04/02/2022
CARTA ABERTA À COMUNIDADE IFSP
Nas últimas semanas de dezembro, nós, servidores (as) da Coordenadoria Técnico-Pedagógica (CTP) e da Diretoria SócioPedagógica (DSP) do câmpus São Paulo fomos informados (as) da decisão da Direção Geral e da Diretoria de Ensino da alteração da chefia da DSP.
Tal decisão unilateral, que posteriormente contou com o apoio da Pró-Reitoria de Ensino, aconteceu sem discussão prévia com os (as) servidores (as) da CTP e da DSP, o que demonstra o descaso e o desrespeito com a categoria técnico-administrativa.
A DSP e a CTP são setores de perfil essencialmente técnico-administrativo que congregam profissionais de distintas áreas, sendo elas: administração, educação, nutrição, psicologia e serviço social. Assim como os demais setores técnicos-administrativos, não se configuram de forma meramente tarefeira e são imprescindíveis para o cumprimento dos objetivos da instituição: a garantia de uma educação pública, laica, de qualidade e socialmente referenciada.
Desde a sua constituição, são equipes multidisciplinares cuja coordenação e direção é exercida por servidores técnicos-administrativos lotados no setor e com comprovada experiência nas frentes de atuação que vão desde ao atendimento biopsicossocial ao discente ao desenvolvimento da política de Assistência Estudantil e do Programa Nacional de Alimentação Escolar.
A decisão da direção do câmpus em substituir uma servidora técnico-administrativa com comprovada experiência nas demandas específicas da DSP por um servidor docente, representa um retrocesso no histórico processo de luta da categoria de técnicos-administrativos na valorização da sua força de trabalho e na busca por consolidar espaços mais horizontais, isonômicos e democráticos dentro dos institutos federais.
Entendemos e defendemos que uma política de gestão democrática pressupõe a participação de todos (as) os(as) servidores(as), não como meras executoras, mas com consciência e de forma inteligente, valorizando a atuação e qualificação destes(as) profissionais.
A escolha impositiva e a recusa em construir coletivamente um consenso sobre o (a) ocupante do cargo de diretor (a) da DSP, denota aspectos antidemocráticos, retrógrados e segregacionistas da instituição que, nas ações cotidianas, prescreve aos técnicos-administrativos um lugar de subalternidade.
Tal decisão nos alerta para o desrespeito aos princípios de gestão democrática expressos no Plano de Desenvolvimento Institucional do IFSP (2019-2023) no qual se reconhece a importância e a necessidade de “construir relações democráticas que criem um ambiente institucional propício ao diálogo e à participação”.
Estamos cientes de todas as dificuldades da atual conjuntura política e, justamente por isso, defendemos que o diálogo e a adoção de práticas democráticas são os caminhos incontornáveis para o fortalecimento das instituições.
A lamentável decisão despertou nos(as) servidores(as) o sentimento coletivo de indignação, desvalorização e desqualificação por parte da gestão do câmpus e da Pró-Reitoria de Ensino.
Reivindicamos que a escolha para o cargo de direção da DSP seja o resultado de uma consulta entre os (as) servidores(as) lotados(as) no setor, de modo semelhante ao que ocorre nas diretorias acadêmicas.
Esperamos que esta carta promova a reflexão e a transformação de toda a comunidade do câmpus São Paulo em um ambiente verdadeiramente democrático.
Por fim, prestamos nossa solidariedade à servidora Thais Surian.
São Paulo, 04 de fevereiro de 2022
Servidores(as) da Coordenadoria Técnico-Pedagógica e da Diretoria Adjunta SocioPedagógica