16/09/2012
O QUE ACONTECE QUANDO O ANALISTA USA SUA BOLA DE CRISTAL? O QUE SE GANHA QUANDO ELE PREVINE O PACIENTE DO QUE LHE ACONTECERÁ SE UM DETERMINADO CONFLITO PSÍQUICO VOLTAR A SE REPETIR? DESCUTINDO AS POSSIBILIDADES DE PROLONGAR OS RESULTADOS OBTIDOS AO LONGO DE UMA ANÁLISE, FREUD PONDEROU A ESTE RESPEITO. NESTE MOMENTO, QUANDO ESTAMOS QUASE NO MOMENTO DE COMEÇAR O CURSO QUATRO DO “enfim, A PSICANÁLISE NO DIVÃ!” - A ANÁLISE, SUAS FINALIDADES E SEUS FINAIS – A EQUIPE DO IPLA COLOCA EM QUESTÃO OS FAMOSOS BENEFÍCIOS DO DITO AUTOCONHECIMENTO. DEIXEMOS A PALAVRA COM FREUD:
“O resultado esperado não ocorre. O paciente escuta nossa mensagem, mas não há reação. Pode pensar consigo: “É muito interessante, mas não sinto traço algum disso”. Aumentamos seu conhecimento, mas nada mais alteramos nele. A situação é muito semelhante à que acontece quando as pessoas leem trabalhos psicanalíticos. O leitor é ‘estimulado’ apenas por aquelas passagens que sente se aplicarem a si próprio - isto é, que interessam a conflitos que estão ativos nele na ocasião. Tudo o mais o deixa frio. Podemos ter experiências análogas, creio, quando fornecemos às crianças esclarecimentos se***is. Estou longe de sustentar que isso é prejudicial ou desnecessário, mas é claro que o efeito profilático dessa medida liberal tem sido grandemente superestimado. Após tais esclarecimentos, as crianças sabem algo que não conheciam antes, mas não fazem uso do novo conhecimento que lhes foi presenteado. Viemos a perceber que sequer têm grande pressa de sacrificar, a esse novo conhecimento, as teorias se***is que poderiam ser descritas como um crescimento natural e que elas construíram em harmonia com sua organização libidinal imperfeita, e na dependência desta - teorias sobre o papel desempenhado pela cegonha, sobre a natureza da relação sexual e sobre o modo como os bebês são feitos. Por longo tempo após receberem esclarecimentos se***is, elas se comportam como as raças primitivas que tiveram o cristianismo enfiado nelas, mas que continuam a adorar em segredo seus antigos ídolos”.
Para ler o texto todo:
FREUD, Sigmund. (1937). Análise terminável e interminável. In: OCSF. Volume 23 (Moisés e o monoteísmo, Esboço de psicanálise e outros trabalhos).