12/07/2023
Por mais inacreditável que pareça, ainda é necessário se falar em respeito às religiões. Só no Brasil, a liberdade de culto é assegurada há mais de 130 anos. Entretanto, a realidade é que os números continuam a assustar: 2021 registrou um aumento de 141% de denúncias em relação ao ano anterior em nosso país. À primeira vista, parece que esse é um assunto que nada tem a ver conosco, mas não é bem assim.
Qualquer um que se debruce a ler os escritos de Allan Kardec sobre o tema percebe que ele não fazia concessões a respeito do direito ao exercício religioso pelos indivíduos. Sua prática, inclusive, apontava nessa direção; basta ver a quantidade de crédulos de diferentes religiões que passavam pela Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, sem que fossem criticados por suas escolhas pelo Codificador. Para ele, as querelas sobre os pontos de vista de cada crença estavam na ordem da intimidade pessoal, e o Espiritismo deveria acolher a todas as pessoas, sem distinção alguma.
Remetendo aos dias atuais, como temos agido em relação aos nossos familiares e conhecidos que professam uma fé diferente da nossa? Mais especificamente: qual tem sido o nosso posicionamento com os seguidores das religiões de matriz africana, sabidamente os que mais sofrem violências? Sem generalizações, precisamos lembrar que o preconceito nasce dos atos que parecem inocentes, como as piadinhas e os olhares de reprovação. Não se trata de querer que o Espiritismo perca as suas características e aceite práticas alheias ao que ele preconiza, mas tão somente o de saber que não é pelo descrédito e desrespeito à fé alheia que iremos avançar.