08/03/2024
Consultoria em Língua Portuguesa - Reforço Escolar - Revisão de Textos Acadêmico
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Gramática para Concursos
Reforço Escolar - Gramática e Redação
Ensino Fundamental II e Ensino Médio
Consultoria em Língua Portuguesa - Reforço Escolar - Revisão de Textos Acadêmicos e Literários - Comunicação Oral e Escrita.
08/03/2024
25/08/2023
10 anos de história. Mais de 100 mil exemplares vendidos. Ajudou milhares de pessoas a conquistar sua vaga nos concursos. Passou até a ser recomendada por muitos professores do Brasil. Muito orgulho da minha filha: "A Gramática para Concursos Públicos". 💙🙌
13/07/2023
12/06/2023
BOA NOITE A TODOS, TODAS E TODES
Este texto não vai tomar muito o tempo dos senhores, das senhoras e des senhores. Peço a cada um, uma e ume que procure manter o foco e f**ar atento, atenta e atente para melhor aproveitamento da reflexão.
Muitos, muitas e muites de vocês já devem ter notado que, há uns anos, a pauta de adaptação de nosso idioma invadiu o cotidiano de praticamente todos, todas e todes: discursos de políticos, políticas e polítiques; posts de usuários, usuárias e usuáries de redes sociais; recados de alunos, alunas e alunes, professores, professoras e professores em universidades e assim por diante. A reivindicação de mudança da língua tem o intuito de fazer cada brasileiro, brasileira e brasileire sentir-se representado, representada e representade por uma correspondente flexão de gênero na língua.
Ocorre, no entanto, que as identif**ações se***is dos humanos, das humanas e des humanes não têm necessária coincidência com o gênero gramatical das palavras. Não é difícil perceber por que isso seria impossível: cada um, cada uma e cada ume escolhe como vive a própria vida – em última análise, esse é um traço eminentemente individual. Embora só existam dois sexos biológicos (conhecidos por todos, todas e todes), já são dezenas os gêneros catalogados. Considerando-se as peculiaridades de cada ser humano, a mudança não é de grupo para grupo, mas de cidadão, cidadã e cidadãe para cidadão, cidadã e cidadãe. Seria impossível que um idioma fosse marcado com a especificidade de cada um, uma e ume. Teríamos de ter tantas letras quantas fossem os indivíduos.
Além disso, a esmagadora parte dos, das e des que dão bom-dia a “todos, todas e todes” não continua o discurso fazendo as respectivas flexões: depois do bom-dia a “todos, todas e todes”, continua sua fala normalmente, usando o bom e velho masculino genérico, sem curiosamente ofender nenhum, nenhuma e nenhume presente na plateia. Esse cenário evidencia o que qualquer um, uma e ume entende com facilidade por sua gramática internalizada: a língua já tem meios de inclusão. São mecanismos natural e organicamente desenvolvidos pelos, pelas e peles falantes, jamais impostos a todos, todas e todes como se isso soasse minimamente normal. Quando se diz “Todo professor deve ter paciência com o aluno”, fala-se de dois seres genéricos; genéricos a ponto tal que só revelam sua inclusão. Ou seja: o marcador -o, obviamente, não se restringe a homens, mas se refere a homens, mulheres, transgêneros, cisgêneros, agêneros, bisse***is, destros, canhotos, jovens, velhos, direitistas, esquerdistas, centristas, cristãos, muçulmanos, budistas e toda a gama de variáveis imagináveis as quais permeiam a vida dos humanos, das humanas e des humanes.
É de pensar quantos, quantas e quantes cidadãos, cidadãs e cidadães conseguiriam falar assim o tempo inteiro. Mais ainda: quantos, quantas e quantes aguentariam escutar – ou ler – até o fim do texto, sem subitamente se pegar pensando na morte da bezerra. (Isso me faz lembrar que recentemente vi um dos manuais [de Ophelia Cassiano para Medium] sobre o assunto – não sei se é o único – dizendo que a ideia pode se estender a animais.) Assim, seria possível falar na morte da bezerra, do bezerro ou de bezerre. Poderíamos falar em cachorros, cachorras e cachorres; cavalos, cavalas e cavales; gatos, gatas e gates e assim por diante, caso nos faça sentido incluir os animais na linguagem neutra. Não, não é brincadeira.
Sabemos que as línguas, em geral, caracterizam-se pela economia, especialmente porque o propósito principal do discurso é a transmissão dinâmica da mensagem. Ampliar artificialmente o inventário de morfemas é dificultar a dinâmica da comunicação – o que vai na completa contramão do objetivo das próprias línguas. A marcação de gênero f**a desproporcionalmente saliente, a ponto de se suprimir o teor da própria mensagem.
É estranho ter de argumentar isso. É tão antinatural, canhestro e ilógico, que faz pensar a razão de ainda se debater algo sem nenhuma correspondência com a realidade, sem nenhum lastro linguístico sério, sem nenhum sentido, enfim.
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LARA BRENNER
Advogada, fundadora do "Expressando Direito — Curso Prático de Português Jurídico" e professora de Português da Brasil Paralelo.
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