16/10/2022
Dia Mundial da Alimentação e a equipe da Nascente Casa Editorial volta a reiterar que a fome é uma decisão política. Na reta final da campanha presidencial mais importante da história do País desde a redemocratização → reafirmamos que a luta é por uma governança e pelo reconhecimento de direitos que reflitam em uma agricultura inclusiva, solidária e plural, que envolva consciência coletiva, engajamento social e preservação ambiental.
📷 durante passagem por Cruzeiro e Morro Agudo, interior de São Joaquim (SC). Joelce e Maria são um casal de agroextrativistas que cultiva e produz comida orgânica e artesanal em uma região que sofre a pressão diária do agronegócio. Joelce migrou do modelo tradicional para o agroecológico depois de três internações por infecção grave devido ao uso recorrente de insumos sintéticos e químicos. "Eu quase morri. Foram experiências muito traumáticas para mim e minha família. Dinheiro algum substitui o bem-estar, a saúde e a qualidade de vida das plantas, dos animais que se nutrem delas e de quem tira o seu sustento da terra. A retomada de um entendimento integrador e sistêmico mudou a minha cabeça e a minha relação com a natureza", comenta o agricultor em entrevista concedida a Carolina Pinheiro em 4 de junho de 2022.
→ Viagem de cobertura da cadeia produtiva do pinhão na serra catarinense realizada ao lado do fotojornalista e parceiro Fellipe Abreu
14/11/2021
"O projeto Rede de Sementes do Vale do Ribeira conta com 42 quilombolas de 4 comunidades (André Lopes, Nhunguara, Bombas e Maria Rosa) que coletam sementes nativas florestais e plantam, utilizando todo seu conhecimento e saberes ancestrais".
➥ Quilombolas durante dia de colheita em povoado do Vale do Ribeira. Há dois métodos utilizados pelos agricultores familiares: puxirão, ato de colher a roça de um único morador, e mutirão, quando todos se reúnem para a colheita da comunidade. De acordo com pesquisadores da USP e Unicamp, o incentivo e a valorização dos costumes ancestrais é ponto indissociável da preservação da cultura popular regional.
O biólogo Nelson Novaes Pedroso Junior, durante a realização de seu doutorado, entrevistou 20 agricultores de 11 comunidades locais. Sua análise revelou que metade das 142 variedades de 53 espécies agrícolas cultivadas – 22 de arroz, 19 de mandioca, 16 de banana, 13 de feijão, 10 de cará, 10 de abóbora, 6 de batata-doce, entre outras – havia se perdido.
Tudo por conta da falta de políticas públicas que visassem ao desenvolvimento sustentável da região. Legislação truncada e ausência do Estado geraram um hiato histórico, que começou a se dissolver a partir da mobilização dos quilombos. O trabalho conjunto entre moradores, Instituto Socioambiental (ISA) e parceiros resultou em ações efetivas de recuperação do patrimônio agrícola. A Feira de Troca de Sementes e Mudas Tradicionais das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira, que acontece anualmente desde 2008, foi uma delas. "O evento surge justamente para manter a discussão sobre as roças e permitir o intercâmbio e resgate de sementes entre os agricultores quilombolas", esclarece nota publicada pelo ISA em sua página na internet.
O Sistema Agrícola Quilombola, composto por suas roças tradicionais e quintais, tem garantido a segurança alimentar das comunidades do Ribeira há mais de 300 anos. “Aqui fazemos duas coisas importantes. Saímos do eu para trabalhar para o nós e saímos do meu para trabalhar para o nosso”, conta Benedito Alves da Silva, o Ditão, líder comunitário do Quilombo de Ivaporunduva, em entrevista para Eduardo Cesar (revista Pesquisa FAPESP).
