Dan Linetzky Waitzberg

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Além do desempenho esportivo em atividades de alta intensidade, a creatina apresenta relevante potencial terapêutico na ...
23/09/2026

Além do desempenho esportivo em atividades de alta intensidade, a creatina apresenta relevante potencial terapêutico na reabilitação pós-lesão e no combate à perda de massa e força muscular decorrentes de imobilização prolongada.

Aplicações Clínicas

Combate à Sarcopenia: Associada ao treinamento de resistência, a suplementação facilita o ganho de massa magra, melhora o metabolismo proteico e ajuda a deter o declínio funcional do envelhecimento.

Saúde Cerebral: Aumenta os estoques cerebrais de creatina ao regenerar ATP a partir do ADP. Evidências preliminares sugerem benefícios cognitivos em contextos de estresse metabólico (privação de sono, envelhecimento e traumatismo). Atenção: Não há dados consolidados para condições como Alzheimer; promessas de ganho cognitivo isolado devem ser evitadas.

Segurança e Prescrição

Perfile de Segurança: A creatina monohidratada é segura para adultos saudáveis. Pode haver elevação discreta e transitória da creatinina sérica sem afetar a taxa de filtração glomerular.

Populações Especiais: Exige cautela e avaliação individual em pacientes com doença renal preexistente e em adolescentes, devido à escassez de dados de longo prazo.

Posologia: Uso padrão com saturação de ~20 g/dia por 5 a 7 dias, seguida de manutenção de 3 a 5 g/dia (creatina monohidratada).

Qualidade e Efeitos Colaterais: Orientar a escolha de produtos com certificação independente. Manter hidratação adequada para evitar desconfortos gastrointestinais, inchaço ou cãibras.

Consideração Final
A creatina otimiza força e potência, mas seus resultados dependem diretamente de um planejamento nutricional sólido e de um programa de exercícios e reabilitação bem estruturado.

A resposta depende também de qual ácido graxo — DHA ou EPA — é priorizado, já que eles atuam por mecanismos distintos.DH...
14/09/2026

A resposta depende também de qual ácido graxo — DHA ou EPA — é priorizado, já que eles atuam por mecanismos distintos.
DHA é o ômega-3 predominante nas membranas neuronais e parece mais relevante para plasticidade sináptica e volume cerebral, enquanto EPA tem ação anti-inflamatória mais marcada, incluindo modulação do inflamassoma NLRP3 e redução de tau fosforilada insolúvel em modelos animais. Um estudo em camundongos 3xTg-AD mostrou que dietas com DHA ou DHA+EPA reduziram tau fosforilada cortical em ~34%, mas apenas a dieta rica em EPA reduziu tau insolúvel, sem efeito de nenhum dos dois sobre beta-amiloide.

Em humanos, uma metanálise de coortes prospectivas associou maior ingestão de DHA especificamente a menor risco de declínio cognitivo, com cada 0,1 g/dia adicional de DHA ou EPA reduzindo o risco em 8-9,9%. [3]

Uma revisão de diferenças por s**o e raça sugeriu que DHA parece mais benéfico que EPA para função cognitiva, com maior efeito quando a suplementação é iniciada antes do declínio cognitivo estabelecido. Já em portadores de APOE4, maior DHA+EPA sérico associou-se a maior volume de substância cinzenta e menor acúmulo de beta-amiloide em regiões vulneráveis à Alzheimer. [5]

Na Prática Clínica: a maioria dos RCTs positivos usa DHA isolado ou combinações DHA-predominantes (proporção DHA:EPA de ~2:1 a 4:1), refletindo a composição natural do tecido cerebral. EPA isolado tem menos dados diretos em cognição humana, mas mecanismos anti-inflamatórios promissores em pré-clínico.

Ainda não há RCTs comparando diretamente DHA vs. EPA isolados em desfechos cognitivos robustos — a maior parte da evidência de suplementação combina os dois.

Doses sugeridas com base nos estudos disponíveis:
900 mg/dia de DHA isolado — melhora de memória episódica em 24 semanas.
1.000-2.000 mg/dia de EPA+DHA combinados — sinal mais consistente em comprometimento cognitivo leve.
Mais de 1 g/dia de DHA+EPA — melhora de memória episódica independente do status cognitivo basal.

