29/09/2026
**ENCHENTES DE SÃO MIGUEL: quando setembro transborda no coração do Rio Grande do Sul**
Entre 27 e 29 de setembro de 2026, postos do Cemaden em Santa Maria registraram **199,0 a 238,8 mm de chuva em 72 horas**. No Patronato, esse acumulado correspondeu a cerca de **um setembro e meio**, considerando a normal climatológica mensal de 155,3 mm do INMET (1991–2020). Dados consultados em 29/09, às 12h10.
No interior gaúcho, as chamadas **“enchentes de São Miguel”** fazem parte de uma memória popular associada às chuvas do fim de setembro, período tradicionalmente marcado por instabilidade.
A ciência ajuda a compreender essa memória. A transição do inverno para a primavera altera a circulação atmosférica, a atuação dos sistemas frontais e o transporte de umidade. Setembro integra uma época naturalmente chuvosa no Rio Grande do Sul, mas **não existe uma data fixa nem uma repetição automática das cheias**.
Em anos de **El Niño**, a primavera pode apresentar maior umidade e episódios de chuva volumosa no Sul do Brasil. Porém, cada evento depende também de fatores como frentes, duração da chuva, transporte de umidade, condições do solo e características locais.
**Como se preparar?**
• Revisar telhas, calhas, ralos e drenagens;
• Manter entradas de água desobstruídas;
• Proteger documentos e contatos de emergência;
• Acompanhar Defesa Civil, INMET e Cemaden;
• Evitar previsões isoladas e informações sem fonte.
A representação de São Miguel na capa é uma **ilustração editorial simbólica**, não uma imagem histórica ou documental.
**Para aprofundar:**
🔗 Chuvas intensas na Região Central: ecotecnologias.org/chuvas-intensas/
🔗 Nota Técnica sobre El Niño: DOI 10.5281/zenodo.22821232
🔗 Desastre hidrológico de 2024: DOI 10.1590/2318-0331.302520240119
**Fontes:** Cemaden; INMET; Rossato, Sartori e Silveira (2003); Wollmann e Sartori (2009/2010).
Hidrologia Climatologia Prevenção Ecotecnologias UFSM