Fontes Instituto Socioambiental - ISA e Pesquisa Fapesp 📷 Manoela Meyer
"A mandioca é um produto que cultivamos nas nossas comunidades. Essa terra abençoada faz brotar mandioca em grande abundância, mas tem um segredo especial, que vamos te contar: A terra responde com fartura e agradecida quando nós plantamos, respeitando o meio ambiente, os animais, os rios e as plantas sem usar agrotóxicos. Assim é o nosso Sistema Agrícola Tradicional Quilombola (SATQ). Essa forma de plantar sustentável e respeitosa com a natureza pode salvar o mundo. Temos orgulho de contribuir para saúde não apenas das nossas comunidades, mas de todo o planeta". Cooperquivale
13/05/2021
O Brasil para o Brasil ➥ arquivo
Durante expedição realizada em 2014, percorremos municípios como Pirapora, Buritizeiro, Ponto Chique e Três Marias. Fomos atrás das raízes da cultura popular do médio São Francisco. No caminho, encontramos personagens como Moranga e seu Quelé, figuras carismáticas, conhecedoras do contexto histórico e dos problemas enfrentados pelos pescadores da região - considerada o berço da tradição pesqueira de Minas Gerais. A bacia hidrográfica do Velho Chico possui 2.863 km de extensão e percorre 507 municípios de sete unidades da federação. A beira d'água serve de abrigo para os povos tradicionais. Das matas de encosta, nasceu a cultura barranqueira, das carrancas, dos poetas, vapores e seres mágicos. Toda esta personalidade original está em risco por conta da ação predatória do homem.
: Adilson Capeta, morador da Cachoeira do Manteiga, vilarejo banhado pelo Rio São Francisco. Há 30 anos, o pescador navega pelas suas águas. "Nunca vi o rio desse jeito. Está muito mal. Onde é que isso vai dar?", questiona. A rede? Volta vazia para dentro do barco.
A depredação das margens e do leito de um dos principais rios do Brasil ameaça a manutenção das comunidades que dependem dele para a sua subsistência. São povos antigos, que trazem na pesca a prática da vida.
📷 Tom Alves ()
12/05/2021
Seriema (Cariama cristata) – uma das aves símbolo do Cerrado – é a representante da fauna brasileira escolhida para o logotipo da Nascente Casa Editorial
Colorida e carismática, ela é típica das campinas do alto da serra brasileira e de outras localidades da América do Sul. Tem a personalidade e a ginga de um país cuja terra – repleta de mananciais – é o princípio de tudo. ➥ foto Marcos Amend
Acompanhe o nosso trabalho também pelos canais do Instagram e .brasil – projeto sobre agricultura orgânica e familiar no Brasil. Amazônia: comida ancestral é o primeiro volume e está em fase de captação.
Publisher
Carolina Pinheiro (.a.pinheiro)
10/05/2021
Amazônia: comida ancestral
Comida de Verdade •
Texto Carolina Pinheiro
Fotografia Maurício de Paiva
Direção de arte Roberto Sakai
Estamos em captação
www.amazoniacomidaancestral.com
: Durante a safra de açaí, dois dias de coleta do fruto na mata garantem alimento e bons negócios no baixo rio Tocantins, no Pará. Agricultores familiares de Cametá enchem as “latas”, ou “rasas” (o volume estocado nos paneiros, cestos tecidos com fibras naturais) nas beiras dos igarapés e depois levam a carga em canoas para a vila próxima ou para cooperativas. Poucos cachos do fruto são suficientes para encher uma rasa que, no ápice da safra, pode valer mais de 70 reais.
10/05/2021
Os banners de promoção e divulgação estão no ar nos nossos canais do Instagram, Facebook e LinkedIn. Alma de Serra é um projeto que integra livro e plataforma web. Aprovado na lei Rouanet, em outubro de 2019, retratará uma das mais valiosas iguarias da gastronomia brasileira hoje: o queijo da Canastra, produzido entre montanhas, vales e rios, no interior de Minas Gerais.
Estamos em captação, ainda sem data de retorno por conta da pandemia, mas assim que abrir janela, voltaremos a São Roque de Minas e Medeiros para atualização de conteúdo e nova busca de histórias, gentes, saberes e sabor.