Damos continuidade à nossa análise do estudo de Turesson Wadell et al. (2026) sobre o consumo de alimentos ultraprocessa...
09/09/2026

Damos continuidade à nossa análise do estudo de Turesson Wadell et al. (2026) sobre o consumo de alimentos ultraprocessados (AUPs) por jovens veganos e vegetarianos.

Na Parte 1 vimos que os veganos consomem mais AUPs e obtêm quase todos os seus micronutrientes críticos deles, a grande dúvida clínica é: isso piora os marcadores de saúde?

Resultados para a prática:
1-Exames bioquímicos estáveis: O consumo de ultraprocessados não foi associado a piores indicadores bioquímicos do estado nutricional (como hemoglobina, vitamina D, homocisteína ou ácido metilmalônico para B12).
2-O Paradoxo do Conhecimento: Na população geral do estudo, um maior consumo de AUPs foi associado ao menor nível de conhecimento geral sobre nutrição, menor consumo de grãos integrais e maior consumo de açúcares livres. No entanto, os veganos mantiveram consumo adequado sem aumentar a ingestão de açúcares livres.

Considerações para Nutricionistas e Médicos:
1. Nem todo AUP é igual: Precisamos diferenciar "calorias vazias" de "AUPs fortificados" (como bebidas de aveia enriquecidas), que desempenham um papel protetor na dieta plant-based.
2. Cuidado com orientações genéricas: Desencorajar o consumo de todos os AUPs de forma irrestrita pode, inadvertidamente, colocar jovens veganos em risco de deficiência nutricional. As diretrizes precisam considerar os produtos fortificados de base vegetal.
3. Foco no padrão global:A dieta vegana, mesmo contendo mais AUPs, demonstrou ser rica em fibras e pobre em gorduras saturadas.

Referências
Turesson Wadell, A., Mulkerrins, I. & Larsson, C. Ultra-processed food intake and its nutritional consequences among youth when consuming vegan, lacto-ovo-vegetarian, pescatarian or omnivore diets: a cross-sectional study. Nutrition Journal 25, 83 (2026). https://doi.org/10.1186/s12937-026-01378-8

As recomendações atuais incentivam a transição para dietas baseadas em vegetais (plant-based). Porém, o mercado responde...
08/09/2026

As recomendações atuais incentivam a transição para dietas baseadas em vegetais (plant-based). Porém, o mercado respondeu com uma avalanche de alimentos ultraprocessados (AUPs) baseados em plantas.

Mas será que todo ultraprocessado é o vilão da história?
Um estudo transversal recente publicado no *Nutrition Journal* investigou o consumo de AUPs em jovens (16-24 anos) veganos, ovolactovegetarianos, pescetarianos e onívoros na Suécia.

Resultados desafiam o senso comum:
1-Maior consumo de AUPs em veganos Os jovens veganos obtiveram significativamente mais energia, nutrientes e sal a partir de AUPs do que os outros grupos.
2-Dependência nutricional. Surpreendentemente, os veganos obtiveram toda a sua vitamina D e vitamina B12 exclusivamente através de ultraprocessados (como leites vegetais e substitutos de carne fortificados)
3- O "plot twist" da saúde: Apesar do maior consumo de ultraprocessados, os veganos não apresentaram maior ingestão calórica total nem maior Índice de Massa Corporal (IMC). Pelo contrário, consumiram mais fibras dietéticas e ácidos graxos poli-insaturados, e menos gordura saturada que os outros grupos .

Na prática clínica?
O sistema NOVA classifica os alimentos pelo grau de processamento, sem considerar a densidade nutricional. Substitutos lácteos enriquecidos e opções ricas em proteínas de origem vegetal caem na mesma categoria que refrigerantes e doces. Para pacientes veganos, esses AUPs fortificados são frequentemente importantes para atingir as metas de micronutrientes (cálcio, zinco e vitamina B12).

Fique ligado na Parte 2, onde abordaremos os impactos bioquímicos e como orientar seus pacientes de forma estratégica! 👇

Referência:
Turesson Wadell, A., Mulkerrins, I. & Larsson, C. Ultra-processed food intake and its nutritional consequences among youth when consuming vegan, lacto-ovo-vegetarian, pescatarian or omnivore diets: a cross-sectional study. Nutrition Journal 25, 83 (2026). https://doi.org/10.1186/s12937-026-01378-8

Prescrever "fibra" sem especificar o tipo é como prescrever "antibiótico" sem dizer a classe. Cada fibra tem perfil próp...
04/09/2026

Prescrever "fibra" sem especificar o tipo é como prescrever "antibiótico" sem dizer a classe. Cada fibra tem perfil próprio de eficácia e efeitos adversos.

