16/09/2021
EGUNGUN
Autor: Bàbàláwo Ifagbaiyin Agboola
Na cultura yoruba a morte é encarada com naturalidade, o povo deste território tem uma forma bem clara para definir esse momento, a morte não representa o fim, ela representa sim o começo de um novo ciclo.
A morte não é o fim da vida, existe outro mundo paralelo ao nosso, conhecido como òrún (céu), que é dividido em nove partes.
Este local para o povo yoruba é a morada dos Òrìșàs e dos antepassados, sendo assim o contato entre o òrún (céu) e o aiye (terra) acontece de forma constante.
O fato de poder ir e vir é um privilégio, somente espíritos com um caráter exemplar serão escolhidos para serem cultuado como egúngún.
Continuar voltando a terra para ver seus descendentes é um prazer, participar da vida da comunidade ou da família possibilita ao individuo eternizar-se, entrar para historia e ser louvado por seus descendentes.
Tenho assistido algumas discussões sobre esse tema com surpresa, a desinformação sobre esse assunto é muito grande, existe uma aura de mistério confundida com mentiras e interesses que distancia muito os iniciados da verdade, imagina-se então o que acontece com o público leigo que ignora completamente a realidade.
Passarei agora a uma analise dos fatos sempre considerando a visão do povo yoruba de forma tradicional, não a visão afro brasileira.
Não existe egúngún do Òrìșà Ògún ou de Osun ou de Obàtálá, esse é um erro bastante comum, existe sim um espírito de um ancestral (egúngún) que um dia foi feito para um determinado Òrìșà, ou não.
Não existe comida de Òrìșà que se serve para um determinado egúngún, existe sim pratos tradicionais de um povo que podem ser servidos ou não de acordo com a preferência do antepassado.
É possível sim que um espírito feminino seja homenageado após a sua morte em um ritual de egúngún.
É permitido sim à permanência de mulheres nos rituais para egúngún, eu não acredito quais seriam os objetivos de tais rituais que não fossem os de manter a família e a estrutura de um povo sem que a presença da mulher deixe de ser fundamental.
Todas as casas que cultuam Òrìșà devem ter sim um assentamento de egúngún, todos tem antepassados que devem ser louvados.