19/11/2025
Olha o Teatro propondo reflexões..!
MARIE FARRAR, um poema de Bertold Brecht, do início do século. Uma mensagem atemporal. O texto retrata parte da condenação e execução de uma adolescente, por cometimento de infanticidio, na França, mas, no subtexto, o que encontramos é uma condição universal de repetição de ausência de direitos humanos.
Pessoas exploradas, em condição análoga à escravização, infâncias roubadas... O estupro de vulneráveis, o assédio sexual, nas relações de patrio poder. A coacão por s**o sob ameaça patronal, a pedifilia, a gravidez precoce, sob condições paupérrimas, a invisibilidade social de meninas, a criminalização do ab**to, a depressão pós parto e o Infanticidio como alternativa de sobrevivência em uma sociedade que invizibiliza essa triste realidade.
Pesquisa da UFCE, apontam que mais de 90% dos infanticídios, no Brasil, foram cometidos, por pessoas do s**o feminino, pardas ou pretas, em sua maioria, menores de idade, órfãs, vítimas de estupro ou de perda da honra, trabalhadoras infantis, abandonadas por sua condição gestacional, que esconderam a gravidez, por todo o período, não tiveram acesso ou sucesso em realizar um ab**to e alegaram que não teriam condição de manter seus trabalhos com uma criança recém nascida , logo que temiam ser demitidas, se a gravidez ou o nascido, se revelassem.
Mães que matam seus recém-nascidos, no nosso país, podem ser enquadradas no crime de homicídio ou de infanticídio. O que os diferencia é o estado puerperal presente no infanticídio, como descreve o artigo 123 do Código Penal brasileiro: "matar, sob influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após".
Marie Farrar, de Bertold Brecht
encenada pelo Núcleo de Teatro do
Direção e gringobarrreto,
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