25/12/2015
A OUTRA PALAVRA DITA
Porque a chinela intacta, jogada fora por sua parceira rasgada.
Porque a manga madura, esquecida ao chão, pelas moscas podada.
Porque a gotícula d'água de chuva,
límpida, solta,
na poça putrefata.
Porque a flor vistosa, ao pó do pé
abandonada.
Porque a pomba, desmerecida
em meio às maritacas.
Porque o cão entre as crianças
assustadas.
Porque o menino entre os grandes,
perante as moças desenlutadas.
Porque a brisa em meio ao vento
do frio feio das madrugadas.
Por que as mãos dos cafeicultores,
de marcas aprofundadas.
Porque perante todos as minhas palavras.
Porque os porquês.
Porque eu.
Isso tudo eu escrevo, talvez por isso, talves
por aquilo. Talvez porque isso, talvez porque aquilo. Talvez porque os porquês. Talvez porque eu.
Por quê?
Porque eu!