12/08/2013
Introdução:
Este trabalho foi elaborado visando uma avaliação da disciplina cursada, disciplina esta intitulada Educação, Desigualdades Raciais no Brasil a qual teve como objetivo mostrar o papel do negro na sociedade e sua contribuição para nossa constituição.
Através desta disciplina podemos conhecer o outro lado da história, lado este que não aparece nos livros didáticos e que a mídia não discute, porém é de total importância para nossa compreensão de mundo.
Com as discussões em sala de aula apoiadas em textos, filmes e seminários pude perceber que essas questões não são se quer observadas no nosso cotidiano, me levando a pensar que já estavamos tão acostumados a ser massacrados que já engessamos e encaramos tudo como normal...sempre foi assim...nada vai mudar !!!
Infelizmente é assim.
Quando digo nós no parágrafo acima, me incluo totalmente como parte integrante deste processo, pois como negra (com muito orgulho) que sou, nunca tinha parado para analisar essas questões e observar qual era o meu verdadeiro lugar na sociedade e não o que me era destinado pelos outros.
Pude entender então que também tenho identidade, nome, família, cultura e história, e que esta ultima pode ser escrita por mim. Na historia da minha vida eu sou a autora e eu escolho que caminho trilhar e que rumo eu vou seguir.
Para o trabalho final da disciplina ao qual tem a vertente de resgatar a cultura de um lugar que esta se perdendo, pensei em neste dar visibilidade as minhas origens paterna a fim de conhecer mais do trabalho realizado e dar enfoque a um enredo que já existe na cultura itaocarense há 76 anos, porém ainda não é reconhecido como uma associação nos conformes legais, resolvi então, falar de Folia de Reis.
Neste trabalho discorro sobre dois temas centrais: Um pouco sobre folia de reis onde trabalho as informações gerais e informativa sobre o tema e De geração em geração, há 76 anos nas ruas alegrando a rapaziada onde comento as informações que tenho sobre minha família a frente deste movimento e de seu comprometimento ao longo dos anos e que se perpetua de geração a geração ate os dias de hoje porem que já tem data pré estabelecida para cessar.
Um pouco sobre Folia de Reis
Folia de Reis é um festejo de origem portuguesa ligado às comemorações do culto católico do Natal, trazido para o Brasil ainda nos primórdios da formação da identidade cultural brasileira no século XVIII ainda no período de colonização, trazido pelos Jesuítas, e servindo como um instrumento na catequização dos índios e, posteriormente, dos negros escravos e que ainda hoje mantém-se vivo nas manifestações folclóricas de muitas regiões do país, principalmente nas cidades pequenas.
Ela apresenta um caráter profano-religioso, fazendo parte do ciclo natalino, anualmente realizado entre 24 de dezembro a 6 de janeiro, quando se realizam as comemorações do nascimento de Jesus com várias festividades, ou festejos populares. Segundo Antonio Francisco (meu tio), somente após o dia 6 é que acontecem os encontros de folia. Anterior a esta data somente o cortejo que acontece de casa em casa, casas estas que são antes sondadas e podem aceitar ou não, sua decisão é sempre aceita.
A Folia de Reis marca o fim do ciclo natalino, principalmente no Norte do país. O desfile leva uma bandeira que muitos acreditam ter o poder de curar as pessoas e na minha família paterna não foi diferente. Esta bandeira se chama Bandeira São José de Leonissa em homenagem ao Santo padroeiro da cidade e a crença no poder de cura permanece até os dias de hoje.
Na tradição católica, a passagem bíblica em que Jesus foi visitado por reis magos, converteu-se na tradicional visitação feita pelos três "Reis Magos", denominados Melchior, Baltasar e Gaspar , que levaram ouro, incenso e mira, que representam as três dimensões de Cristo (realeza, divindade e humanidade) os quais passaram a ser referenciados como santos a partir do século VIII e estes se encontram reverenciados com sua imagem dentro da Bandeira juntamente com a família sagrada.
Fixado o nascimento de Jesus Cristo a 25 de dezembro, adotou-se a data da visitação dos Reis Magos como sendo o dia 6 de janeiro que, em alguns países de origem latina, especialmente aqueles cuja cultura tem origem espanhola, passou a ser a mais importante data comemorativa católica, mais importante, inclusive, que o próprio Natal. No estado do Rio de Janeiro, os grupos realizam folias até o dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião e padroeiro do Estado.