ATUALIZAÇÃO ROME V
O processo Rome V discute ajustes na nomenclatura da constipação crônica e propõe incluir "desconforto" na definição da SII-C.

São mudanças ainda em incorporação à prática — as diretrizes de referência seguem baseadas em Rome IV.

PSYLLIUM
• Vantagem: melhor evidência para constipação crônica idiopática e SII-C.
• Dose: 5–15 g/dia, aumento gradual.
• Efeitos: flatulência e distensão inicial.
• Interações: reduz absorção de lítio e carbamazepina .

METILCELULOSE
• Vantagem: não fermentável, bem tolerada, sem interações relevantes documentadas.
• Dose: 2 a 6 g/dia.

POLICARBOFILA CÁLCICA
• Vantagem: alta capacidade hidrofílica.
• Dose: 1,25 g, de 1 a 4 vezes ao dia.
• Interações: conteúdo de cálcio reduz absorção de tetraciclinas, quinolonas e levotiroxina .

TRIGO E INULINA Farelo de trigo pode piorar dor/desconforto e endurecer fezes em alguns pacientes. Inulina gera gases sem aumento proporcional do bolo f***l.

ALÉM DOS SUPLEMENTOS
• Kiwi: 2 unidades/dia, eficácia comparável a psyllium e ameixa, com melhor tolerabilidade.
• Ameixa seca: eficaz pela combinação de fibras e sorbitol, tolerabilidade levemente inferior ao kiwi.
REGRA DE OURO Aumentar fibra sem aumentar água pode piorar a constipação. Hidratação é inegociável.

LIMITAÇÕES E RED FLAGS Fibra é 1ª linha principalmente para trânsito normal; trânsito lento ou disfunção de saída respondem pior e exigem investigação dirigida. Uso empírico de fibras nunca deve atrasar investigação diante de sangramento, perda de peso inexplicada, anemia ou mudança súbita do hábito intestinal, especialmente em idosos.

NA PRÁTICA CLÍNICA Psyllium segue como 1ª escolha entre suplementos; kiwi como opção dietética bem tolerada. Individualizar conforme desconforto/distensão, com atenção redobrada a fibras muito fermentáveis.

Um estudo epidemiológico que acompanhou 5.520 pessoas com 50 anos ou mais por 6 anos, alarma e alerta os profissionais q...
02/09/2026

Um estudo epidemiológico que acompanhou 5.520 pessoas com 50 anos ou mais por 6 anos, alarma e alerta os profissionais quem trabalham com nutrição clínica e envelhecimento.

Método
Os participantes foram divididos em 6 grupos, para cruzar a presença de obesidade abdominal (circunferência da cintura > 102 cm em homens e > 88 cm em mulheres) com os níveis séricos de 25-hidroxivitamina D (suficiente, insuficiente ou deficiente).

Resultados
Indivíduos com obesidade abdominal associada à deficiência de vitamina D apresentaram, 123% mais risco de morte (HR 2,23) em comparação ao grupo sem obesidade abdominal e com vitamina D suficiente.

Mas, ATENÇÃO: mesmo sem obesidade abdominal, a simples deficiência ou insuficiência de vitamina D já elevou o risco de morte em 81% e 91%, respectivamente. Ou seja, a vitamina D, isolada já prediz mortalidade nessa faixa etária —independente do peso corporal.

Por que?
A gordura visceral sequestra a vitamina D circulante nos receptores do tecido adiposo, reduzindo sua biodisponibilidade. Ao mesmo tempo, a deficiência de vitamina D compromete a regulação imune e favorece um estado inflamatório crônico de baixo grau. Combinados, obesidade abdominal e hipovitaminose D potencializam resistência à insulina, estresse oxidativo e disfunção metabólica — um terreno fértil para desfechos
negativos.

