11/10/2016
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"Sou aluna de Design, bolsista PROUNI. A alguns semestres atrás tive a infelicidade de me matricular em uma disciplina, cuja professora não gostava de pobre, e isso f**ava evidente nas muitas piadinhas que ela fazia sobre empregadas domésticas.
No primeiro dia de aula, informei a ela que eu sempre chegaria atrasada, porque eu saia do trabalho e não conseguia chegar no início da aula. No final do primeiro mês de aula ela me disse que se eu continuasse a me atrasar, ela me reprovaria.
Lembrei a ela que eu trabalhava e não tinha como chegar pontualmente e que precisava da compreensão dela. À partir de então virei piada. Ela passou a me chamar de Silvia, dizia que eu tinha cara de Silvia, sempre com ar irônico. As piadas me incomodavam e eu tentava fugir do campo de visão dela durante as aulas. E quanto mais eu me escondia, mais ela me percebia e chamava a atenção pelo fato de eu estar excluída da turma.
Em uma das últimas aulas, durante a orientação individual dos trabalhos, eu comentei que não tinha entendido a proposta e escutei um sonoro palavrão. Sim, ela gritou um palavrão dizendo que eu nunca entendia nada. A situação foi constrangedora, me senti humilhada e intelectualmente incapaz.
Para a entrega do trabalho, ela havia "sugerido" uma gráf**a na Barra. Contudo, era extremamente distante e custoso para meu orçamento. Imprimi aqui na Zona Sul e a qualidade ficou excelente. No momento da entrega ela me perguntou se eu tinha imprimido na Barra e eu disse que não. A resposta dela foi "Minha filha, se você não tem dinheiro para gastar com impressão, você está na faculdade errada e no curso errado. Estou te dando um conselho muito honesto, você deveria mudar seu curso para qualquer um desses cursinhos aí, de pedagogia, serviço social..."
Chorei! Muito! Desci as escadas do Leme me sentindo absolutamente perdida. A vontade era de sumir e esquecer de uma vez por todas que um dia eu estive dentro da PUC.
No último dia de aula, pra fechar com chave de ouro, ela anunciou as notas e me disse "Vou aprovar você. Vou te aprovar porque não será eu a tirar sua bolsa. Você vai perdê-la por si mesma."
Foi muito difícil retornar no período seguinte. Pode parecer exagero, mas eu sentia as mãos geladas só de pensar em voltar a estudar com aqueles mesmos alunos. Morria de vergonha!
No período seguinte fiz um acompanhamento com o núcleo de psicologia da PUC e isso me ajudou bastante. Deixei esse episódio pra trás. No semestre seguinte encontrei com ela no sanitário e ela disse "Você é louca! Como teve coragem de escrever aquele texto na avaliação. Eu não sou preconceituosa... você entendeu tudo errado. Eu já fui mais pobre que você. Quando estudava usava roupas das minhas primas..." Apenas sorri, saí e não olhei pra trás."