Na cultura tradicional brasileira, os festejos de Natal eram comemorados por grupos que visitavam as casas tocando músicas alegres em louvor aos "Santos Reis" e ao nascimento de Cristo; essas manifestações festivas estendiam-se até a data consagrada aos Reis Magos 6 de janeiro, este é o ritual de todos os grupos de folia ao qual ocorrem isolados e posteriormente a esta festividade de comemoração do nascimento de Jesus cada folia tem a sua data de festejo e suas músicas de ladainha, aos quais são retiradas da harpa cristã, a que vos apresento sua data de recebimento em seu local de estabelecimento foi postulado o dia 8 de junho e ao longo do ano este rodízio vai sendo atendido, cuja ribalta é a praça pública, a rua, mas as vezes pode ser apresentado em residências.
Conhecida nas cidades, vilarejos e fazendas do interior do RJ, ES, MG, GO, SP e PR, a Folia era essencialmente rural, mas nos dias atuais se expandiu, resistindo até mesmo nas grandes cidades (RJ, Belo Horizonte e Goiânia), no PA e no MA. A Folia de Reis revivia no campo as jornadas das pastorinhas urbanas, entre Natal e Reis.
Esta festa tem sua origem primária na Festa do Sol Invencível, comemorada pelos romanos e depois adotada pelos egípcios. A festa romana era comemorada em 25 de dezembro (calendário gregoriano) e a egípcia em 6 de janeiro. A característica principal do reisado está no uso de muitos adereços, trajes com cores quentes e chapéus ricamente enfeitados com fitas coloridas e espelhinhos.
Todos os integrantes da Folia de Reis, interpretam e contam suas histórias, tanto serpenteando as estradas no interior, como as praças urbanas. Esta é uma expressão máxima de religiosidade e devoção.O bando de foliões ainda, na região rural, batem de porta em porta brindando os amigos com sua energia e contagiante alegria, além do espetáculo, é claro, que se constitui de uma peça teatral cantada, com entremeios cômicos. Depois, os integrantes do reisado, em uma onda desordenada, vão espraiando-se pelas ruas. Na desordem deste delirante entusiasmo, vislumbra-se uma alegria carnavalesca.
Versões mais modernizadas do reisado, acrescentam novas figuras ao seu culto secular.
Reza um costume, que no Dia de Reis, deve-se escrever o nome dos três reis magos em um pedaço de papel branco e colocá-lo na porta de entrada da casa, para que haja durante todo ano, fartura, saúde e felicidade. O Dia de Reis também é conhecido como o Dia de Gratidão.
O Ciclo do Natal, também tem as suas características sugestivas, inconfundíveis, no extremo norte do Brasil. Assim é que, no período que decorre entre 24 de dezembro a 6 de janeiro, assiste-se na região paraense à curiosa representação dos autos pastoris, que precedem a tradicional "queima das palhinhas". Passado o "Dia de Reis", as pastoras recolhiam os objetos e juntavam as palhas da manjedoura para queimá-las. Daí, desta louvação, sentiu-se a necessidade de dramatizar.
A religiosidade popular que cerca a Folia de Reis é marcada inclusive por promessas feitas por casais no sentido de destinar um filho "para ser afilhado dos Santos Reis". Quando o grupo chega a uma casa cuja família tem uma criança assim "reservada", o mestre, devidamente avisado, puxa uma cantoria e a criança passa a ser afilhada dos Santos Reis.
O "giro" de uma Companhia de Reis não faz cruzamento de rota, isto é, não cruzam por uma caminho já trilhado, dá azar. .
De geração em geração há 76 anos nas ruas alegrando a rapaziada!!
Pois é, 76 anos já se passaram. Sem falar que de experiência ainda se soma muito mais.
Há mais de 7 décadas e meia o senhor Onofre Francisco, meu vovô paterno levantou a sua própria bandeira de Folia intitulada São José de Leonissa em homenagem ao santo padroeiro da cidade e resolveu sair as ruas... já se tem uma extensa caminhada na cidade!!
Sua experiência já vinha de outras folias ao qual ele era folião, mais ele quis ir além e então virou mestre, chefe de seu próprio reisado e hoje já se são 87 anos de experiência, começou cedo aos 12 anos, me levando a pensar que foi um investimento que deu certo.
