28/05/2020
Na última segunda-feira, dia 25 de maio de 2020, o Grupo de Estudos e Pesquisa Integrar realizou seu encontro mensal, na modalidade à distância em razão da pandemia do Coronavírus, tendo conduzido suas discussões sobre o tema “família e autismo”.
Num primeiro momento discutimos sobre a temática inspiradas no documentário “Em um mundo interior”, produção nacional de 2017.
Em seguida participou das discussões como colaboradora, a psicóloga Ana Luiza Xavier Scremin, abordando o conceito de família, os diferentes tipos de estresse e as reações frente ao diagnóstico, bem como possíveis reflexos dessas reações.
Registramos alguns aspectos que se destacaram nas discussões, acreditando ser importante refletirmos a seu respeito, todos que temos algum tipo de relação com o autismo:
- Quarentena: neste período adverso de isolamento social, discutimos o quanto nossas emoções se encontram à flor da pele e, muitas vezes, entramos em atritos com pessoas que convivem conosco, por vários motivos estressores, sejam eles recorrentes do dia a dia (pagamento de contas, reorganização do trabalho e atividades essenciais como mercado e bancos) ou referente as adaptações necessárias para esse novo período que se apresenta. Em famílias que possuem membros com autismo, esses fatores estressores ganham uma ênfase maior, pois mudanças não planejadas ocasionam desorganização daqueles que precisam de uma rotina mais estruturada, previsível.
- Saúde mental: no isolamento social, como pede o momento atual, nossas questões e sentimentos parecem ser vistos com uma lupa, ganhando uma grande proporção neste momento. Com isso, a resiliência e a forma como vemos as situações e o outro precisam de mais cuidado, amor e empatia. O medo, incerteza e insegurança foram sentimentos que ganharam maior ênfase nas famílias neste período. Com isso, muitos pais acabam superprotegendo seus filhos, anulando responsabilidades e experiências que são fundamentais para o bom crescimento e desenvolvimento da criança. Rever os acontecimentos, de forma a entender o que foi bom e ruim em cada ocasião, possibilita o aprendizado sobre as coisas boas (que funcionam neste momento e geram satisfação) e sobre as negativas (que nos dão margem para pensar ações necessárias para melhorar).
- Tríade Paciente-Terapeuta–Família: todos nós somos feitos de crenças, valores, conceitos e experiências que nos foram passados em algum momento durante nossa vida. Quando trabalhamos com pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), trabalhamos junto a família, acolhemos, recebemos suas queixas e as orientamos, pois todos fazem parte do processo de desenvolvimento das crianças. Da mesma forma, faz-se importante a vinculação com os outros profissionais que também participam da rede de apoio da família, produzindo condutas voltadas para a mesma vertente e com isso, um planejamento coeso. A tríade paciente-terapeuta-família é fundamental para traçarmos um plano terapêutico que, compartilhado com todos, terá sua eficácia ampliada.
- Participação nos atendimentos: apesar de nem sempre ser possível e de muitas profissionais dispensarem, em grande parte das vezes o envolvimento da família e a participação nas terapias é importante, seja participando das sessões, ouvindo as devolutivas, realizando as orientações em casa, etc. O diálogo com a família possibilita, entre outros, conhecer maneiras alternativas de acesso à criança e como estimular de forma saudável e potente, com o mínimo de produção estressora possível, dando margem à trocas afetuosas para ambas partes e ampliando as situações de estímulo para fora do contexto terapêutico.
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