A maioria dos profissionais acredita que o principal desafio é prescrever um bom treino.
A ciência mostra que o maior desafio talvez seja outro: fazer as pessoas aderirem ao exercício físico de forma consistente.
Ao analisar mais de 3,3 milhões de indivíduos de 32 países, os pesquisadores observaram que apenas cerca de 1 em cada 5 pessoas atende simultaneamente às recomendações de exercício aeróbio e treinamento de força.
Mas o dado mais interessante está nos grupos que apresentam menor adesão.
Mulheres, pessoas mais velhas, indivíduos com menor nível educacional, pessoas com obesidade ou baixo peso e aqueles que relatam pior estado de saúde são os grupos com menor probabilidade de atingir as recomendações mínimas de atividade física.
Isso significa que justamente as pessoas que mais poderiam se beneficiar do exercício são as que menos conseguem mantê-lo ao longo do tempo.
Para nós, Personal Trainers, essa informação tem uma implicação prática importante:
Talvez nossa principal competência não seja apenas prescrever séries, repetições e cargas.
Talvez seja construir estratégias que aumentem a adesão.
✔️ Simplificar metas.
✔️ Criar hábitos sustentáveis.
✔️ Reduzir barreiras.
✔️ Adaptar o treino à realidade do aluno.
✔️ Fazer com que ele continue treinando daqui a 6 meses, e não apenas nas próximas 6 semanas.
A prescrição perfeita tem pouco valor quando não é executada.
A melhor estratégia continua sendo aquela que o aluno consegue manter.
Qual a maior dificuldade dos seus alunos hoje: falta de tempo, motivação ou consistência?
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saude
Alexandre Evangelista
Página para estudantes e graduados em Educação Física. Aqui você vai encontrar discussões pertinentes a área da saúde com foco na prescrição de treino.
📊 O que talvez mais surpreenda nesse estudo não é que a musculação gera hipertrofia.
É que ela gera hipertrofia de forma bastante consistente.
Ao reunir 111 estudos e 1.927 homens saudáveis, os pesquisadores observaram um ganho médio de aproximadamente 1,5 kg de massa muscular após os programas de treinamento de força.
Mas existe um detalhe importante para nós, profissionais de Educação Física:
Nem idade, nem peso corporal, nem altura, nem experiência prévia de treinamento foram capazes de explicar quem ganharia mais ou menos massa muscular. Os autores também não encontraram influência da duração do programa, da frequência semanal, da intensidade utilizada ou da quantidade de exercícios realizados por sessão sobre a variação dos resultados.
Isso significa que prever exatamente quanto um aluno irá hipertrofiar continua sendo um grande desafio.
Por outro lado, uma variável chamou atenção: o número de séries realizadas dentro da mesma sessão.
Quando o volume por treino aumentava excessivamente, os ganhos de massa muscular tendiam a diminuir.
💡 Como Personal Trainer, talvez a pergunta mais importante não seja:
“Como colocar mais exercícios no treino?”
Mas sim:
“Como distribuir melhor o volume ao longo da semana?”
Muitas vezes, dividir o mesmo volume em duas ou três sessões gera mais qualidade de execução, menor fadiga acumulada e um ambiente mais favorável para adaptações musculares.
A mensagem prática é simples:
Não confunda mais trabalho com mais resultado.
A arte da prescrição está em encontrar a dose certa.
A revisão científica mais recente conclui que o impacto dos GLP-1 sobre os ossos ainda não está totalmente esclarecido. Os pesquisadores sugerem que parte da redução da densidade óssea observada pode estar relacionada ao próprio emagrecimento acelerado, e não necessariamente a um efeito direto do medicamento. Além disso, os dados atuais indicam que indivíduos mais velhos, mulheres pós-menopausa e pessoas com fatores de risco para osteoporose merecem monitoramento mais cuidadoso durante tratamentos prolongados com essas medicações.
Números-chave para destacar no vídeo:
+30% de risco relativo de osteoporose em usuários de GLP-1.
+12% de risco relativo de gota.
Semaglutida promove perdas de peso próximas de 15% em indivíduos com obesidade.
Estudos encontraram redução de 2,1% na densidade óssea da coluna e 2,6% no quadril após 52 semanas de uso. Exercício físico associado ao tratamento ajuda a minimizar a perda óssea.
Um aspecto interessante do estudo é que os pesquisadores utilizaram acelerômetros, em vez de questionários, para medir a atividade física. Isso é importante porque as pessoas costumam superestimar o quanto se exercitam quando respondem pesquisas. Além disso, foram registrados 1.233 eventos cardiovasculares ao longo do acompanhamento, incluindo fibrilação atrial, infarto, insuficiência cardíaca e AVC, o que confere maior robustez aos resultados observados.
