07/02/2022
Hoje, há 266 atrás morria no campo de batalha Sepé Tiaraju.
Um homem que em meio a cobiça das coroas portuguesa e espanhola por terras, ousou liderar um exército e enfrentá-los.
Com armas menos avançadas, fez uso da inteligência para equiparar forças na guerra. Conquistou essa liderança, não só como guerreiro de coragem. Era, acima disso, um líder brilhante. Diferente da maioria de seus adversários, era culto e dominava a escrita, no discurso, destacando-se no seu povo. Tornou-se, assim, líder da Redução de São Miguel (a mesma que hoje se realizam visitas turísticas).
Comandou tropas a atacar o forte português da atual Rio Pardo. Chegou a ser capturado e, fugindo, voltou a frente do exército Guarani. Suas táticas de ataque ao estilo guerrilha foram determinantes para frear os exércitos inimigos e conquistar vitórias. Foi em um desses episódios, inclusive, que barrando uma comitiva espanhola, no que hoje é Bagé, teria bradado a sua famosa frase: "esta terra tem dono!"
Infelizmente, no meio do conflito, em um dos ataques que fazia, ao fugir em disparada com seus companheiros, a pata de seu cavalo prendeu em uma toca e ele veio ao chão. Ali foi ferido e, naquela noite, teria sido torturado e enfim morto pelo governador de Montevidéu. Apesar disso, os Guarani conseguiram invadir o acampamento na penumbra e resgataram o corpo de Sepé. Seu local de descanso final é incerto. Porém, acredita-se que tenha sido a margem de um rio, o qual logo ganharia seu nome e hoje banha a nossa cidade.
Mais do que uma lenda, José Tiaraju (seu nome de fato) foi real e a maior parte da História contada até aqui encontra-se documentada em cartas da época.
Sua bravura e o valor da História indígena estão eternizados.
Cabe a nós valorizar mais este passado, assim como, hoje, construir uma realidade mais digna para os indígenas que estão no nosso sangue, na nossa cultura, no nome da nossa cidade, mas tão à margem na nossa sociedade.