26/05/2017
Como o zika se espalhou para as Américas
Análises do DNA do vírus, publicadas na revista 'Nature', mostram que o zika chegou ao Brasil entre 2013 e 2014 e migrou para outros países do continente. Um grupo internacional de cientistas mapeou diferentes amostras do vírus zika e descobriu como aconteceu sua dispersão pelas Américas. De acordo com três estudos, publicados nesta quarta-feira na revista Nature , o zika já circulava no nordeste do Brasil entre o fim de 2013 e o início de 2014, cerca um ano antes que as primeiras infecções fossem confirmadas, em março de 2015. Do país, ele partiu para países como Colômbia, Honduras, Porto Rico, ilhas do Caribe e Estados Unidos.
Para analisar a “migração” do zika, cientistas de instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Brasil, Universidade Harvard e Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, coletaram amostras do vírus e compararam seus genomas. Quando um vírus se espalha, ele acumula pequenas mutações em seu genoma e a comparação de diferentes amostras torna possível rastrear por onde passou.
No Brasil, os pesquisadores viajaram por 82 municípios de cinco regiões do Nordeste para coletar amostras de 1.300 pessoas. Os cientistas descobriram que o vírus que circulou no Brasil veio da Polinésia, como já apontavam indícios recolhidos por cientistas brasileiros. Todas as infecções detectadas no continente americano descendem desse vírus “ancestral” que chegou ao Nordeste entre 2013 e 2014. Na segunda metade de 2014, o vírus chegou a cidades do Sudeste, como o Rio de Janeiro e São Paulo e seguiu também para outros países da América Latina. De acordo com as análises, o zika possivelmente entrou nos Estados Unidos pela Flórida, em 2016, vindo do Caribe. Autoridades americanas confirmaram a primeira transmissão no país em julho do mesmo ano.
Os resultados foram publicados pouco tempo depois que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o governo brasileiro decretaram o fim da emergência para zika.