Em 2021 o NAC realizou uma série de lives com bate-papos com diversos agentes do setor cultural. Com a temática “O SER (ou não SER) contemporâneo”, Hercules e Lee receberam atores, atrizes, pensadores, diretores e outros para refletir diversos aspectos do fazer teatral e da vivência humana de cada um.
Nesse corte, o encontro foi com Bia Lessa, diretora teatral que compartilhou suas ideias sobre diversos temas.
“...Quando você se torna um indivíduo, de alguma forma você já é um pouco artista. Entendendo artista não como essa história do glamour, mas como aquela pessoa que se arrisca para dialogar com o outro…”
NAC - Núcleo de Artes Cênicas
Núcleo de Artes Cênicas (NAC)
Coordenação: Lee Taylor
http://nac.com.br
Enquanto seres humanos, somos capazes de produzir e replicar o material, aquilo que é fisicamente palpável, fruto de esquemas, instruções e orientações objetivas. Entretanto, existem dimensões da experiência humana que permanecem inalcançáveis pela técnica e pela razão. Nenhuma máquina, ciência ou avanço material é capaz de reproduzir o mistério, aquilo que é, muitas vezes, indizível e intangível.
É nesse território numinoso, entre o conhecido e o indizível, que nascem as grandes obras de arte: manifestações de algo que ultrapassa o indivíduo e conecta o humano ao essencial. Quando esse espaço é profanado, reduzido à lógica do mercado, do ego ou da disputa, algo em nós também se corrompe.
Na visão do artista e pensador Wole Soyinka, há algo de sagrado nesse processo de transição, e toda tentativa de profaná-lo com fins egoístas ou lucrativos representa uma perda simbólica da própria humanidade.
No NAC, o Sistema Metanoia reconhece essa passagem, do eu para o todo, como o cerne da criação artística: uma ampliação da consciência, um ponto de virada no qual passamos a enxergar a nós mesmos e o processo criativo sob novas lentes. Cada percurso é uma travessia entre zonas de existência, em que o(a) ator/atriz se desloca, se desnuda e se transforma.
É nesse intervalo, entre o visível e o invisível, entre o eu e o outro, que a arte acontece, revelando o que nenhuma máquina jamais poderá criar.
10/11/2025
O essencial é ver, e ver exige desaprender. Como escreveu Alberto Caeiro, uma das vozes de Fernando Pessoa, é preciso despir-se dos condicionamentos, tirar o véu que recobre os sentidos e reaprender a olhar o mundo.
O Sistema Metanoia, que orienta o fazer artístico do NAC, nasce desse princípio: compreender o desaprender como prática artística e ética, como modo de renovar a percepção e reabrir o corpo à experiência.
As práticas do Sistema Metanoia configuram um campo de deslocamento. Cada processo de criação é atravessado pela tensão entre o saber e o desconhecido, pela escuta que dissolve o automatismo e convoca a revelação. O artista é conduzido à crise, em sua potência de transformação, uma zona de “desembrulhamento” em que pensamento e corpo se reconfiguram.
O Sistema Metanoia é um espaço de trânsito. A arte é tomada como exercício de consciência expandida, um meio de restituir ao teatro sua dimensão primordial de encontro profundo.
06/11/2025
No de hoje, trazemos o olhar singular de .ator para o espetáculo DOC.(des)prezados (2014), concebido e dirigido por .
Este foi o primeiro espetáculo da série “Antologia Documental” do NAC. A pesquisa documental realizada pelo elenco entrevistou pessoas marginalizadas e depreciadas pela sociedade.
Quem ai assistiu o DOC. (des)prezados?
Enquanto humanidade, muitas vezes nos perdemos em problemas egocêntricos. O individualismo nos desassocia uns dos outros e nos lança no mundo como se estivéssemos isolados ou competindo constantemente, ao invés de reconhecermos que somos pequenas partes de uma mesma engrenagem, integrados à natureza e à vida.
Viviane Mosé nos convida a olhar para a existência tal como ela é: efêmera, instável e repleta de incertezas. Nada é fixo, previsível ou completamente certo. Ignorar isso é arriscar gastar nosso tempo com o que ela chama de “questões pequenas, mesquinhas”, esquecendo das grandes perguntas que atravessam a história da humanidade: quem somos, de onde viemos, por que estamos aqui.
No NAC, por meio do Sistema Metanoia, essas grandes questões são nosso motor durante os processos artístico-pedagógicos. Elas nos lançam ao cerne do que significa estar vivo, da experiência de ser humano, e nos conectam com nossa verdadeira natureza, individual e coletiva ao mesmo tempo. É só nesse encontro profundo que podemos criar uma arte visceral, genuína e totalmente entregue.
03/11/2025
Essa percepção de Tolstói orienta a prática cotidiana no NAC, pois o corpo é compreendido como um campo vivo onde o mundo se inscreve, atravessado por forças que ultrapassam o indivíduo.