Concepção e texto Carolina Pinheiro (.a.pinheiro)
Fotografia Fellipe Abreu ()
Direção de arte Glenda Rubinstein
Parceria na realização da cobertura ➥ Associação dos Produtores de Queijo da Canastra (Aprocan)
03/05/2021
Repost Maurício de Paiva
Açaí & arqueologia amazônica.
brasil
Estamos em captação.
www.amazoniacomidaancestral.com
A etnobotânica estuda a relação existente entre populações humanas, sejam elas tradicionais ou não, e as plantas que as circundam, buscando entender como as pessoas se relacionam com as plantas, especialmente nas suas diversas formas de usos e como os seres humanos as categorizam. A arqueologia estuda a relação das pessoas entre si e com meio, adicionando nesse estudo uma escala temporal. Este trabalho se propôs a buscar uma assinatura ou vestígio da vegetação antropizada do passado em meio à vegetação antropizada no presente em áreas de quintais em Terra Preta de Índio (TPI), que são sítios arqueológicos. Para isso, propôs-se uma colaboração entre a etnobotânica e a arqueologia, em que se analisou a composição florística de quintais situados em áreas de TPI em diferentes contextos arqueológicos, a fim de verificar se eventuais diferenças nas composições de plantas nos quintais pudessem ser explicadas, pelo menos em parte, pela influência das ocupações humanas ali presentes no período anterior à conquista europeia. (...)
A Floresta Amazônica, tão conhecida por ser a maior floresta tropical do mundo, em que se destaca sua riquíssima biodiversidade, possui também uma face ainda muito pouco admitida – a de ser uma floresta antropogênica.
(...) As relações culturais das sociedades humanas com o seu ambiente resultam em um processo de domesticação de paisagem: “um processo de manipulação humana que resulta em mudanças na ecologia da paisagem e na demografia de suas populações de animais e plantas, resultando em uma paisagem mais produtiva e segura para os seres humanos”(Charles Clement). Na Amazônia, o produto mais durável e amplamente distribuído da domesticação da paisagem do período pré-colombiano são as Terras Pretas de Índio. As TPI são solos de cor muito escura e que mantêm sua fertilidade por anos, e até séculos.
In. Terra Preta e as populações do presente: a herança que chega até o quintal" Juliana Lins (INPA)
Foto 2: urna marajoara pré colonial / acervo MAE - USP
29/03/2021
Acesse o site e conheça o Amazônia: comida ancestral www.amazoniacomidaancestral.com
O projeto trará a diversidade de produtos da maior floresta tropical do planeta, integrando passado e presente de ribeirinhos que vivem há milênios do extrativismo e da pesca artesanal. A atividade gera renda para as populações tradicionais, além de saúde e bem-estar para moradores dos quatro cantos do país. A história da comida amazônica alia culinária regional, sustentabilidade e arqueologia. É uma jornada de sabores e ciência, o retrato de um Brasil que expõe, pelo prima da alimentação consciente, a urgência da conservação das paisagens e da cultura da Amazônia.
➥ Estamos em fase de captação e com as primeiras parcerias fechadas para a publicação de uma série de reportagens sobre o tema.
Para mais informações
Perfil no Insta .brasil
Email [email protected]
Realização Nascente Casa Editorial
08/02/2021
Castanheiro despeja ouriços de castanha no chão da mata na RDS Iratapuru, AP
➥ Texto Carolina Pinheiro (.a.pinheiro)
Fotografia Maurício de Paiva ()
Direção de Arte Roberto Sakai ()
O site do Amazônia: comida ancestral, volume inaugural do projeto Comida de Verdade já está no ar. Nos próximos meses, disponibilizaremos o vídeo do projeto via site, assim como a loja será aberta na página e no Instagram logo após o Amazônia obter patrocínio.
O pool de reportagem retratará cultura e história a partir do manejo de alguns dos ingredientes de origem mais consumidos no mercado de orgânicos do Brasil, entre eles o açaí, a castanha-do-pará, a mandioca, o palmito e o guaraná, produtos nativos que se tornaram a base da dieta amazônica.
Estamos em fase de captação. Para mais informações, acesse o site, o perfil do Comida no Instagram (.brasil) ou me contate por email [email protected]
www.amazoniacomidaancestral.com
Realização Nascente Casa Editorial
01/02/2021
por Carolina Pinheiro (.a.pinheiro)
A íntegra da minha primeira coluna na seção Comida de Verdade • Uma nova era na relação entre mulheres e cozinha • está na 5ª edição da revista franco-brasileira Profissão Queijeira, publicação idealizada e produzida pela jornalista Débora Pereira (). Este é um primeiro ensaio para o que pretendemos realizar adiante – a abertura de um canal no qual a troca de ideias sobre o papel da mulher na produção de alimentos no país possa gerar informação de qualidade para o nosso público. O plano inclui a promoção das primeiras lives da Nascente Casa Editorial a partir do amadurecimento do material divulgado.
