus”. Esse processo pode causar estranhamento, mas também nos aproxima de nós mesmos, aprofundando a relação com o mundo e com o outro. Cada encontro nos constitui, e estamos sempre dançando entre aproximação e distância, identificação e diferença.
O Sistema Metanoia, metodologia desenvolvida pelo Núcleo de Artes Cênicas (NAC), propõe que esse movimento natural se torne consciente. Enquanto artistas, especialmente atores e atrizes, precisamos estar porosos, disponíveis às trocas e aos atravessamentos que nos transformam. É a partir dessa abertura que podemos acessar aspectos desconhecidos de nós mesmos e permitir que, em cena, uma personagem emerja como uma de nossas muitas facetas, e não como algo externo ou alheio a quem somos.