22/04/2020
“Vamos nos retirar na floresta, vamos ficar quietos e não vamos deixar mais ninguém entrar, porque tudo isso é nisun”
São inúmeras as narrativas de populações tradicionais onde se explicam simbolicamente o que a ciência desconfia. Elas sempre chamam atenção para a relação interespécies. E para o modo respeitoso e sagrado para com estes que tanto nos inspiram e nos ensinam - tanto em termos de movimento, quanto em termos de modos de lidar com a natureza.
Foi a cotia, por exemplo, que ensinou os quilombolas do Norte a plantar castanheiras (coisa que a biologia ainda não descobriu como fazer). Trata-se de uma técnica complexa, impossível de ser reproduzida em cativeiro.
Outras espécies nos inspiram ao movimento, ao sonho, a outras possibilidades. O morcego, o único mamífero que voa por natureza... yuxin... desmatamento e extinção de espécies fundamentais... sentarmo-nos debaixo das árvores para ouvir os nossos anciões... um remédio precioso.
Em nosso post de hoje da série Pandemia, Cultura e Sociedade Els Lagrou, professora titular de antropologia da UFRJ, propõe, através da filosofia ameríndia dos Huni Kuin, uma original leitura cosmo…