03/02/2023
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"A sociedade do século XX, marcada pela negatividade e pelas barreiras, consistia em uma sociedade disciplinar, como descrita por Foucault. Ela era determinada pela negatividade da proibição, e seus habitantes eram sujeitos da obediência. A sociedade atual distancia-se desse paradigma e é uma sociedade de desempenho, marcada pelo excesso de positividade e habitada por sujeitos de desempenho e produção, empresários de si mesmos. No lugar de proibição, mandamento ou lei, entram projeto, iniciativa e motivação. O poder ilimitado toma o lugar do não-ter-o-direito como verbo modal dessa sociedade [••] Sob essa perspectiva, o sujeito de desempenho está livre da instância externa de domínio que o obriga a trabalhar ou que o explora; não está submisso a ninguém ou está submisso apenas a si mesmo. Porém, esse fato não leva à liberdade real, mas a uma liberdade coercitiva ou à livre coerção de maximizar o desempenho. O excesso de trabalho e desempenho agudiza-se numa autoexploração, que é mais eficiente que uma exploração do outro devido ao sentimento de liberdade. O explorador é ao mesmo tempo o explorado. Isso gera uma liberdade paradoxal que, em virtude das estruturas coercitivas que lhe são inerentes, se transforma em violência, cujas manifestações patológicas são os adoecimentos psíquicos da sociedade de desempenho. O excesso de positividade da sociedade do desempenho também se manifesta como excesso de estímulos, informações e impulsos, fragmentando a atenção".
Sociedade do Cansaço
Byung- Chul Han