20/03/2024
RISCO DE QUEDA? senti o incômodo, acham que eu não consigo f**ar em pé? Mas aí caí no choro com medo da anestesia, de não poder controlar tudo...
Também caímos do trabalho seguro numa demissão surpresa, doentes porque não damos conta de tudo, na frustração de não sermos atendidos quando queremos e até nas armadilhas das relações medianas, abusivas e absurdas. Estamos sempre em risco de queda, e nos justif**amos reféns do ego frágil que sustenta nosso chão.
É início de Outono e caí na real! Entendi que para deixar ir é preciso falar, ouvir minha voz ganhando espaço e protagonismo, deixando a vergonha da relação que eu caí, que sedutoramente me levou ao abus0, e corroeu minha alma.
Caí quando achei que tudo estava curado, e descobri a fragilidade de uma ferida que talvez nunca feche. Caí na armadilha de me calar e suportar este peso com a vergonha de quem ainda se culpa. Agora caio no mundo e escancaro a história sem abraçar julgamentos que não falam por mim.
Passei por viol3ncia psicológica, levei anos para assumir e sair, e só agora entendo a profundidade dessa ferida que ainda lateja e me faz chorar com histórias que ressoam em mim. Depois de anos descobri que falar sobre a viol3ncia que vivi é romper com a posição de vítima e protagonizar minha história. Fui vítima de viol3ncia doméstica, e pretendo construir uma história diferente, abraçar a ferida e ajudar outras mulheres a encontrar menos vazio em seus pedidos de ajuda.
Abus0 psicológico é invisível e silencioso, é tão desacreditado que cansadas de esbravejar aceitamos a culpa pelo sofrer, como uma punição pela não habilidade de fazer o outro nos amar. O abus0 psicológico não começa com o grito, mas na sutileza socialmente aceita e amparada pela construção social em que vivemos. A viol3ncia psicológica cresce quando falamos do incômodo, do desrespeito que sentimos, e somos tão contestadas com frases de botequim, alegando a loucura feminina que ousa podar a masculinidade a sua volta. A viol3ncia psicológica se perpetua na permissão de brincadeiras ofensivas e que degradam a integridade da mulher.
Se a sua relação tem algo desse amargor, você não está sozinha, é possível sair e se refazer, busque ajuda!