Na prática clínica:
Circunferência da cintura e dosagem de vitamina D são exames simples, baratos e acessíveis. Este estudo reforça que rastrear essas duas condições em conjunto — e não isoladamente — pode ajudar a identificar precocemente pacientes de maior risco acima dos 50 anos, abrindo espaço para intervenção nutricional e clínica precoces.

Em nutrição clínica, avaliamos o corpo de forma integrada — e não por marcadores isolados.

Neste mês de agosto, em que celebramos o Dia do Nutricionista, faço questão de deixar a minha homenagem e o meu mais pro...
31/08/2026

Neste mês de agosto, em que celebramos o Dia do Nutricionista, faço questão de deixar a minha homenagem e o meu mais profundo reconhecimento a vocês.

Vejo diariamente que a nutrição não se esconde em metáforas: ela é a ciência exata e o cuidado prático que sustenta a vida. Na alimentação do nosso dia a dia, vocês são a base da prevenção e da saúde.

À beira do leito hospitalar e na complexidade do home care, o trabalho de vocês é o suporte essencial que devolve a força ao doente, garantindo que o corpo tenha os nutrientes necessários para se recuperar.

Como médico e pesquisador, sei que vocês são o elo indispensável da equipe multiprofissional. Na pesquisa, buscam incansavelmente as melhores evidências para transformar a nossa prática clínica. Na docência, ensinam e preparam com rigor as próximas gerações.

E, para além de toda essa excelência técnica, deixo a minha reverência à mulher ou homem por trás do jaleco.

O profissional de múltiplas tarefas, que depois de um dia exaustivo de trabalho, continua a ser o centro de tudo.

A mãe ou pai que acolhe, a esposa(o) companheira(o) e a dona(o) de casa que equilibra com rara maestria as grandes exigências da profissão com a rotina e o afeto da própria família.

Neste 31 de agosto, recebam o meu abraço de colega e a minha total gratidão.

Obrigado por nutrirem a ciência, o cuidado aos nossos pacientes e os laços humanos com tanta dedicação.

Feliz Dia do Nutricionista!

Café, paixão mundial, saiba o que a ciência de alto impacto encontrou sobre o seu efeito no eixo intestino-cérebro? Um e...
31/08/2026

Café, paixão mundial, saiba o que a ciência de alto impacto encontrou sobre o seu efeito no eixo intestino-cérebro?

Um estudo de 2026, da Nature Communications traz novas evidências sobre como o consumo habitual de café molda a nossa microbiota intestinal (MI) e afeta diretamente a fisiologia, a imunidade e a cognição humana. :

Método
Estudo prospectivo com 62 adultos saudáveis comparou transversalmente 31 não consumidores de café com 31 consumidores habituais em sua fase basal. Os consumidores habituais passaram por um período de abstenção de 14 dias, seguido por reintrodução randomizada e duplo-cega de café cafeinado ou descafeinado durante 21 dias. A investigação utilizou metagenômica sh***un do microbioma intestinal, metabolômica direcionada e não direcionada (fezes e urina), além de análises de marcadores imunológicos, cortisol salivar e te**es neuropsicológicos.

Resultados
Assinatura no Microbioma: Consumidores regulares de café apresentam composição microbiana f***l distinta, que inclui maior abundância relativa de espécies como Cryptobacterium e Eggerthella.

Metabólitos Neuroativos e Imunidade: O consumo altera a concentração de metabólitos essenciais, nas vias que envolvem o ácido indol-3-propiônico, o indol-3-carboxaldeído e o neurotransmissor GABA. Pode também haver potencial efeito modulador imunológico, associado a níveis basais mais baixos de Proteína C-Reativa (PCR) e alterações na secreção de citocinas (como IL-6 e IL-10).

Cognição (Cafeinado vs. Descafeinado): A reintrodução controlada revelou que o café com cafeína contribuiu para a redução da ansiedade, enquanto o café descafeinado esteve mais fortemente associado a melhoras na memória episódica, qualidade do sono e nível de atividade física.

Individualidade Metabólica: O estudo confirmou grande variabilidade interindividual no metabolismo dos polifenóis do café, reafirmando o papel central da microbiota de cada indivíduo na biodisponibilidade e na resposta a esses nutrientes.

Pacientes com insuficiência respiratória aguda enfrentam longos períodos de imobilidade e baixa ingestão nutricional nas...
28/08/2026

Pacientes com insuficiência respiratória aguda enfrentam longos períodos de imobilidade e baixa ingestão nutricional nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), o que pode resultar em prejuízos funcionais duradouros.

