18/01/2026
Assisti à série All Her Fault, no Prime Video. É uma experiência perturbadora, mas, penso eu: necessária que gostei muito. Por mais louca que seja a sensação desesperadora, especialmente para qualquer mãe que, inevitavelmente, se coloca no lugar de uma mulher em busca do filho, a narrativa me parece vital. A série não vai oferecer alívio para muitos homens e, muito menos, legitimar a ideia ainda vista por muitas famílias materialistas de que ter é mais importante do que ser. A série vai te empurrar para dentro da angústia, da culpa e do julgamento constante que, acreditem, todas nós mulheres passamos. Podemos estar falando de ficção, mas não é fantasia que tudo, direta ou indiretamente, recai sobre o corpo e a mente femininos. A personagem da Dakota Fanning é o maior exemplo para ilustrar. Trabalho, reuniões, responsabilidades, casa, filho. Na tentativa de estar presente em todos os lugares, ela faz malabarismos. E isso pode não te parecer (e nem ser) extraordinário, mas é exaustivo. O pano de fundo é um sequestro. Mas, de alguma forma protagoniza a rotina comum, silenciosa e, por vezes, devastadora de muitas mulheres. Carga mental feminina não aparece em planilhas, contratos ou discursos meritocráticos. E, atravessa todas as classes sociais. Não importa o tamanho da casa, o status profissional ou a aparência de estabilidade: a responsabilidade última, o “e se algo der errado”, a série desvela: culpa da mãe. E mais: a série expõe ambientes que parecem ter tudo, mas não têm nada porque são emocionalmente doentios, adoecedores, sustentados por relações frágeis, o que, ao meu ver, não é nada diferente da perfeição falsa que vemos nas redes sociais. Se você tem dificuldades de receber a real, não veja. A série não vai gritar contigo, mas vai sussurrar verdades. Por outro lado, se está encarando o ano novo com lucidez, vai relembrar o sentido da máxima que diz que nem tudo que reluz é ouro e vai agradecer a Deus por cada imperfeição e desafio que supera com quem ama todos os dias.