13/04/2024
PASSANDO PARA AGRADECER POR LEMBRAREM DE MEU ANIVERSÁRIO. MUITÍSSIMO OBRIGADA!!!
Foi Um Ano Muito Bom
It Was A Very Good Year
https://www.letras.mus.br/frank-sinatra/36444/traducao.html
Quando eu tinha dezessete anos
When I was seventeen
Foi um ano muito bom
It was a very good year
Foi um ano muito bom para as meninas de cidades pequenas
It was a very good year for small town girls
E suaves noites de verão
And soft summer nights
Nos escondíamos das luzes
We'd hide from the lights
No campo da cidade
On the village green
Quando eu tinha dezessete anos
When I was seventeen
Quando eu tinha 21 anos
When I was twenty-one
Foi um ano muito bom
It was a very good year
Foi um ano muito bom para as meninas da cidade
It was a very good year for city girls
Que viviam no andar de cima
Who lived up the stair
Com cabelos perfumados
With all that perfumed hair
E isso foi desfeito
And it came undone
Quando eu tinha 21 anos
When I was twenty-one
Quando eu tinha 35 anos
When I was thirty-five
Foi um ano muito bom
It was a very good year
Foi um ano muito bom para as meninas de sangue azul
It was a very good year for blue-blooded girls
De meios independentes
Of independent means
Passeávamos em limousines
We'd ride in limousines
Seus motoristas dirigiam
Their chauffeurs would drive
Quando eu tinha 35 anos
When I was thirty-five
Mas agora os dias passam rápido
But now the days grow short
Estou no outono do ano
I'm in the autumn of the year
Agora penso em minha vida como um vinho vintage
And now I think of my life as vintage wine
De bons e velhos barris
From fine old kegs
Cheios até as bordas
From the brim to the dregs
E ela se derramou nítida e docemente
And it poured sweet and clear
Foi um ano muito bom
It was a very good year
Foi uma confusão de bons anos
It was a mess of good years
Mas quando eu tinha 17 anos os dias não eram tão bons. Minha saúde física emocional era precária. A única coisa forte era o meu caráter, as vezes reacionário e conservador, num misto revolucionário. Talvez fosse como um amigo ousa me chamar hoje: a MADRE SUPERIORA. De minha parte, acredito ser injusto. Vejo-me como flexível, todavia, não podemos perder, a vergonha na cara. Talvez, porque meu pai me dissera sempre: “PODEMOS PERDER TUDO, MENOS A VERGONHA NA CARA”. Fui embalada com os mantras fortes: força, coragem, disciplina e altivez. Isso soava como uma obrigação. LEVANTE A CABEÇA E, ENFRENTE A VIDA, dizia a mamãe. “QUEM GOSTA DE DENTES É DENTISTA, PORQUE DEPENDE DELES PARA VIVER, VOCÊ NÃO PRECISA RIR PARA NINGUÉM E NINGUÉM PRECISA RIR PARA VOCÊ” dizia meu pai; talvez porque fosse eu uma criança, uma adolescente, uma mulher negra.
Mas gostaria de agradecer os meus dezessetes anos. Eu tinha a minha família feliz na sua precariedade financeira: entre os cardápios nucleados pelos ovos: ora à poche com ervilhas e molho de tomate, omeletes de forno, fritos e cozidos. Na verdade, poder reclamar do cardápio era a maior felicidade. O único que não reclamava de nada, apenas, comia era Jose Noedir, o Di, meu amado irmão. Ele, também, não está mais aqui.
