Olá a todos!
Segue abaixo o texto, escrito e enviado por Livia Carvalho Patrizi Jorge (liviajorge.blogspot.com). Luta, perseverança, em um belo depoimento.
A felicidade nos aguarda!
Tiro o dia de hoje para homenagens.
Percebi que me sinto sozinha em meio a tantos que passam por coisas semelhantes a minha situação. Sentia como se ninguém me entendesse e com isso, me fechei para certas discussões e assuntos. Agora vejo que essa atitude nunca ajudo ninguém nem a mim mesma. Fora uma defesa... talvez até uma negação do meu passado.
Agora gostaria contar ao mundo sobre o que já passei, mas ainda tenho medo da exposição que estou me sujeitando.
Mesmo com medo, estou com sede de mostrar que existe uma recuperação,
Uma sede de ajudar pessoas presas em suas próprias ideias e distorções da realidade.
Quero trocar experiências.
Nunca antes, aqui no blog, deixei clara minha situação.
Há dois anos comecei meu tratamento de transtornos alimentares.
Antes de qualquer pensamento errôneo sobre o assunto, quero deixar claro que um transtorno psicológico não é um modo de vida. A anorexia, bulimia, a depressão são doenças sérias, que podem levar a morte. Blogs, perfis e pessoas que defendem não comer ou por exemplo a autoflagelação como um jeito alternativo de viver estão doentes e acreditam realmente nisso, caminhando assim, cada vez mais para longe da vida.
Já estive muito doente e com o apoio de uma equipe de médicos, psicólogos, nutricionistas e principalmente da minha família consegui melhorar.
Não creio que um transtorno desses tenha uma cura.
Deixe-me explicar melhor meu ponto de vista:
O transtorno é como se fosse uma voz dentro da sua cabeça te mandando fazer coisas, uma voz que com o tempo cresce e toma conta de tudo dentro de você, vira sua única "amiga" ao mesmo tempo que só te fere. Te faz querer se livrar dela mas vocês já são dependentes uma da outra!
-"Eu sei como é querer morrer. Como dói sorrir. Como você tenta se encaixar, mas não pode. Como você se machuca por fora, tentando matar o que há por dentro." Susanna Kaysen -
Com o tratamento essa voz vai ficando cada vez menor e sussurrada, e com o tempo simplesmente paramos de percebe-la... Mas ela está lá. E é por isso que esse tipo de tratamento é tão complicado. Recaídas são muito comuns.
À doença:
“Eu sofro de recaídas. Uma hora eu digo que superei, que a sua presença não me afeta mais. Chego a passar um dia inteirinho sem pensar em você. Me envolvo com outras coisas. Faço da estrada minha melhor amiga e da bebida minha companheira. Até ai, tudo bem. Mas outra hora, vem a nostalgia. A falta, a carência. Vem você sua ideologia. É nessa hora que eu confesso ser fraco. É nesse momento que me tranco no quarto, abraço o travesseiro e deixo as minhas lágrimas falarem o que estou sentindo. Fico sentimental.[...] Vulnerável. Como disse, sofro de recaídas.”
Querido John (trecho modificado por Lívia Jorge)
A depressão tortura mas ao mesmo tempo conforta.
Demorei mas finalmente descobri que não estamos sozinhas(os)!
E é aqui que começo minhas homenagens...
Homenageio todos que lutam diariamente contra seus fantasmas e monstros
Homenageio aqueles que lutam e vão contra tudo que fizeram e aprenderam nos últimos tempos para se recuperarem!
.. Sei como é se sentir impotente perante a pensamentos confusos, conflitantes, dolorosos...
Merecem Merecemos um minuto de silencio.
Merecemos que tirem o chapéu.
A cada entrada no google sem procurar pessoas ou blogs doentios: parabéns
A cada ida à farmácia sem comprar laxantes: Parabéns
A cada apontador com ambas as lâminas ou a cada Gillette intacta: parabéns
A cada refeição completa...
Parabéns
A luta é longa e árdua.
Todos os dias são batalhas e nem sempre venceremos
Tenham força para levantar mesmo que do fundo do poço.
Como disse Gabriel Pensador:
"...Nem sempre a fraqueza que se sente quer dizer que a gente não é forte".
Mesmo nos momentos de desespero, procurar ajuda,
Frases e pessoas que nos levem para cima.
Resistir as tentações de ceder àquela voz já conhecida...
A felicidade nos aguarda!
Avante!
Proata - Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares
Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares - Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
O PROATA é um programa do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federaç de São Paulo (UNIFESP) que oferece assistencia gratuita, desde 1994, para pacientes adolescentes (a partir de 12 anos) e adultos com transtornos alimentares. Temos duas unidades em funcionamento e em ambas (PROATA-HSP/EPM e PROATA-CAPS) o atendimento é realizado por uma equipe interdisciplinar, constituída por psiquiatras, psicólogos, nutricionistas, nutrólogos e terapeutas ocupacionais.
