10/09/2026
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Uma aula do 9º ano terminou de uma forma que os alunos provavelmente não esperavam. Durante a aula, um grupo de estudantes passou a chamar uma colega negra de “Zé Gotinha da Petrobras”. Enquanto os adolescentes riam e continuavam com as provocações, a menina chorava.
Diante da situação, o professor interrompeu a aula, conectou o notebook ao datashow e acessou o serviço eletrônico da Polícia Civil. Na frente da turma, registrou um Boletim de Ocorrência relatando o episódio.
Em seguida, projetou informações sobre racismo e explicou que determinadas atitudes podem gerar consequências jurídicas.
O clima mudou imediatamente. O que antes provocava risadas passou a causar preocupação entre os alunos. Depois do episódio, algumas mães procuraram a escola e acusaram o professor de constranger os adolescentes e praticar “terrorismo psicológico” contra eles.
A pedido do professor, os nomes da escola e da rede de ensino não foram divulgados, seguindo uma orientação jurídica recebida pelo sindicato da categoria.
O episódio também levanta uma discussão maior sobre o chamado “preconceito recreativo”, quando ofensas racistas, gordofóbicas, homofóbicas e outras formas de humilhação são tratadas como simples apelidos ou brincadeiras.
Dependendo da apuração e da idade dos envolvidos, uma conduta desse tipo pode resultar em medidas previstas na legislação, inclusive medidas socioeducativas para adolescentes, além de possíveis consequências na esfera civil.
Ser adolescente não significa estar livre de consequências.
E defender um filho quando ele erra não significa atacar quem estabeleceu um limite. Também é papel dos responsáveis ajudar o adolescente a entender a gravidade de seus atos e assumir as consequências.
Naquela sala, alguns alunos precisavam entender que racismo não deixa de ser racismo porque alguém decidiu chamar de brincadeira.
E havia uma menina chorando, precisando que um adulto dissesse aquilo que talvez ninguém tivesse dito antes:
Chega.
📷 Reprodução (Professor Fabio Flores)