Outro achado relevante foi que a aptidão cardiorrespiratória apresentou uma associação protetora própria. Os autores observaram que cada aumento de 5 mL/kg/min no VO₂máx esteve associado a aproximadamente 10% menos risco cardiovascular, mesmo após considerar os níveis de atividade física. Isso reforça uma mensagem importante para os profissionais de Educação Física: não basta apenas acumular minutos de exercício. Estratégias que promovam melhorias reais no condicionamento cardiorrespiratório — como treinamento intervalado, exercícios contínuos em intensidades moderadas a vigorosas e programas progressivos de resistência aeróbica — podem gerar benefícios adicionais para a saúde cardiovascular dos alunos e clientes.
E tem mais um ponto muito importante: o estudo mostra que o treinamento de força funciona em diferentes faixas etárias, inclusive em idosos e em pacientes no pós-cirúrgico. Em pessoas com prótese de quadril, por exemplo, o treino de força ajudou a recuperar mais rápido a capacidade de andar, subir escadas e levantar da cadeira. Já em pacientes com tendinopatias, como tendão patelar e tendão de Aquiles, protocolos com cargas mais pesadas e execução lenta apresentaram melhora não só da dor, mas também da estrutura do tendão. Outro detalhe interessante é que o treinamento periodizado, com progressão gradual das cargas, parece ser mais eficiente do que treinos sem planejamento. Ou seja: o segredo não é simplesmente colocar carga, mas saber como evoluir o treino de forma segura e estratégica.
Outro ponto interessante do estudo é que os pesquisadores utilizaram um equipamento chamado MyotonPRO para avaliar objetivamente a recuperação muscular. Esse aparelho mede características como tensão, rigidez, elasticidade e capacidade de relaxamento do músculo, permitindo uma análise muito mais precisa da recuperação após o treino intenso.
Além disso, os autores destacam que o foam rolling parece atuar aumentando o fluxo sanguíneo local e estimulando receptores presentes na fáscia e no tecido muscular. Isso pode ajudar a reduzir a rigidez muscular e melhorar a mobilidade sem prejudicar a performance. Os pesquisadores também observaram que movimentos mais lentos durante o foam rolling parecem gerar melhores efeitos na redução da tensão muscular quando comparados a movimentos rápidos.
Outro detalhe importante é que a massagem percussiva também apresentou potencial para melhorar mobilidade e circulação local, mas ainda existem poucos estudos científicos avaliando seus efeitos a longo prazo. Segundo os autores, apesar da popularidade das massage guns nas academias e no esporte, o foam rolling ainda possui evidências científicas mais consistentes para recuperação muscular.
Para profissionais de Educação Física que trabalham com treinamento personalizado, o estudo também reforça a importância do acompanhamento individual na regulação da carga e na construção da aderência ao exercício. Em muitos casos, o problema não está no método utilizado, mas na forma como ele é aplicado. Estratégias como ajuste progressivo da intensidade, monitoramento da percepção subjetiva de esforço, variação inteligente dos estímulos e comunicação constante com o aluno podem reduzir significativamente a fadiga excessiva e aumentar a permanência no programa. Além disso, alunos que percebem atenção individualizada, evolução progressiva e segurança durante o treino tendem a desenvolver maior vínculo com o processo, melhorando não apenas a adesão, mas também os resultados físicos e comportamentais no longo prazo.
Manter as mitocôndrias funcionando de forma eficiente ao longo do envelhecimento é importante porque elas são responsáveis por produzir a maior parte da energia das células. Com o avanço da idade, a redução da função mitocondrial está associada à fadiga, perda de massa muscular, declínio cognitivo e maior risco de doenças metabólicas e cardiovasculares. Quando as mitocôndrias permanecem saudáveis, o organismo tende a apresentar melhor disposição física e mental, maior capacidade de regeneração celular e menor acúmulo de danos causados pelos radicais livres. Hábitos como atividade física regular, sono adequado, alimentação equilibrada e controle do estresse ajudam a preservar a eficiência mitocondrial, contribuindo para um envelhecimento mais saudável, com mais autonomia e qualidade de vida.
Outro ponto interessante do estudo é que os pesquisadores identificaram que a resposta ao treinamento parece ter relação com a ativação de diferentes genes ligados ao metabolismo energético e às adaptações cardiovasculares. Isso ajuda a explicar por que alguns indivíduos apresentam grandes melhorias mesmo com estímulos moderados, enquanto outros necessitam de intervenções mais específicas para obter evolução semelhante. Na prática, isso reforça a importância de avaliações periódicas, acompanhamento individual e ajustes constantes no planejamento do treino ao longo do processo.
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