Está inserida na Região de Novos Alagados que localiza no Subúrbio Ferroviário da cidade de Salvador (Ba). Na região habitam por volta de 10500 pessoas, sendo 2.800 crianças com faixa-etária entre zero e 5 anos. Uma parte desta população residia em palafitas (barracos de madeira construído sobre maré),outra parte em barracos em terra firme. A Creche João Paulo II surgiu do encontro caritativo de alguns jovens católicos, que vinham quinzenalmente brincar com as crianças do bairro, fazendo a experiência de pertencer a uma Comunidade Cristã. A partir destes encontros e de um olhar atento à totalidade deste contexto e de determinadas circunstâncias, que tais moradores estavam submetidos é que surgiu o ímpeto de responder a uma necessidade especifica da comunidade: ter uma instituição que abrigasse, em período integral, crianças de 0 a 6 anos de idade, para que assim suas mães pudessem trabalhar mais tranquilas e numa perspectiva de vida mais digna. Foi com este gesto, que a Creche João Paulo dá início às suas atividades no ano de 1993. Na época funcionava num espaço improvisado, no 1º andar da igreja católica da comunidade, com apenas duas turmas, sendo uma delas com crianças de 3 anos e a outra com crianças de 4 anos. Em 1994 foi inaugurada a sede atual, construída com recursos de doação estrangeira. Neste novo local, num primeiro momento foi dada continuidade ao atendimento às duas turmas anteriores, que nesta época já eram os grupos de 4 e 5 anos (com 24 crianças em cada grupo). No segundo semestre do mesmo ano tiveram início os grupos de 1, 2 e 3 anos. No ano de 1995 teve início a última turma de 6 anos (alfabetização), completando assim o quadro atual da creche. A Creche acolhe atualmente cerca de 115 crianças divididas por grupos de faixa etária (Berçário 1 e 2, Maternal, Jardim 1 e 2). Nesses 20 anos de existência acolhemos crianças em situação de risco social elevado, seja pelo elevado grau de desnutrição ou pelo abandono dos responsáveis. Parte destas crianças chegam a creche através de visitas domiciliares feita por uma assistente social, em condições de vulnerabilidade social sendo necessário a permanência em um local que pudesse assegurar os cuidados básicos de saúde, higiene, alimentação e a presença de um adulto de referência por um período de tempo maior. A acolhida destas crianças e sua respectivas famílias, tornou-se uma tentativa diária de compartilhar o sentido da vida com essas mães, através da participação dos pais em diversas atividades diárias das crianças, dentre elas: apreciação de atividades artísticas elaboradas pelas próprias crianças, jogos e recreações, dramatizações, palestras educativas, jogos dirigidos para as famílias e passeios. Para muitos pais esta foi uma grande oportunidade de poder aprender como lidar com o próprio filho, não por um discurso e sim pelo compartilhamento de uma experiência que já fazemos com crianças e que por isso deve ser não só comunicada, mas também olhada.