Para buscar melhorar esse cenário, o estudo NEXIS , investigou o efeito de uma abordagem combinada precoce para melhorar a recuperação física desses pacientes.

Metodos:
Tipo: Ensaio clínico randomizado multicêntrico (Fase 2).
Intervenção: Uso de cicloergômetro no leito de forma protocolizada (45 min/dia) + infusão intravenosa de aminoácidos (meta de ingestão proteica total de 2,0 a 2,5 g/kg/dia) + cuidados habituais.
Controle: Apenas cuidados habituais.
Desfecho Primário: Distância percorrida no Teste de Caminhada de 6 Minutos (TC6) no momento da alta hospitalar.

Principais Resultados:
Foram randomizados 115 pacientes (idade mediana de 55 anos, >90% em ventilação mecânica). O recrutamento foi interrompido precocemente devido à lentidão, mas não houve evidências de problemas de segurança.

O grupo de intervenção atingiu uma média de 40 min/dia de ciclagem e ingestão proteica de 1,9 g/kg/dia (contra 0 min/dia e 0,9 g/kg/dia no grupo controle).

Apesar da viabilidade e segurança da intervenção, não houve diferença significativa no desfecho primário: a mediana do TC6 na alta foi de 108m na intervenção contra 95m no controle (P = 0,51). Os desfechos secundários (funcionalidade na alta da UTI/hospital e no acompanhamento de 6 meses) também foram semelhantes entre os grupos.

Na Prática Clínica: A combinação de cicloergometria precoce no leito e suplementação de aminoácidos em pacientes com IRA foi segura e viável, mas, não resultou em melhorias significativas na capacidade funcional durante a hospitalização ou no seguimento de longo prazo (6 meses).

A reabilitação e intervenção nutricional no paciente crítico é complexa e necessitam mais estudos para reverter a fraqueza adquirida na UTI ainda demandam mais investigações.

Cada dia sabemos mais sobre o "eixo microbiota-intestino-cérebro". Para adultos que sofrem com a insônia ou baixa qualid...
26/08/2026

Cada dia sabemos mais sobre o "eixo microbiota-intestino-cérebro". Para adultos que sofrem com a insônia ou baixa qualidade de sono, o centro do problema pode estar no desequilíbrio das bactérias intestinais.

Metanálise focada em adultos com insônia apontou que:
"Assinatura" Microbiológica da Insônia: Adultos com dificuldade crônica para dormir apresentam redução na riqueza de espécies de bactérias no intestino.

Há uma separação clara na "diversidade beta", o que significa que a estrutura geral do ecossistema intestinal do insone é diferente da de quem dorme bem.

Bactérias em Desequilíbrio:
Existe mudança na composição da microbiota intestinal: há diminuição de bactérias benéficas protetoras (como Faecalibacterium e Lachnospira) e aumento de outras (como Blautia e Eubacterium hallii). Cama a atenção que essas proporções estão diretamente ligadas à gravidade da insônia.

Marcador da Inflamação:
A queda de Faecalibacterium e o aumento de Blautia estão diretamente correlacionados com níveis elevados de Interleucina-6 (IL-6), marcador inflamatório no sangue. Também foram observadas alterações em marcadores metabólicos importantes, como fenol e adenosina (substância crucial para o acúmulo da "pressão de sono" ao longo do dia).

Bloqueio Químico do Sono:
O intestino afeta o cérebro na hora de dormir por quatro caminhos principais causados pela disbiose:
Queda na produção de Ácidos Graxos de Cadeia Curta (SCFAs).

Disfunção da Barreira Intestinal: Permite que toxinas ativem respostas imunológicas sistêmicas.

Ativação do Eixo HPA: Mantém o corpo em estado de estresse e alerta (luta ou fuga), impede o relaxamento.

Alteração no Metabolismo do Triptofano: O intestino desregulado prejudica a síntese de triptofano, matéria-prima direta para a serotonina e em consequência, para a síntese de melatonina (o hormônio do sono).

Na prática clínica:
Tratar a insônia apenas com foco no cérebro (ou com medicações sedativas) pode tratar metade do problema.

Endereço

Rua Maestro Cardim 1175
São Paulo, SP
01321001

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