➥ A mestre queijeira que abre a seção é Julia Vitória da Cunha. Moradora da região das Buracas, em São Roque de Minas, a produtora de 39 anos é a única mulher que participa do projeto desenvolvido pela Associação dos Produtores de Queijo da Canastra (Aprocan) a tocar uma fazenda sozinha. O trabalho – realizado em parceria com o SEBRAE – tem gerado renda e qualidade de vida para as famílias residentes, que lutam há décadas por um espaço no mercado. Estão conquistando, no Brasil e no mundo.
A revista – distribuída para assinantes – pode ser encontrada em lojas especializadas como a , São Paulo. ➥ A linha fina do título está com uma palavra trocada. O erro passou despercebido pela revisão e será corrigido na próxima edição.
Estamos muito felizes com o resultado de um trabalho que só faz começar. Caminhemos!
Fotografia Fellipe Abreu
Parceria SerTãoBras
Menção aos
Sigam o perfil do projeto no Instagram .brasil
O site do Amazônia: comida ancestral, primeiro volume do trabalho, está disponível em www.amazoniacomidaancestral.com
27/01/2021
Por Carolina Pinheiro (carol.a.pinheiro)
A melhor maneira de nos aproximarmos das pessoas, de chegarmos perto delas, é sendo nós mesmos. Despimo-nos do nosso papel profissional e deixamos a nossa humanidade falar mais alto. É assim que desenvolvo todos os meus trabalhos, sendo eu mesma. Do contrário, jamais conseguiria escrever ou reportar coisa alguma com profundidade. Se não me deixo ser tocada, nada vale. É preciso mergulhar, estar em absoluto. Basta a falta de um pedaço teu e já era. Imersão total. Corpo e alma conectados, em sintonia com o universo ao redor, com aquele mundo único, de pessoas singulares, de histórias infinitas. Na foto, visito uma das fazendas centenárias da Matinha do Ouro, região mais tradicional de São Roque de Minas, principal polo queijeiro do circuito Canastra.
Tive o privilégio de conhecer esse universo de perto. Trata-se de um Brasil distante, invisível para muitos. A intenção de trazê-lo à tona é uma constante em minha trajetória como jornalista. Descobri na reportagem um instrumento de resgate da essência do povo brasileiro. A informação desperta a curiosidade, instiga a reflexão e abre portas para o diálogo entre as partes. Na Matinha do Ouro, fui apresentada a um casal de produtores de queijo que vive de forma bastante peculiar. A impressão é a de que aquele canto, separado por muros de pedra, parou no tempo. Casas seculares, de um colorido vivo, os currais ainda de chão batido, as vacas a espera da ordenha, as hortas carinhosamente bem dispostas no quintal, as galinhas correndo ao lado da soleira da porta – tudo refletia a personalidade do mineiro. Enxerguei naquela manhã ensolarada no Cerrado, o retrato do que temos de mais original. A sociedade cosmopolita pode e deve conhecer melhor o interior do país. Vejo na troca de conhecimento uma possibilidade de fortalecimento da nossa identidade como nação.
Reportagem de .a.pinheiro e Realização ➥ Nascente Casa Editorial
20/01/2021
No Dia Mundial do Queijo, compartilhamos o post de uma das propriedades produtoras mais visitadas da zona rural de São Roque de Minas: a Estância Capim Canastra. Olha que beleza de experimento o Guilherme andou fazendo do outro lado da porteira de sua fazenda:
"Por que não?
Peguei um queijo ainda meia cura, enfaixei a peça como se fosse a múmia de um importante faraó, ofereci a essa criatura aquele trago de uma cana pura, sincera, de confiança. A união de tais elementos se transformou em festa na masmorra, abrindo portas para a participação de vários outros microrganismos, e todo dia um trago é de lei ... num é? Resultado: um queijo forte, de personalidade e muita interação."
São Roque de Minas é o principal pólo de produção queijeira do circuito Canastra. A Nascente Casa Editorial defende o pequeno produtor, valoriza a agricultura familiar, quer um mundo sustentável, luta pelo coletivo. Salve o queijo artesanal!