Espaço Atual

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Educação continuada para professores e coordenadores do ensino público e particular. www.espacoatual.com.br

O Espaço Atual é produto da longa trajetória profissional de seus idealizadores, Fátima Camargo e Edmilson de Castro como formadores de educadores. Num período de mais de quinze anos somaram-se vivências de formação junto às instituições publicas e privadas que nos permitiram compor um quadro referencial acerca das necessidades e dificuldades enfrentadas pelos educadores nos diferentes segmentos e funções que ocupam no interior das instituições de ensino.

15/02/2016

Um dos muitos problemas que dificultam a vida dos professores é, sem dúvida nenhuma, a inclusão de alunos, sejam eles portadores de deficiências físicas ou mentais, portadores de síndromes recentemente catalogadas pela medicina ou psiquiatria ou, simplesmente, aquele aluno que sai do enquadramento da aula e da escola.
Assumida como uma obrigação moral e humanitária pela escola e seus profissionais, a inclusão escolar ainda se faz como um processo naturalizante de alunos "anormais", sem um referencial conceitual crítico que pudesse tornar claro os limites desse trabalho do ponto de vista pedagógico educacional, seu real sentido institucional e o quanto ele não pode ser pensado sem considerar o quanto incluir também implica em excluir.
Pensando nisso o Espaço Atual organizou o curso "Inclusão Escolar e a Produção do Aluno Normal", que hoje está sendo ministrado para os educadores e interessados no tema, no Colégio CEFI de Atibaia.
Interessados em receber este curso em suas escolas ou através da montagem de grupos avulsos de profissionais interessados no assunto, entrem em contato através do e-mail [email protected] para obterem maiores informações.

27/01/2016

"A Coragem da Verdade do Educador, Biopoder Político e a Decomposição do Capitalismo na Sociedade do Espetáculo", será o curso oferecido pelo professor Edmilson de Castro em 2016.
O curso terá como roteiro a leitura das obras "Em Defesa da Sociedade", de Michel Foucault e "Crédito à Morte: Decomposição do Capitalismo e Suas Críticas", de Anselm Jappe.
Embora tenha a escola e o educador como preocupação principal, o curso destina-se, também, a todas as pessoas que percebam a necessidade da constituição de um outro repertório filosófico para o enfrentamento dos dilemas políticos, éticos, institucionais e comportamentais de nosso tempo.
Os interessados poderão obter maiores informações através do e-mail [email protected]

29/05/2015

Espaço Atual.

29/05/2015

Milhares de professores de escolas públicas do país estão em greve. Em alguns casos, há mais de meses.
Não há, até o momento, nenhuma comoção da mídia ou de qualquer organização social.
Partidos políticos, centrais sindicais ou organizações coletivas, estão em silêncio.
Se falam, ninguém ouve. Se alguém ouve, ninguém se importa.
Então por que educação é um tema que a sociedade adora colocar como um dos mais importantes de qualquer política pública?
Arrisco dizer: ela é importante para a classe média que paga escola e gostaria de não pagar. É só é importante para as classes populares como utopia onírica, por que antes estão o emprego, a moradia e a saúde.
Sim, para o povo das distâncias geográficas, sanitárias e culturais, a escola como equipamento intelectual, é uma instituição marciana. Não desta terra.nesta longe. Muito longe. De imediato, não os ameaça.
Para as classes médias, educação é mercadoria que se compra no supermercado do saber; para os pobres, produto de segunda necessidade. Para a mídia, notícia a ser vendida na bacia das almas dos lucros calculados.
Livre destes limites, contudo, a educação formal poderá ser um excelente instrumento de transformação da vida precária que hoje coloniza nosso cotidiano.
Poderá ser, principalmente, um instrumento de sobrevivência e salvação, de um enorme contingente de pessoas que vivem espalhadas, melhor dizendo, esparramadas pelas longuras simbólicas e geográficas do país.
Educação não salva ninguém. Muito menos um país. Mas sem ela todos, de antemão, já estão condenados e apodrecidos.