Todxs diziam não aguento mais chuchu, a vagem orelha de padre, polenta com frango, o bucho, e uma espécie de xixim de bofé que até virava recheio de torta. A massa era boa, o recheio que parecia indigno à época. Entretanto, tudo era feito com muito amor, meu querido e amado pai preparava as vezes o jantar com tanto esmero, que podíamos falar, rir e envolta da mesa, e, impedi-lo de colocar mais comida em nosso prato. Brigávamos, às vezes, não pelo melhor pedaço, mas pela asa do frango, e, até mesmo pelo pé. Eram anos bons. (IT WAS A VERY GOOD YEAR). Hoje eu sinto falta do bolo e suflê de chuchu, adoro as sardinhas fritas e como ovos quase diariamente com gemas nem dura, nem mole. Ovos me reportam ao acolhimento de um tempo feliz. Como faço o seu ovo, minha querida? Não tenho hoje para quem responder.
Quando eu tinha dezessete anos eu me pus cabisbaixa, andava curvada, acentuando minha cifose, escoliose e lordose, mas eu tinha a amada vizinha Dona Noemia que era muito fofoqueira, porém o que importa aqui é o amor. Eu a amava com todos os seus defeitos, pois sua maior qualidade era me amar. Então a me zelar gritava: Elisabete endireita a costa. Pareço ouvi-la na voz de minha amiga Marina a dizer de forma autoritária: endireita a costa, compre uma cadeira descente e vá para academia.
Nessa época não frequentava mais a nossa casa meu irmão Luís Carlos e sua família, mas, ainda, dançávamos e cantávamos e buscávamos juntos a felicidade. Riamos das palhaçadas e comportamento engraçado do meu cunhado Waldemar.
Acredito, haver adoecido pela abrupta ausência de Luís Carlos, e, relembrar àquela conjuntura me provoca dores no peito e no corpo até os dias de hoje. Acalentava-me o carinho sempre presente de minha Ia (minha amada irmã Maria), o cuidado aborrecido e crítico da Tata, o sorriso e o despojamento da bela Inês. Minha irmã Thereza sempre a me oferecer uma comidinha como forma de demonstrar carinho. Foi a época que assaltei o armário de meu pai, mas adquiri alguns ternos antigos de meu cunhado Antônio Pedro, com certeza eles foram concedidos pela minha irmã Thereza. Ficava elegante o terno azul marinho da década de 60 com blusas de sedas vermelhas presenteadas pelas patroas de minha mãe. Azul marinho é a minha cor preferida. Apresentava-me sempre elegante com as roupas reformadas e doadas pelas patroas.
Quando tinha dezessete anos também tinha a minha vizinha Dona Cida que me apresentou o centro de Umbanda e o caboclo Pena Branca, e, também avó Sabrina que dissera que eu iria sarar e passaria a comer tudo que quisesse. Ela me levou neste Centro de Umbanda escondido de meu pai.
Mas eu fui criada no espiritismo e, aos 17 anos eu dava suporte aos domingos ao Gabriel Paron. Ser espírita me ajudou chegar até aqui, aos 61 anos com uma certa resiliência e muita fé em Deus e na vida. Neste convívio estive presente com Helena Paron e amiga de minha mãe e minha amiga Lair Paron.
Lembro de Heraldo Paron nós passamos pelos processos de desenvolvimento espiritual na mesma época. Ambos, adolescentes. Íamos juntos aos sábados: eu, mamãe, papai, Dª Fina e Seu Pedro Paron
Assim, aos 61 anos estou no outono de minha vida (I'M IN THE AUTUMN OF THE YEAR) não me parece que dará tempo para realizar muitos projetos. Mas terei tempo de ficar mais feliz. Os dias são mais rápidos. Parece ser um tempo de se reconciliar com o passado, e, faxinar diariamente o coração. Quero celebrar o amor e a liberdade, e, seguir agradecendo a vida.
O que diria a adolescente Elisabete Aparecida Pinto para a quase idosa Elisabete? Talvez, ela dissesse: Olá senhora!!! Valeu a pena, pois tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Você preservou o seu coração, agora trate de lhe dar mais alegria, e, pensar mais em você. Nós, 17, 21 e 35 você estava lutando, chegou aos 61 lutando. Agora aprecie a vida. Feliz Aniversário.
Agradeço a todxs que celebraram comigo este momento. Muitíssimo obrigada