Sobre a interrupção das atividades do programa semi-intensivo do PROATA e a assistência a pacientes com Transtornos Alimentares graves no Brasil
O PROATA é um programa multidisciplinar que desenvolve atividades de assistência, ensino e pesquisa na área de transtornos alimentares no departamento de psiquiatria da UNIFESP desde 1994. O programa é basicamente formado por uma equipe de colaboradores voluntários que dedicam cerca de 8-10 horas semanais para desenvolverem assistência especializada e supervisão de profissionais em treinamento, envolvendo atualmente mais de 30 membros excluindo-se residentes e estagiários (de psiquiatria, psicologia, nutrição, nutrologia, enfermagem, terapia ocupacional e assistência social). Ao longo destes anos temos prestado assistência com dificuldades, lutando por espaço físico dentro da instituição para conseguirmos realizar nossas atividades assistenciais, mas também de ensino e pesquisa, apesar de representarmos uma das referências na área de transtornos alimentares com reconhecimento em âmbito nacional e internacional. Em função das dificuldades de espaço físico institucional e o fato de contarmos com equipe de voluntários, conseguimos oferecer assistência apenas em dois dias da semana na UNIFESP, o que, tendo em vista a gravidade clínica e psiquiátrica que muitos dos pacientes apresentam (a exemplo os casos de anorexia nervosa), sempre representou para o PROATA um grande desafio e risco pois muitas vezes não dispomos de recursos para internar casos mais graves (além da enfermaria geral psiquiátrica do Hospital São Paulo) e dependemos da disponibilidade de leitos no único serviço especializado com enfermaria de transtornos alimentares do país (HCFMUSP).
Em 2007 conquistamos, finalmente, a oportunidade de expandir nossas atividades e desenvolver um programa semi-intensivo junto ao CAPS-Itapeva, com a contratação de uma pequena equipe multiprofissional de especialistas em transtornos alimentares para atuar no CAPS (2 psiquiatras, 1 psicóloga, 1 terapeuta ocupacional) - além de contarmos parcialmente também com uma nutricionista e uma enfermeira do próprio CAPS. Apesar de a equipe estar contratada por cargas horárias pequenas e diferenciadas (entre 10-20h por semana apenas), com muito empenho e esforço de todos conseguimos distribuir atividades ao longo da semana e viabilizar a oferta de um tratamento semi-intensivo para pacientes mais graves, que podiam ser acompanhados e tratados quase diariamente, inclusive realizando refeições assistidas junto à equipe. Desenvolvemos um projeto cuidadoso e individualizado, buscando atender às necessidades de cada caso e prestar assistência humanizada aos pacientes e seus familiares ou cuidadores.
É certo que pacientes com transtornos alimentares graves demandam, assim como pacientes com autismo, mais profissionais para sua assistência, tratamento este que representa sem sombra de dúvida um alto custo para os gestores de saúde, já que implica em número limitado de pacientes passível de ser tratado em regime semi-intensivo simultaneamente. Tais pacientes apresentam grande dificuldade em aceitar a alimentação, restrição e seletividade alimentar extrema e uso de métodos purgativos de risco, que demandam reeducação alimentar com reintrodução gradual de alimentos e vigília dos comportamentos. Em função de tais especificidades e do fato que o CAPS oferece refeições padronizadas, a equipe de transtornos alimentares teve que mobilizar-se para vencer este obstáculo ao tratamento e adaptar-se às condições e limitações oferecidas. Buscaram-se recursos externos (doações de particulares) para viabilizar a aquisição de outros alimentos e suplementos nutricionais necessários à reintrodução da alimentação, assim como recursos para assegurar a vinda diária de alguns pacientes que não tinham condições de custear seu transporte, ou mesmo para a compra de medicações do alto custo, já que tais benefícios não se acham disponibilizados para pacientes com transtornos alimentares (transporte gratuito e certas medicações), apenas para pacientes com outras patologias mentais.
O tratamento de transtornos alimentares representa, mundialmente, um alto custo para os serviços públicos de saúde. Um estudo de 2010 com base em 30 países europeus apontou gastos médios da ordem de 800 milhões de euros anuais para tratamento de transtornos alimentares (Olesen et al 2010). Tais pacientes realizam alta freqüência de visitas a serviços de saúde e necessidade de internação, além de apresentarem grave prejuízo na qualidade de vida, prejuízo este que se assemelha ou pode ser até pior que o de pacientes esquizofrênicos, segundo dados de revisão sistemática de qualidade de vida de pacientes com transtornos alimentares (Tirico et al 2010 – tese de mestrado defendida na UNIFESP). Pesquisas também demonstram que a disponibilidade de tratamento de anorexia nervosa em serviços especializados para transtornos alimentares reduz os custos de tratamento de tais pacientes em função da redução de necessidade de internações frequentes ou duradouras. A possibilidade de se oferecer todos os níveis de intervenções para pacientes com anorexia nervosa (internação, seguida de hospital dia e depois tratamento ambulatorial) reduziu os custos por ano de vida “salva” em mais de 30 mil dólares em estudo que comparou tal programa completo e especializado versus um tratamento de rotina e de intensidade limitada (Crow & Nyman 2004). Por último, serviços de hospital-dia permitem, muitas vezes, que se evite a internação ou reinternação dos pacientes.