29/05/2015

Fui há escola como alguns garotos da minha idade e condição social. Escola pública.
Não sei o que fui fazer lá. Se alguém me disse, não dei importância ou esqueci.
Se ninguém disse, é por que não faria diferença dizer ou não dizer.
Já não vivo confinado em uma escola. Mas quem foi, como eu, não sabe o que está fazendo lá.
E quem lá os colocou, também não mané por que o fez. Não acha que deve explicar os motivos do enclausuramento que um outro viverá por anos. Parece que é o caminho a seguir. Algo bom é natural. Nada violento.
Quem vai para a escola o faz por que chegou a hora. Mas quem disse quando é chegada a hora da verdade de se perder a liberdade da hora? Quem sabe o que o tempo é para um outro, outro nomeado infantil? Afinal, o que é um outro infantil, senão o outro inventado, esculpido com o estilete da gramática?
Alguém. Ninguém. Porém...e assim vai. E lá nave va!
E com ela vamos. A navegar? Não, claro. Estamos assim, encalhados há imaginar que a maré vai libertar.
Educar é civilizar. Educar é encalhar. Ainda que da proa a garganta anuncie:terra à vista!

26/05/2015

A instituição escola, modelo disciplinar de formação da subjetividade, morreu. A quem a queira, mesmo sem saber que ela é um cadáver histórico.

Na semana passada uma menina de doze anos foi estuprada, durante uma hora, dentro do banheiro de uma escola do mais rico estado do país, São Paulo.

Durante uma hora, está menina, foi submetida ao pior tipo de violência que pode atingir uma mulher e uma adolescente: o estupro. E, mais violento ainda: praticado por três outros jovens. Três!

Foi encontrada no pátio, desmaiada e, só então, levada ao hospital, sem que a escola, sabe-se lá porquê, soubesse que a jovem fora estuprada.

Durante uma hora a aluna ficou fora da classe, sem que nada fosse feito, sem que ninguém sentisse sua falta.

As escolas do estado, não essa necessariamente, estão em greve há mais de dois meses.

O governador nunca recebeu o sindicato. O governador, lamentou o fato. O governador deveria ser criminalizado. O governador, não se interessa pela educação. Nunca sentou em uma sala de aula, para sentir na pele, o que sentem professores e alunos.

O governador é um mentiroso, quando diz que se preocupa com a educação. O governador nunca esteve em um banheiro de uma escola sob sua administração.

O governador, não governa.

18/05/2015

Escola para quê?

18/05/2015

Parece que dar aula é uma ação técnica. Didática. Planeja-se movimentos de acordo com um tema. Em seguida ou simultaneamente, umtexto de apoio, para ajudar a dar forma e consistência ao que achamos que estamosfazendo ou sabemos. Sabemos que sabemos.
E lá vamos nós! Ensinar o que eles devem aprender ou assim parece que é o que deve acontecer, mesmo que nada aconteça.
A isso damos o nome de tourear. Torradas pedagógicas e não em Madri.
Toureamos ou somos toureados? Não sabemos. Mas que sangra, sangra. Por todos os poros. De todos. Estejam dentro sou fora. O sangue jorra. Touradas. Touradas longe de Madri. Alô Braguinha! Tudo se passa aqui.
É dar aula não se resume à técnica. Não. Aula é algo que se aproxima do risco existencial. Quem dá aula se arrisca e gosta do risco.
Só sabe viver ensinando que a vida é risco. O educador risca a vida de alto a baixo. Quem educa, traça um risco. Sinuoso, incerto, lisérgico é provocante.
Quem educa, de verdade, faz o outro pensar em si. Na verdade instiga à deseducação. Indica a trilha da liberdade e de seus riscos.educar não é uma técnica. Quem educa ensina e instiga a arriscar.
Quem educa, de certo modo, odeia gente educada.

06/05/2015

Todos os governadores cínicos do país, quando são obrigados a falar sobre as condições de trabalho dos professores e seus salários, sofismam dizendo que professor é, ou deveria ser, um vocacionado.
Ou seja, quem escolhe dar aula, ser um professor, o faz porque nasceu para isso.
Nasceu para sofrer. Um masoquista. Um doente que gosta de padecer.
Manuf, aqui no tucanistão, radicalizou essa premissa conservadora. Disse que as professoras não eram mal remuneradas. Eram "mal casadas."
O tucano Alckimin, vai na mesma direção. Diz que a profissão de educador é uma educação.
Escolheram passar fome e gostam disso. A recompensa deve ser um céu coloridos com p***s tucanas.
Beto Richa, melhorou o cinismo e a tragédia que os tucanos adoram piorar.
Mandou sua PM massacrar e humilhar os professores que, ingenuamente, acreditaram que vivemos em uma democracia.
Professores são profissinais. Não são padres vocacionados. Existem para fazer com que jovens e crianças cuidem de si mesmos, o que quer dizer, pensem e ajam por conta própria.
Eles não existem para ensinar aos jovens a obediência. Existem para que os jovens transgridam, recusem, desafiem tudo o que pede deles conformismo, obediência e morismo.
Morismo, aqui, quer dizer acatamento às imposições de todo poderoso que pretende agir como tirano e, portanto, negar o poder da polis.
Professores, quando são professores, morrem, mas não abrem mão da liberdade e do direito de sublevar-se contra a injustiça, a mentira é a tirania, venha ele até onde vier.
Professores não nasceram professores. Escolheram ser professores. Não têm medo. Gostam do medo. Não discutem a injustiça e a desigualdade. Tentam destruí-las.
Professores são exigentes. Em primeiro lugar consigo mesmos. Depois com seus alunos e, por fim, com o modo como a sociedade garante a vida das pessoas.
Não existe professor vocacionado. Ninguém é professor. Esse tipo de fala é típica de vigaristas, como os alckmins e os malufs.
Para ser educador, para ser professor é preciso cuidar de si. É preciso ter uma ética de si mesmo.
Educador é um artista que faz de si mesmo uma obra de arte. E, por isso mesmo, só obedece a própria vontade.

