18/08/2025
No dia 17 de agosto de 1887 em Saint Ann’s Bay, Jamaica, nascia Marcus Mosiah Garvey, numa família com relativas condições financeiras, o que lhe permitiu acessar outros espaços sociais e exercer trabalhos mais especializados. Garvey trabalhou em Kingston, onde se envolveu com a luta política sindical, chegando a viajar para outras regiões do Caribe e América Latina – onde testemunhou a precária situação dos trabalhadores descendentes de africanos em diversos locais –, e para a Inglaterra.
Em 1914, Garvey fundou a AUPN (Associação Universal para o Progresso Negro), organização que tinha como objetivo cuidar da ascensão social do povo negro, ampliar a consciência africana, lutar pelo fim do imperialismo europeu na África e o disseminar do orgulho negro. Apesar das ideias de libertação e da sua contribuição para o aumento do sentimento de orgulho e dignidade dos negros, Marcus Garvey é uma figura do movimento negro repleta de contradições, chegando a compartilhar o separatismo racial, na mesma chave defendida pela Ku Klux Klan.
O impulso obtido com a AUPN e com a criação do jornal Negro World, editado por sua esposa Amy Garvey, ampliaram as vozes negras, porém as ideias de Garvey apresentavam a faceta consideradas reacionária por parte do movimento negro de então. Dito como um fundamentalista negro, Garvey chegou a condenar a impureza de negros mestiços, e nos Estados Unidos criticou abertamente a National Association for the Advancement of Colored People (NAACP) sob o pretexto de ser assimilacionista. Autoproclamou-se presidente provisório da África, com o objetivo de livrar o continente do imperialismo para salvaguardar os valores africanos e a pureza da raça, porém, apesar de ter feito inúmeras viagens pelas Américas, não chegou a visitar o continente africano. Garvey teve problemas com a Justiça, ao ser descoberta fraude na venda de ações de suas empresas, que faziam parte do projeto de desenvolvimento para a população afrodescendente, e atribuiu a culpa principalmente aos judeus, demonstrando ter também um pensamento antissemita. Após acusações de fraude e de antissemitismo, Garvey se mudou para Inglaterra, onde tentou instalar a AUPN.