No Sistema Metanoia, essa visão ganha dimensão metodológica ao reconhecer que compreender o/a artista como microcosmo é entender que toda criação cênica é também uma investigação sobre o mundo. Assim, a atuação torna-se um exercício de consciência e de autoconhecimento, em que a noção de personagem se expande e se desloca para um campo mais amplo de presença e produção de sentidos.
Na investigação cênica, dentro e fora se entrelaçam. Mergulhar no humano é mergulhar no cosmos, pois o infinito também habita o corpo.
30/10/2025
No de hoje revisitamos algumas imagens do espetáculo “LILITH S.A.” (2014), dramaturgismo de , dirigido por e .luizclaudio.
LILITH S.A. é uma multinacional de combustíveis fósseis à beira da falência, que comemora seus 100 anos. Sob a influência da lua, os funcionários festejam e revelam os seus desejos mais secretos.
A obra estabelece um diálogo com a tragédia de Hamlet, além de outras obras shakespearianas, e foi concebida a partir do mito de Lilith, a primeira mulher de Adão, anterior a Eva. Uma reflexão poética sobre a não submissão, à opressão e os preconceitos.
Fotos: Lee Taylor
Por mais que às vezes possa parecer, não somos imutáveis, fixos ou constantes. A única constância é a mudança, a transformação, a fluidez. Estamos em permanente estado de impermanência, num fluxo que, mesmo sutil ou mínimo, nos move em direção a novas formas de ser, fazendo-nos e refazendo-nos incessantemente.
Monja Coen nos lembra que nosso chamado “eu verdadeiro” é multifacetado. Ao olharmos com atenção para dentro de nós, em busca desse “eu”, percebemos que somos um flexível e abundante amontoado de “nós”.
Feitos a partir de e em relação, muitas vezes esquecemos o quanto somos plurais. Com o tempo, vamos nos modificando, não apenas por vontade ou controle, mas porque, como esponjas que absorvem e filtram, abrimos espaço e nos deixamos atravessar por outros “eus”. Esse processo pode causar estranhamento, mas também nos aproxima de nós mesmos, aprofundando a relação com o mundo e com o outro. Cada encontro nos constitui, e estamos sempre dançando entre aproximação e distância, identificação e diferença.
O Sistema Metanoia, metodologia desenvolvida pelo Núcleo de Artes Cênicas (NAC), propõe que esse movimento natural se torne consciente. Enquanto artistas, especialmente atores e atrizes, precisamos estar porosos, disponíveis às trocas e aos atravessamentos que nos transformam. É a partir dessa abertura que podemos acessar aspectos desconhecidos de nós mesmos e permitir que, em cena, uma personagem emerja como uma de nossas muitas facetas, e não como algo externo ou alheio a quem somos.
27/10/2025
O Sistema Metanoia, metodologia desenvolvida pelo Núcleo de Artes Cênicas (NAC), leva esse nome porque oferece as condições que permitem ao artista alcançar o ponto de virada, o instante de consciência pessoal e artística que, uma vez vivido, não permite retorno.
Ao acessar, ainda que por um vislumbre, uma presença verdadeiramente porosa e viva, o/a ator/atriz se deparam com algo que desorganiza seus modos habituais de ser e fazer. Desse modo, revelam-se os condicionamentos nos quais se apoiava até então: estereótipos, formas conhecidas, automatismos, repetições.
A Metanoia é precisamente o momento em que esse condicionamento se torna consciente e se desconstrói. O corpo, antes domesticado pela vontade de “fazer certo”, começa a escutar-se. A atuação deixa de ser mera construção formal e passa a ser acontecimento.
Nesse estado, a presença se manifesta como campo de forças, vibração entre o que é consciente e o que ainda se desconhece. O ponto sem retorno de Kafka encontra aqui o seu sentido: a consciência se expande e o artista percebe que sua tarefa não é controlar o acontecimento, mas sustentar as condições em que ele pode emergir.
Em 2021 o NAC realizou uma série de bate-papos online com a temática “O SER (ou não SER) contemporâneo”, e receberam atores, atrizes, diretores e pensadores para refletir diversos aspectos do fazer teatral e da vivência humana.
Um dos encontros foi com , atriz e diretora teatral que compartilhou suas ideias sobre diversos temas.
“E o que que é retirado da gente, da quebrada? Da periferia? O tempo. O Tempo de produção. Porque a gente só precisa disso pra produzir. Quando existe qualquer tipo de possibilidade, de tempo, de ócio, a gente produz. Música, samba, slam, poesia. Como é da natureza da humanidade. ”
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Teatro João Caetano
São Paulo, SP
04038020
Horário de Funcionamento
| Segunda-feira | 18:00 - 22:00 |
| Terça-feira | 18:00 - 22:00 |
| Quarta-feira | 18:00 - 22:00 |
| Quinta-feira | 18:00 - 22:00 |
| Sábado | 13:00 - 17:00 |