04/05/2015

O que será que faz um educador tremer? Sei que professores muitas vezes, têm medo de uma classe agressiva.

Sei também que em determinadas situações, professores temem os pais, principalmente nas escolas particulares, quando estes argumentam com seus cartões de crédito.

País podem ser extremamente arrogantes com professores pois, como sabemos, parece que todos acreditam que são capazes de ensinar, mesmo quando nem mesmo seus cães, os escutam.

Educadores temem, também, a ignorância. Talvez por que acreditam que, por educarem, devem saber de tudo, seja sobre aquilo que diz respeito à sua disciplina curricular ou sobre a existência humana e seus dilemas.

É possível que isso ocorra por soberba. Um diploma e um título que lhes conferem direito a ensinar quem supostamente nada sabe, faz com que não possa admitir que ignora muita coisa, inclusive o que deveria saber.

Além da soberba, um educador pode ter medo de demonstrar fraqueza e insegurança, diante de jovens que, a princípio, não estão preparados mais do que ele, para enfrentar os desafios da vida.

Tudo isso, e muito mais, é possível. Mas, o que é inquietante, não é o medo. Este é bem compreensível.

O que incomoda, na verdade, é a falta de medo. Sim educadores perderam um certo tipo de medo. Seja lá por quê for, aqueles que ensinam perderam a sensibilidade para algo que os deveria aterrorizar.

Sei que para exercer esta profissão, é preciso muita coragem. Coragem para enfrentar as más condições de trabalho, a perda de valor social, as baixas remunerações e, nos dias que correm, a polícia militar.

Mas, talvez, maior temor que um professor devesse ter, é o de trair as expectativas de seus alunos.

Estar em uma escola e perceber que o que você faz não faz a menor diferença para quem os escuta, deveria ser algo verdadeiramente, ameaçador.

Olhar para seus alunos e não conseguir receber de volta um brilho sincero de respeito ético, deveria assombrar todos aqueles que optaram por ensinar.

Só deste modo ensinar deixará de ser um ato burocrático, para se transformar em um gesto genuinamente revolucionário.

Melhor ainda, uma arte.

03/05/2015

- Tá feliz agora?

Não houve resposta para esta pergunta porque foi feita para uma criança de mais ou menos 1 ano e meio que acabara de cair e bater a cabeça no chão. Estaria sem dúvida com dor, não porque dissesse, mas, porque chorava inconsolável.

Mas, não houve co***lo, nem acolhida. E por que? Talvez pelo fato da professora ter sido interrompida na animada conversa com as colegas. Ou será esta uma estratégia utilizada para a dita construção da autonomia das crianças? Quem sabe se essa professora não considera importante deixá-las, todas bem pequenas, à própria sorte como um estímulo ao desenvolvimento?

Entretanto, há na pergunta algo bem mais grave do que qualquer desconhecimento acerca dos pequenos e do que é possível e necessário fazer com eles. Há algo mais profundo e perturbador: a hostilidade.

Com certeza a menina não estava feliz, se é que ela, na curta trajetória vivida, sabe o que é isso. Com sorte poderá chegar, de uma forma ou de outra, a vive-la. E a professora? Estará feliz? Aparentemente só conversando com as colegas… Mau negócio para as crianças, coitadas, o ano mal começou…

Seria preciso alguém de dentro, com autoridade, para presenciar e discutir com rigor essa situação. Tomara exista e reconheça nessa e em outras tantas atitudes o grau de gravidade que carregam. É assustador o que é feito com as crianças pequenas também nas ditas instituições de ensino.

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