01/10/2025
Hoje é o Dia Internacional do Idoso.
Enquanto celebramos a longevidade — e há tantas vozes incríveis levantando essa temática — quero falar sobre quem cuida. Em silêncio.
Nunca imaginei que, já quase idosa (na categoria 50+), usaria as redes para dizer isso. Mas hoje, preciso.
Lembro-me de trabalhos em empresas onde a pauta passava despercebida. Quando algum colaborador faltava por conta de intercorrências com seus pais, o RH dizia: “problemas de ordem familiar”. Já com filhos, a narrativa era outra: “Que pena, teve que levar o filho ao médico”. A sensação era de escala de prioridade: filhos são mais importantes. Mas quando se trata dos pais, o cuidado é silenciado.
Por influência dos meus avós — italianos e espanhóis — cresci vendo a comunidade cuidar colaborativamente de crianças e idosos. Era natural.
Há anos dedico parte da minha vida aos cuidados de meus pais. Não só financeiramente, mas com presença: médicos, passeios, escuta. Dois anos atrás, isso se intensificou com um AVC grave de minha mãe. Desde então, são cuidados 24h e altos custos divididos entre irmãos. O que mais ouço é: “Coloque-a numa clínica. Assim você cuida de você e equilibra seus recursos.” Não entrarei aqui nos dilemas emocionais e na qualidade das ILPIs disponíveis.
Trago apenas uma reflexão e um pedido:
Carta Aberta às Empresas: Cuidar de Quem Cuida
Neste Dia Internacional do Idoso, celebramos a sabedoria dos nossos pais e avós. Mas é hora de olhar para quem está nos bastidores: os filhos adultos — especialmente da geração X — que cuidam de seus pais em silêncio, sem apoio e reconhecimento.
A geração X, entre 40 e 60 anos, vive um dilema silencioso. Ainda ativa no mercado, também assume o papel de cuidadora de pais com múltiplas demandas: consultas, medicações, adaptações, apoio emocional e financeiro. Tudo isso somado à criação dos próprios filhos e pressões profissionais e de carreira.
📊 O que dizem os números:
• Mais de 70% dos idosos dependem financeiramente da família.
• 1 em cada 4 brasileiros entre 40 e 60 anos já cuida de pais ou sogros.
• Menos de 5% das empresas têm políticas para apoiar funcionários cuidadores.
O papel das empresas
É hora de romper o silêncio.