17/08/2026
Nasci em 1977.
Fui criança nos anos 80, adolescente nos 90 e cheguei à vida adulta quando a internet ainda estava aprendendo a ocupar espaço nas nossas vidas.
Vi o Sepultura, Sabbat, Iron, Metallica e um monte de banda ao vivo. Vivi festivais como Hollywood Rock e Monsters of Rock. Fui a shows em que milhares de pessoas levantavam as mãos — e quase nenhuma delas segurava um celular.
Não havia stories.
Não havia live.
Não havia a preocupação de provar que estávamos ali.
E talvez por isso estivéssemos inteiramente ali.
Muitas das melhores coisas que vivi não têm vídeo, não estão na nuvem e nunca aparecerão em um “lembranças de 20 anos atrás”.
Elas sobrevivem de outro jeito: na memória, nas histórias que contamos, nas músicas que ainda arrepiam e naquela frase inevitável:
“Você precisava ter estado lá.”
Hoje contamos essas histórias para uma geração que talvez nunca saiba exatamente o que significava viver um momento sabendo que ele terminaria — e que não haveria replay.
Não acho que nossa geração tenha sido melhor.
Mas fomos testemunhas de uma mudança enorme:
saímos de um mundo em que vivíamos para lembrar e entramos em outro em que muitas vezes registramos para lembrar que vivemos.
Talvez a pergunta não seja se a tecnologia roubou alguma coisa de nós.
Talvez seja:
em que momento começamos a olhar mais para a tela do que para aquilo que queríamos guardar na memória?
Não temos todos os vídeos.
Temos as histórias.
E algumas delas ainda merecem ser contadas.
MonstersOfRock Memória Tecnologia CulturaDigital GeraçãoX
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