O autor Luis Câmara Cascudo, lembra que cabe aos mestres a responsabilidade de manter viva a tradição e se encarregar da transmissão oral dele, e isto ele fez bem.
Esta foi umas das primeiras folias presentes na cidade Itaocara e é a que tem mais tempo de casa, pois foi à única das primeiras que se manteve viva ate os dias de hoje, a única diferença existente é que por motivo de cansaço e problemas de saúde o anfitrião passou a posse para o filho que pudesse dar continuidade ao trabalho.E neste caso o escolhido foi o filho Antônio Francisco que já tinha um histórico ao qual lhe atribuiu uma missão, um agradecimento como comprimento de promessa, pois este aos 12 anos perdeu a visão e fez a promessa a Santa Luzia e acredita ter seu pedido atendido quando volta a enxergar aos 14 anos e então destinou a cura a nova forma de vida.
Sendo assim, este já está a frente dos trabalhos há 12 anos e somente a 5 anos o festejo mudou de endereço, em 2008 ele leva a folia para sua residência, aposentando a residência intitulada Canto do Onofre, porém o patriarca ainda participa de alguns momentos na folia, mas agora como espectador devido suas impossibilidades de saúde e idade.
Dos 14 filhos, 9 são homens e 8 destes participam integralmente da folia com cargos importantes e indispensáveis como 1 mestre, 1 contra mestre,4 cantores, 2 palhaços.
Mais o parentesco não acaba aí, a segunda geração também esta muito presente na folia, 6 netos também participam deste cortejo e ainda tem a presença dos sobrinhos. Na verdade a maioria dos participantes é da família Francisco e o interessante é que a escolha acontece por opção.
O interessante com este trabalho foram as coisas que me foram apresentadas e que eu como integrante da família não sabia, com este trabalho pude conhecer também minhas raízes aos quais nunca antes tinha tido curiosidade de saber...
Em Itacara registrada só tem a folia do meu avô, as outras 6 pertence aos distritos e o convívio é harmonioso.
E estamos chiques pois participamos de encontros na redondeza e lugares distantes, tais como na cidade de Muqui, sul do Espírito Santo,que acontece desde 1950 o Encontro Nacional de Folia de Reis, que reúne cerca de 90 grupos de Folias do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. É o maior e mais antigo encontro de Folias de Reis do país. O evento é organizado pela Secretaria de Cultura do Município e tem data móvel e já participam deste encontro há uns 20 anos, entre outros lugares.
Estudos dizem que as mulheres não participam da folia, e na da minha família não sei por que razão também não encontramos, todos os integrantes são homens, e as mulheres da família só lhes restam a cozinha para preparação dos pratos aos quais serão servidos num banquete como tradição aos encontros, intitulados arremates, pratos estes que são garantidos devido aos encontros que são feitos, as visitas realizadas entre 24 de dezembro e 6 de janeiro nas casas as quais os visitados que aceitam a visita doam o que podem e o resto dos gastos quem cobre é o mestre da folia, as despesas são destinadas a ele.
Todo o cortejo tem uma ordem a ser seguida pois precisa haver um acolhimento através da ladainha na chegada, uma socialização na hora do banquete, um divertimento e descontração ao qual f**a por conta dos palhaços e um encerramento ao qual geralmente acontece no outro dia na parte da manha, onde os donos da casa agradece os visitantes presentes.
O lugar de encontro dos foliões é sempre a casa do mestre, como também é o lugar de partida para os encontros de folia em outros lugares.
Como liderança, já estamos no segundo posto, porém o atual mestre acredita que depois dele não tenha nenhum sucessor, que o trabalho acabe, se extingue, espero que alcancemos o centenário...
Bibliografia:
http://historiapensante.blogspot.com.br/2012/01/na-antiguidade-muitas-festas-pagas.html
acessado dia 10 de março de 2013.
http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/historia-da-cultura-popular , acessado no dia 10 de março de 2013.
http://www.foliadereis.org/index.php/historico--entenda-a-historia/historico, acessado dia 10 de março de 2013.
http://www.velhosamigos.com.br/datasespeciais/diadereis1.html , acessado dia 10 de março de 2013.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Folia_de_Reis, acessado dia 10 de março de 2013.
http://globotv.globo.com/rede-globo/globo-rural/v/folia-de-reis-e-tradicao-comemorada-em-varias-partes-do-brasil/2326422/, acessado dia 10 de março de 2013.