Assim, lutando para vencer barreiras e oferecer um atendimento humanizado e planejado que atendesse as necessidades e especificidades de cada caso (dentro do possível), tivemos infelizmente que interromper a oferta deste programa semi-intensivo do PROATA no CAPS em função do estrangulamento dos recursos disponibilizados pela secretaria de saúde para assegurar a manutenção de programas de alta complexidade como este que desenvolvíamos no único serviço da rede pública fora do âmbito universitário. Ainda, tivemos que realizar o encaminhamento de pacientes que, com dificuldades, havíamos obtido o vínculo com o tratamento, já que patologias como a anorexia nervosa cursam com prejuízo de crítica e noção de doença e de riscos, levando a séria resistência a se tratar e agravamento da desnutrição e do risco de vida. Sabemos e lamentamos que muitos destes ficarão por tempo indeterminado sem assistência especializada em função do gargalo existente nesta área da saúde mental, ainda pouco desenvolvida e reconhecida pelas autoridades de saúde em todo o nosso país. Muitas das pacientes em tratamento no serviço achavam-se doentes por muitos anos (até 10 anos), são oriundas de outros estados, sendo que nunca haviam recebido o diagnóstico adequado ou tratamento especializado. Tratava-se do único e primeiro CAPS no Brasil a oferecer um programa especializado de transtornos alimentares, com foco não apenas no tratamento médico-psiquiátrico destas condições, mas também na reinserção destes pacientes em atividades sociais e ocupacionais. Além disso, tratava-se de um local de ensino, no qual residentes de psiquiatria e estagiários de psicologia e nutrição realizaram estágios práticos ao longo destes anos, portanto, o programa também tinha como objetivo auxiliar na formação de profissionais em área tão escassa no país.
Entendemos que a impossibilidade de atuarmos oferecendo assistência especializada e intensiva a indivíduos que apresentam não apenas extremos de desnutrição ou obesidade, mas também psicopatologia grave e persistente - 1/3 de pacientes com anorexia nervosa evoluem de forma crônica e cerca de 40 % apenas apresentam recuperação total, o restante apresentando frequentes recaídas - simboliza o desconhecimento completo e não reconhecimento de uma categoria de doenças com potencial de comprometer gravemente a vida dos acometidos: a anorexia nervosa é a doença mental com maior taxa de mortalidade e que aumenta em 12 vezes o risco de morte em indivíduos jovens assim como aumenta a morbidade nesta faixa etária, idade em que se espera encontrar indivíduos saudáveis. A falta de atenção e preocupação das autoridades de saúde em assegurar o funcionamento e desenvolvimento de serviços preparados para atender tais casos nos causa, enquanto batalhadores pela assistência, ensino e pesquisa na área, grande indignação, mas não desistência da luta pela causa.
Dra Angélica Claudino
Coordenadora do Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares (PROATA/UNIFESP)
O corpo existe e pode ser pego.
É suficientemente opaco para que se possa vê-lo.
Se ficar olhando anos você pode ver crescer o cabelo.
O corpo existe porque foi feito.
Por isso tem um buraco no meio.
O corpo existe, dado que exala cheiro.
E em cada extremidade existe um dedo.
O corpo se cortado espirra um líquido vermelho.
O corpo tem alguém como recheio.
(Arnaldo Antunes)
Agradecemos a todos que participaram do curso "Corpo: este estranho desconhecido". As reflexões, as trocas e o aprendizado foram inestimáveis!
Equipe Proata
04/03/2013
Comunicado aos interessados no curso: "Corpo, este estranho Desconhecido".
URGENTE!!!
Infelizmente tivemos um problema no site - que já está sendo solucionado. Aqueles que desejam se inscrever podem fazê-lo normalmente pelo site e, em seguida, enviar um email com os dados pessoais para [email protected], aos cuidados de Suzy. Ela fará o login, emitirá o boleto e encaminhará (via PDF) aos inscritos.
Nos desculpamos pelo transtorno e esperamos encontrá-los no curso!!!
Atenciosamente,
Equipe Proata
Para fazer a sua inscrição, basta clicar:
.: Centro de Estudos Paulista de Psiquiatria :. Objetivos do Curso: Propiciar o debate e a reflexão acerca da imagem corporal e do corpo tanto feminino quanto masculino, a partir de diversas perspectivas (histórica, cultural, antropológica, sociológica, entre outras), buscando-se compreender a importância e os lugares ocupados pelos mesmos na soc...
Bom dia amigos(as)! Está chegando o nosso 1o. evento!!! Contamos com a participação de vocês!
25/01/2013
Para os Profissionais que atuam com TAs, convidamos para o "Curso Introdutório de Psicoterapia Interpessoal para os Transtornos Alimentares". Garanta já a sua vaga!
http://www.cepp.org.br/cursoseventos.asp?act=I&idcurso=115
Aos novos(as) amigos(as)... sejam todos(as) muito bem vindo(as)!!!
Desejamos a todos(as) amigos(as) um ótimo 2013!!!
Amigos(a)... que 2013 seja um ano de prosperidade, sucesso e conhecimento! Contamos com vocês nas atividades que realizaremos! Boas festas à todos(as)!
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