Xamanismo é uma estrutura “Sócio-mágico-espiritual” complexa, surgida com o aparecimento do Cro-Magnon, os primeiros Homo-Sapiens no período Paleolítico. Já naquela época os Xamãs, sejam homens ou mulheres, utilizava-se de recursos naturais tais como alucinógenos, que é termo popular, muito usado pela medicina e pela psicologia tradicional, muitas vezes de uma forma pejorativa. Em antropologia se usa “psico-ativos” ou “psicotrópicos”. A antropologia entende que a experiência com essas plantas não provoca alucinação, mas vivências reais usam-se então um termo: “miração”, que significa em uma tradução literal “olhar”, “ver”, “experienciar”. Além dos psico-ativos os paramentos e sons específicos em certa medida promovem à alteração do estado de consciência facilitando o Xamã realizar viagens à objetivos específicos, sendo um facilitador a acessar (voar para) mundos além da realidade, acompanhados, guiados e protegidos por um ou mais animais representativos denominados: “animais de poder”. Neste estado de consciência o Xamã exercia a cura, a contação de histórias, a organização cultural e a orientação sexual, entre outras especificidades. Atualmente o Xamanismo é praticado por culturas indígenas das Américas, Austrália, Canadá, Alasca (EUA) e povos “primitivos” da Sibéria, China, Índia, Tibete, e Norte da Europa, entre outras. Há também um Xamanismo urbano, mais centrado em questões de cura ou trabalhando com estruturas mais psicológicas, linha iniciada e divulgada pelo antropólogo Michael Harner nos anos 80 que difere daquela do Xamã Tradicional, que adota o Xamanismo arcaico, mais profundo e completo. Na era moderna, há uma tentativa de resgatar o Xamanismo sem a preocupação de entender e se aprofundar no Xamanismo arcaico ou primordial, suspeita-se de que sua trajetória espiritual, num passado distante, tenha sofrido um bloqueio ou uma pausa, e os motivos que poderiam ter provocado este acontecimento não estão claros. O fato é que, após esse acontecimento, o Xamanismo se fragmentou em outras categorias, ficando o Xamanismo arcaico (natural) preservado somente entre alguns poucos e grandes Xamãs (Xamãs feiticeiros), que mantiveram a tradição em estruturas fechadas. No entanto, essas estruturas, em menor intensidade e de maneira controlada, se espalharam de forma gradativa por regiões tais como China, Japão, Tibete, Índia, Austrália, norte da Europa e Américas. Foi especificamente nos anos 70 que começou um culto intelectual e por meio de medicinas alternativas apoiadas no movimento “Nova Era”, movimento que se intensificou nos anos 80 e que de certa maneira nos dias atuais ganhou um corpo de forma geral à movimentos espiritualistas de varias áreas específicas.